Ensino sem modalidade. Educação sem limites - Diário de Santa Maria

Coluna Tecnologia27/09/2017 | 11h52Atualizada em 27/09/2017 | 11h52

Ensino sem modalidade. Educação sem limites

Colunista convida a uma reflexão: qual o nosso propósito? que educação queremos para nós, para nossos filhos? A tecnologia é o meio; a felicidade, o fim

Quando eu ingressei no Ensino Superior, em 1999 (antes de fazer as contas não parecia tanto tempo assim), a internet não só era diferente do que é hoje, mas novidade para uma quantia imensa de pessoas. Na verdade, poucos sabiam como usá-la. Poucos tinham noção sobre o tanto que ela faria para e com o mundo e, obviamente, para nós e conosco.  Até poderiam prever e problematizar potenciais influências, mas foi usando esse emaranhado incrível de possibilidades que fomos de fato saber _  ou seguimos tentando compreender, que seja.

Mas o que eu quero contar e conectar com isso é que estive em Foz do Iguaçu, para o 23º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância, focado em metodologias ativas e tecnologias aplicadas à educação, e, de quebra, tive a oportunidade de fechar os dias de viagem de estudos com uma atualização em inovação e tecnologia num Programa para o Desenvolvimento de Empresários e Executivos do Setor de Educação. E foram essas ocasiões que me remeteram aos meus, então, 18 anos, esses que marcaram o meu ingresso na faculdade. Nessas ocasiões, principalmente, me levaram a pensar naquilo que os nativos digitais, meus/nossos potenciais alunos, querem ou vão querer da vida quando colocam ou colocarem os pés dentro da faculdade.

Mesa de debates do congressoFoto: Andrewes Pozeczek Koltermann / Arquivo pessoal

Eu achava ter entrado com o pé direito. Queria, com toda certeza, trabalhar com internet. O contador de visitas (alguém se lembra disso?), os frames que soavam, pelo menos para mim, como incríveis tecnologias cinematográficas, associadas a sensacionais backgrounds, pesados, cheios de cor e completamente sem sentido agora. Tudo isso junto somado a uma curiosidade sem limite, me dizia que eu entraria na faculdade para ser o cara da inovação. Eu não sabia naquela época o significado e nem o sentido dessa palavra, mas eu tinha um propósito. Na verdade, eu queria encontrar o meu, para ser mais exato.

Programa para o Desenvolvimento de Empresários e Executivos do Setor de Educação/ Prodese/HoperFoto: Andrewes Pozeczek Koltermann / Arquivo pessoal

Antes de entrar na faculdade foi a curiosidade que me rendeu uma proposta de emprego na área de segurança da informação com nem 17 anos completos. Eu neguei porque, claro, eu tinha que estudar. Eu entrei e a quantia de informação, conhecimento e experiência que consumia em sala de aula no passar dos semestres era infinitamente menor do que a revolução que acontecia fora dela.

De alguma forma eu sentia que ia "emburrecendo". Antes eu buscava, lia, testava, aplicava. Em seguida, eu estava ali, numa cadeira de frente para o quadro negro quando o meu potencial e principal instrumento de trabalho estava longe de mim. Ficava ouvindo por incontáveis vezes dados e informações 'fundamentais', mas sem qualquer contexto de aplicação e, acreditem, o que era sonho virou entrave. Confesso, fui um aluno mediano, mas uma baita profissional nos meus bicos da juventude, eu diria. E, lembrando desse período que vi minha independência, autonomia e criatividade sendo, aos poucos, sufocados, penso no quanto temos de ser e fazer diferente.

Foi só há bem pouco tempo que encontrei o meu propósito. Educador social eu me defino. Mas a verdade é que é isso que eu quero ser. E a gente tem que sempre querer alguma coisa, não? Isso me fez compreender que, de fato e de direito, os meus futuros alunos também querem descobrir seu propósito e eu não devo/posso, como educador, acabar com isso!

A questão é que eu estive nesses eventos reforçando esse desejo e refletindo sobre o deles. As atividades foram fantásticas. Nunca se falou tanto como agora em metodologia ativa. A tal sala de aula invertida, o aluno como protagonista, o professor facilitador e, sim, meus colegas de área, as tecnologias da informação e comunicação como, finalmente, a bola da vez. A estrela no cenário e contexto educacionais!

Baita oportunidade!
Quantas plataformas podemos arquitetar e desenvolver?
Quantas soluções podemos aperfeiçoar?
Quantos dados podemos transformar em informação, conhecimento e estratégia?

Ok! Mas não, definitivamente não! Não é essa a reflexão acertada. Precisam de nós, não dos meios que podemos planejar e colocar para "rodar". Precisamos parar de achar que ensino hoje é tecnologia. Primeiro porque não se trata de ensino. Segundo porque precisamos falar de educação e educação pressupõe ação. E agir tem haver não só com olhar para o que os estudos sobre o futuro nos dizem. Significa enxergar, de fato, que não importa o que terá no final do caminho. Importa que na jornada essa gurizada não quer e não pode ter aquela independência, autonomia e criatividade mais do que podadas: assassinadas.

Precisamos reaver a vida. Não podemos acreditar estar errados quando o propósito é ser fantástico. Enquanto categorizarmos a educação enquanto presencial, distância, híbrida, estamos categorizamos sonhos. Educação não tem modalidade. Educação tem sentido. Tecnologia deve servir a esse desígnio. E quem usa deve focar em outro: ser feliz.

E foi neste sentido, felicidade, que levei ao congresso uma iniciativa de tecnologia social conectada à educação e à aprendizagem. Com a minha parceira de vida e trabalho, minha esposa Liana, ficamos entre as startups selecionadas, levando o sentimento de mudar o mundo alicerçado nas tecnologias da informação e comunicação no contexto da exploração da genialidade do coletivo. Lá, falamos de negócios, fortalecemos a nossa rede de relacionamento e apresentamos a Fadisma, que vem se destacando na área.

Projeto Mirante foi apresentado no Expo EAD na 23ª CIAEDFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

E o que eu quero dizer é que todo espaço e todo tempo é lugar para aprender. Na faculdade e, sobretudo, na juventude, principalmente. Que meu sentimento nessa coluna é de apelo, de pedido de socorro. Não por mim. Mas pelo guri que eu era, pelos muitos que ainda o são e por aquele que meu filho será.

Não é só de conexão e bateria; proteção e privacidade; audiência e interação; otimização e performance; que precisamos. Precisamos que nós e eles encontremos o nosso sentido no mundo. A tecnologia é meio. Não é e nem nunca foi fim. A finalidade é a felicidade. E se os Andrewes de hoje não tiverem sorrindo em casa e no trabalho, tem algo errado. Eduquemos com e não pela tecnologia. Eduquemos para a vida.

 

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