Produção da lã une família de Santa Maria - Diário de Santa Maria

Empreendimento12/08/2017 | 11h50Atualizada em 12/08/2017 | 13h07

Produção da lã une família de Santa Maria

Atividade que iniciou como hobby virou complemento de renda para os Bernardes, que criam ovelhas em São Martinho da Serra

Produção da lã une família de Santa Maria Lucas Amorelli/New Co DSM
Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM
Diogo Brondani

A produção de artigos em lã que iniciou como um hobby serviu para unir a família e, ainda, incrementar a renda. Foi por meio da busca por uma ocupação depois da aposentadoria que a ex-funcionária pública Márcia Bernardes, 56 anos, e o marido Régis Bernardes, 56, encontraram no trabalho com lã uma atividade. 

A criação de ovinos na propriedade rural da família, em São Martinho da Serra, tinha a finalidade apenas de venda dos animais para abate. Foi então que surgiu a ideia de aproveitar a lã, que era descartada, para confecção de produtos como xergão, ruana (espécie de pala feminino aberto), palas, golas, coletes e pelegos para montaria e uso decorativo. Além disso, há a produção de rédeas a partir da lã e a venda do fio artesanal disposto em novelos.

– É um hobby que gera renda, e ao mesmo tempo mantém a família unida, já que todos se interessaram em participar da produção – destaca Márcia, que fez cursos para aprender o processo de utilização do material.

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Como o marido, os filhos Guilherme e Matheus, e a nora Amanda Tatsch, são da área da Zootecnia e aos poucos a criação das ovelhas foi sendo aperfeiçoada para maior rentabilidade, não só em carne, como já era praticada, mas também em lã.

– Inicialmente, na propriedade, a criação de ovinos, principalmente da raça sufollk, era para consumo próprio e venda. Hoje, investimos também em raças como a texel e corriedale, que têm um melhor aproveitamento em lã, e proporcionam melhor qualidade aos nossos produtos – relata Matheus Bernardes, 21 anos.

Amanda, nora de Márcia, é quem faz o marketing dos produtos na internet e também ajuda nas vendas e confecção de alguns produtos.

– A gente aproveita o tempo vago para produzir. Enquanto estou olhando TV, vou tecendo os fios no tear de pregos. O método é simples e, depois que pega o jeito, rende bastante – diz ela.

Depois de aposentada, Márcia  Bernardes iniciou a produção de lã na família Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

COMERCIALIZAÇÃO
Hoje, todos os produtos levam a marca Fazenda do Rancho e são comercializados principalmente pela internet e em feiras agropecuárias. Além disso, os novelos de lã são destinados para lojas especializadas, em Santa Maria e Gramado. Na cidade, apenas uma loja vende os novelos produzidos. O proprietário do local, Daniel Antonio Gorski Pereira, apostou no produto há cerca de três meses e diz que percebe uma boa aceitação.

– É um produto natural, 100% lã. É um pouco mais cara do que a lã normal, mas quem conhece compra, pois sabe que ela rende mais e os trabalhos ficam mais bonitos. Há casos de cliente que não conhecia, levou para experimentar e agora não deixa de comprar – destaca o proprietário da loja.

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Os pelegos são tratados para que possam ser vendidos para decoração ou uso na montaria. No entanto, a venda é feita para clientes de fora do Estado.

– Muita gente não entende o trabalho que dá para deixar o pelego em condições de uso e acha caro pagar R$ 300 num pelego preto, que é diferenciado, por exemplo. Falta valorização. Daí acabamos vendendo para clientes do Paraná e outros estados – desabafa Matheus.

Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

EM FAMÍLIA
Xergões, ruanas, palas, golas, coletes, toucas, gorros, pelegos para montaria e uso decorativo, assentos para bancos e puffs, rédeas e fio de lã integram a linha de produção da família Bernardes. Todas as peças têm confecção artesanal. A lã retirada das ovelhas da propriedade vai para uma cooperativa de onde retorna tratada pronta para a confecção das peças. A partir daí, é feito o tingimento de forma artesanal na lã crua que ganha diferentes tons.

O detalhe é que apenas os processos iniciais são feitos na propriedade. A finalização ocorre no apartamento da família, em Santa Maria.

– É aqui que a maioria dos produtos ganha forma. Na roca elétrica, a lã crua ganha forma de fio. No tear, as ruanas são tramadas, como a confecção das rédeas e arreios – conta Márcia.

Segundo ela, os filhos Matheus e Guilherme atuam na confecção dos fios de lã mais grossos, para xergão e rédeas, bem como nas vendas. A nora Lícia Cogo, que é fisioterapeuta, também ajuda na produção e nas vendas.Os seus pais, Antoninho e Zaira Meneguello, são responsáveis pelos novelos de lã e rotulação. Régis é quem confecciona os xergões.

– A lã nos uniu mais ainda e todos gostam do que fazem. Além disso, o rendimento, que a gente não esperava, é ótimo – comemora a artesã.

 
 

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