Da sala de aula para a Tribuna da Câmara de Vereadores - Diário de Santa Maria

Série Perfil Vereadores17/07/2017 | 09h31

Da sala de aula para a Tribuna da Câmara de Vereadores

Vereadora Celita da Silva chegou ao Parlamento depois de ser professora

Da sala de aula para a Tribuna da Câmara de Vereadores Gabriel Haesbaert/NewCO DSM
Vereadora Celita da Silva em frente ao Colégio Tancredo Neves, onde lecionou e foi gestora durante 13 anos Foto: Gabriel Haesbaert / NewCO DSM
José Mauro Batista

jose.batista@diariosm.com.br

No dia 4 de junho de 2016, a professora estadual Celita da Silva decidiu se candidatar à Câmara de Vereadores pelo Partido dos Trabalhadores (PT), após anos adiando a decisão de concorrer, que, segundo ela, era um desejo de sua comunidade. 

Eleita para seu primeiro mandato, com 2.201 votos, Celita é a 11ª mais votada para a atual legislatura. Mas a caminhada da professora até o parlamento municipal é descrita por ela como de muito trabalho e dedicação à comunidade. 

Filha de pequenos agricultores, Celita nasceu na Vila Cauduro, no Bairro Boi Morto, e só pisou numa sala de aula aos oito anos de idade porque tinha que cuidar da irmã mais nova (ela tem outros três irmãos). Seus primeiros anos escolares foram na antiga Escola Estadual da Viação (atual Escola Estadual Marechal Castelo Branco). 

Desde adolescente, acostumou-se a percorrer quilômetros a pé para poder estudar. 

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– Fiz estágio na Altina Teixeira (escola municipal) e também ia a pé da Cauduro à Caramelo. Era uma época em que não havia muito ônibus, meus pais eram pobres, e essa era a forma de locomoção – relembra a vereadora, que cursou o Ensino Médio no Instituto Olavo Bilac. 

Aos 23 anos, foi lecionar no interior de Júlio de Castilhos, no distrito de Limeira, hoje pertencente ao município de Pinhal Grande. Lá, ficou três anos, e mais dois em Júlio, retornando em 1991 para lecionar no Colégio Tancredo Neves, em Santa Maria. 

Formada em Pedagogia na Universidade da Campanha (Urcamp), campus de Caçapava do Sul, Celita passou a se envolver cada vez mais na vida escolar do colégio que adotou para desenvolver projetos pedagógicos, culturais e sociais.

– Em 2003, a comunidade da Tancredo Neves (bairro onde fica a escola) fez um abaixo-assinado para que eu concorresse como diretora. Foram 13 anos como gestora, três vezes como vice e três vezes como diretora – destaca. 

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No governo Tarso Genro, foi nomeada titular da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE), onde ficou durante os quatro anos da gestão petista. Depois, foi secretária municipal de Educação de Dilermando de Aguiar, onde atuou dois anos. Filiada ao PT desde 1997, a vereadora conta que optou pela sigla por ¿um desejo pessoal¿. 

Sua ficha foi abonada pelo então deputado federal Valdeci Oliveira. Atualmente, ela pertence à corrente PT Amplo, liderada pelo deputado federal Paulo Pimenta. 

Ao descrever seu envolvimento com a comunidade do Bairro Tancredo Neves, Celita é detalhista e elenca todas as atividades e iniciativas das quais participou, como a constituição da banda escolar, incentivo à participação dos pais nas atividades e até a fundação do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Alma Gaúcha, do qual é patroa. 

Às vésperas do nascimento do 6º neto, a professora tem intensa atividade legislativa e parlamentar, participando de algumas das principais comissões do Legislativo, como a de Direitos Humanos e Cidadania. 

Como relatora da comissão especial para tratar sobre veículos de tração animal, mais conhecida como ¿comissão dos carroceiros¿, Celita pretende ampliar o debate para uma questão complexa: a reciclagem de resíduos sólidos (confira ao lado).

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TRIBUNA RÁPIDA

Diário de Santa Maria – Como foi o trabalho na comissão dos carroceiros, da qual a senhora é relatora? O que foi possível constatar dessa atividade?

Celita da Silva – A comissão já tem relatório e vamos entregá-lo ao Executivo. Durante as visitas e as conversas com os carroceiros, conhecemos pessoas que enfrentam o rigor da vida e verificamos a grande preocupação que cada um tem com a sua família. 

Já a nossa grande preocupação é com a falta de organização dos carroceiros. Nossa proposta é organizá-los, implementando ações em que eles possam se inserir nas suas regiões e para que tenham o devido cuidado com os seus animais. 

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A regionalização da coleta de recicláveis é uma ação. Precisamos disciplinar esse tipo de transporte, pensando na sua substituição a médio e longo prazos. Identificamos carroceiros feirantes, leiteiros, freteiros, os que têm a carroça como transporte de passeio, e os recicladores. Temos que ter um olhar muito responsável sobre esse tema.

Diário – A senhora também integra a comissão para tratar dos resíduos sólidos, constituída recentemente. Essa comissão é derivada da comissão dos carroceiros, dará sequência a esse debate?

Celita – Também estamos acompanhando a questão dos carroceiros na Comissão de Direitos Humanos, da qual sou presidente, porque tem a questão do trabalho infantil. Na comissão de resíduos sólidos pretendemos avançar. A luta pela sobrevivência os faz reféns dessas situações. 

Temos que lutar para a organização dos recicladores em cooperativas e qualificar seu trabalho. Já estou iniciando ação de conscientização na Tancredo Neves, envolvendo igrejas, escolas, CTG, associação, clube de mães. Estamos costurando essas ações, que são um pingo d´água no oceano dos carroceiros.

Diário – Quais tipos de denúncia chegam à Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara?

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Celita – A violência obstétrica (situações envolvendo o parto e as mães de bebês, como atendimento não adequado) é uma das nossas preocupações. 

Já ocorreu a morte de um feto e é uma situação muito séria. Mas estamos trabalhando outros temas, como a reabertura do Restaurante Popular, questões gerais na área de saúde, orientações sobre questões familiares e até sobre como organizar uma ONG. 

Direitos humanos, na sua essência, é a garantia dos direitos das pessoas em situação de risco. Precisamos lutar para que todos tenham acesso à informação, à saúde e à alimentação.

Diário – Qual a sua avaliação, como militante petista, das denúncias de corrupção envolvendo o PT em nível nacional?

Celita – Em primeiro lugar, um partido é constituído de pessoas, e esse abalo não foi só no PT. Temos outros partidos envolvidos. Não concordo com o uso de partidos e religiões para atos ilícitos. 

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Mas no caso das denúncias da Lava-Jato precisa haver a responsabilização de todos os partidos envolvidos. E não somente do PT.

QUEM É

Celita da Silva
– 55 anos
– Natural de Santa Maria, nascida no Bairro Boi Morto
– Casada, dois filhos e seis netos– Professora

 

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