À espera do príncipe que irá nos salvar - Diário de Santa Maria

Coluna Finanças27/07/2017 | 14h22Atualizada em 27/07/2017 | 14h22

À espera do príncipe que irá nos salvar

Colunista aborda o aumento dos impostos, com especial impacto nos combustíveis


"Cenários de estabilidade de preços haviam sido traçados, boas novas haviam sido anunciadas, e o Brasil quase acreditou..."

O trecho acima parece um conto de fadas, uma daquelas histórias de princesas e dragões, onde o príncipe acaba com o vilão e vive feliz para sempre com sua princesa. Quem dera que assim fosse...

Esta é a mais pura realidade que nos atinge. Refiro-me, na totalidade, a rasteira que nos foi passada por um governo com preocupações diferentes, quase antagônicas às da população que trabalha e sustenta esse país. Se não basta-se o aumento de impostos, a Petrobras, com a adoção de uma nova política de reajustes (nacional), também elevou seus valores nas refinarias, com o objetivo de deixar o "mercado" regular os preços.

A elevação dos impostos sobres os combustíveis, se mantida (ainda há esperança que um cavaleiro derrube este mal), trará consequências diretas sobre os orçamentos familiares. O fato é que a matriz de transportes brasileira é baseada em fretes rodoviários, que são afetados diretamente nos seus custos e, por consequência, todos os preços da economia sofrerão um aumento proporcional, o que desestabilizará de imediato o controle da inflação. Nada que cause grande impacto nas metas do governo, mas que trará, sim, um grande prejuízo ao bolso popular.

Tenho como parâmetro meus gastos pessoais com gasolina. Como não resido na cidade onde trabalho, eles são altos relativo ao orçamento familiar. Consumo durante um mês o montante de 6 tanques (de 55 litros) de combustível, o que soma um total em torno de 330 litros mês.

Antes do aumento, abastecendo em um posto com preço de R$ 3,54 o litro, meu gasto médio era de R$ 1.168,20 mensais. Após o aumento, se acrescermos R$ 0,41 por litro de gasolina, o preço irá para R$ 3,95, o que resultará em um gasto total de R$ 1.303,50.

O impacto total sobre as despesas com combustível será de 11,6%, de forma direta sobre o transporte. Porém, também existe o impacto indireto, resultante do aumento do frete sobre os demais produtos consumidos mensalmente, como alimentos e vestuário, sendo este mais difícil de calcular.

No cenário de Santa Maria, onde estávamos registrando índices de inflação baixos _ e até deflação (junho -0,15% e maio -0,28%) _,os próximos valores devem sofrer elevação de mais de 1%, tanto pelo impacto direto quanto indireto, que persistirá por certo tempo até a acomodação dos preços dos fretes. Assim, o registro total de inflação que ficou em +0,76 % nos primeiros meses de 2017, poderá mais que dobrar com uma simples intervenção nos impostos.

Foto: Reprodução / Pixabay

Esperemos, com esperança, pelo cavaleiro, pelo príncipe ou por qualquer heroi que se habilite a nos salvar dos vilões que insistem em maltratar a população indefesa. 


 
 

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