Tecnologia do presente para (re)conhecer o passado - Diário de Santa Maria

Coluna Tecnologia18/04/2017 | 13h39Atualizada em 09/05/2017 | 13h35

Tecnologia do presente para (re)conhecer o passado

Colunista recorda o Orkut e uma paixão pessoal para falar sobre a conexão que a tecnologia nos possibilita

Hoje vou falar um pouco de um hobby que virou uma grande paixão, desdobrando-se em intensos projetos. Porém, antes, é oportuno registrar algumas palavras sobre uma outra paixão a qual tive o prazer de concluir uma de suas fases durante a semana passada: TEDxSantaMariaED 2017 (sobre a origem tratei na última coluna)

O talk de Rafinha Perez trouxe uma melhor forma de se comunicar e impactar no universo acadêmico onde, como viemos falando, a tecnologia tem extrema influência. Outras fotos e comentários podem ser vistos na Fanpage do evento Foto: Glaucio Maia / Divulgação

O evento estava fantástico, motivador e inspirador ao meu ver! Os palestrantes compartilharam suas ideias e ficou muito evidente o quanto são apaixonados pelo que fazem. O interessante é que boa parte deles têm forte ligação com Santa Maria, o que prova que temos um potencial a explorar e a repercutir na nossa cidade.

Em breve, os "talks" estarão disponíveis na plataforma TED e serão compartilhados na fanpage. Um restrito público de 100 participantes acompanhou presencialmente e a esses e todos seguidores uma certeza: o TEDxSantaMariaED 2017 não acaba por aqui.

PESQUISA GENEALÓGICA
Mas vamos voltar ao que interessa e àquilo que me refiro no título da coluna... Há 8 anos dedico esforços na pesquisa genealógica da minha família. Iniciei pelo Pozeczek e, em breve, pretendo me dedicar às famílias Roepke, Prade, Altermann e Souza, sobrenomes que completam meus descendentes diretos.

O motivo de ter escolhido, primeiramente, o Pozeczek vem pelo fato de ter muitas dúvidas (e poucos fatos) sobre a história da família. Meu avô, Paul Pozeczek, nascido em Bergthal (Chodzie¿), hoje território da Polônia, em 28.06.1910, embarcou para o Brasil junto com o padrasto Leo Josephus Koltermann, em Hamburgo, no vapor Tucuman, no dia 22 de dezembro de 1923, tendo permanecido aqui no Brasil como estrangeiro até a data do seu falecimento, em 1973. Informações essas que foram aos poucos se completando.

Até onde sabia, o Paul foi o último Pozeczek, dando origem a uma pequena família, composta pelo meu pai, duas tias, um tio e 9 primos.

Mas o que isso tem a ver com tecnologia?
Tudo isso só foi possível pelos recursos disponíveis (a todos) na internet, muitos deles consolidados apenas nos últimos três anos.

Quando despertei meu interesse pela pesquisa genealógico, a "social media" em voga era o (hoje falecido) Orkut. Lá surgiram as primeiras comunidades de debate sobre "cidadania" e de compartilhamento e colaboração sobre descendentes. O Orkut oportunizou reunir em um único espaço vários membros de uma mesma família ou de interesse. E era fantástico – pelo menos para a época – poder, literalmente, eliminar a barreira da distância e interagir, de maneira organizada, com diferentes pessoas.

Como sabemos, em paralelo e crescentemente, a internet se popularizou. Preço, acesso e outros fatores deram e dão conta da evolução. E, em meio a isso, uma então nova rede social decretava a morte do Orkut: o Facebook.

Abrindo um "parênteses" e colando uma opinião pessoal: eu adorava o Orkut. Achava a rede organizada. As comunidades eram divididas por tópicos e, dentro deles, por comentários. Era muito fácil encontrar as informações que procurava. O Facebook veio com o conceito da "timeline", destacando o "momento" e quase que desprezando o conteúdo do passado. Bom ou mal, o comportamento do usuário é um indicador e isso pode ser assunto para outro momento.

De fato, o Facebook é hoje a maior rede social do mundo, conectando 2 bilhões de usuários dos mais diversos países de todo o mundo, diferentemente do antigo Orkut.

E isso, por si só, é do ca***** (como não sabia se podia usar esta palavra aqui, resolvi completá-la com asteriscos). Conectar-nos com pessoas do outro lado do mundo, trocar informações, experiências e conhecimento. A questão que compartilho é que isso facilitou (e muito) a minha pesquisa e, talvez, possa te ajudar caso queiras saber, também, de onde, efetivamente, veio.

Por exemplo, em um grupo chamado "Offiziell - Deutsche Staatsangehörigkeit", que reúne membros interessados na busca pela cidadania alemã, troca-se, de maneira voluntária, informações sobre lugares e serviços na internet para a pesquisa.

Minha árvore genealógica no MyHeritage Foto: divulgação / Divulgação

Foi lá que eu descobri a "MyHeritage", uma plataforma de construção de árvore genealógica que reúne usuários de todos o mundo. Esta plataforma está conectada a outro grande projeto, chamado "FamilySearch". Esta é uma organização de pesquisa genealógica, considerada a maior organização voltada para esse tipo de pesquisa no mundo. Lá, podemos encontrar documentos históricos digitalizados de diferentes lugares e foi lá que consegui ter acesso à "Certidão de Embarque" do navio do meu avô, rumo ao Brasil.

Outros serviços merecem destaques neste sentido, com o Ancestry.comGeni.comWikiTree.com, exemplos que legitimam a ideia de que colaboração é palavra e comportamento do momento. E, vejam bem, não estou falando de moda. Estou falando de genialidade do coletivo. Aqui para história, mas os exemplos são e, devem, ser inesgotáveis se eu e você pensarmos nas possibilidades da participação.

Outros sites, também, ainda que mais específicos, reúnem informações sobre família e localidades, como os poloneses "genealodzy.pl" e Poznan Project.

No Brasil, através do Arquivo Nacional, já é possível consultar vários documentos históricos de forma online e gratuita. Foi pelo SIAN (Sistema de Informações do Arquivo Nacional) que consegui resgatar o registro de chegada do Navio Tucuman no Rio de Janeiro.

E o bom e "velho" (mas sempre atualizado) Google pode nos ajudar a achar estes e outros tantos serviços na internet que podem nos ajudar a resgatar fatos, documentos, histórias e, o mais importante: conectar pessoas e, por conseguinte, ideias, possibilidades e oportunidades.

Tanto é verdade que tive uma grande surpresa há duas semanas, que me oportunizou um dos momentos mais felizes dos últimos tempos envolvendo este hobby. No perfil da minha árvore genealógica no MyHeritage tinha deixado um pedido (quase que de socorro) de busca por mais informações sobre a família Pozeczek.

Já estava quase que dando como concluída a minha pesquisa, foi quando uma pessoa me contatou por e-mail. Era uma parente, me enviando, justamente, informações que eu tanto procurava. E muito mais do que isso: me comprovando que a minha família não se restringia apenas àqueles poucos membros que no início deste relatava.

Até o "velho" e-mail ainda é capaz de surpreender... o que esperar da tecnologia para os próximos anos? Eu me pergunto insistentemente isso. Mas eu sempre chego numa conclusão ou, talvez, bandeira: o progresso humano passa pela difusão da tecnologia. Ela me garante sorriso, encontro e reencontro.

Toda essa história e documentos, aliás, estarão em breve em um livro que lançarei no formato "ebook aberto e gratuito" no final deste ano. Em 2018, espero, ainda, continuar esse projeto com a gravação de um documentário na Alemanha e na Polônia, ao lado do meu primo, Fabrício Koltermann, cineasta local que, também com a vertente da colaboração, já disseminou cultura por aí.

Ao lado do meu primo Fabrício, na primeira reunião do projeto referente ao documentário da família Pozeczek Foto: divulgação / Divulgação

É da tecnologia, dessa colaboração, que podemos buscar, mas também fazer história, pessoal e universal. Encurtar o caminho entre paixões e apaixonados, penso, é a nossa saída. Tu só precisas encontrar seu tema, sua tribo, sua contribuição e colaborar.

Até a próxima.


 

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