Em sua estreia, colunista afirma: não fomos educados para ter crédito - Diário de Santa Maria

Coluna Finanças Pessoais27/04/2017 | 13h32Atualizada em 27/04/2017 | 13h32

Em sua estreia, colunista afirma: não fomos educados para ter crédito

Especialista em Direito do Consumidor, Vitor Hugo do Amaral Ferreira integra o time de colunistas de Finanças Pessoais do site

Ainda estou para saber se eu que persigo o direito do consumidor ou ele a mim. Já são 15 anos de dedicação ao tema. E desse encontro, quanto mais estudo, mais interessante ele me parece, outros e novos são os desafios que instigam esse fantástico encontro entre o consumo e suas particularidades.

Eis que surge aqui mais um espaço para trocarmos uma ideia sobre o consumo, suas potencialidades, perspectivas. Temos aí o comércio eletrônico, o consumo colaborativo, o endividamento, o consumismo, as publicidades abusivas (vou segurar por aqui) e tantas outras.

Aos que não me conhecem, aqui um apaixonado pelo direito, um entusiasta das novas tecnologias, um advogado curioso, um amante do direito do consumidor, um professor universitário. Um pouco, bem pouco, de mim. Sem esquecer, sou também o pai do Murilo (minha melhor missão, também a que mais me desafia).

Vamos nos conhecendo! Apresentações preliminares feitas, agradeço à jornalista Silvana Silva pela oportunidade. Leitores do Diário, mãos à obra, ou melhor, olhos ao texto!

(Super)endividamento do consumidor: apontamentos iniciais

Foto: pixabay / pixabay

A divisão da história econômica da humanidade contempla três grandes momentos: a era da troca imediata, a era da moeda e, na contemporaneidade, a era do crédito.

Uma acelerada mudança de comportamento tem alterado o perfil do consumidor brasileiro: compra-se automóveis em 80 parcelas, passagens aéreas em 48 prestações, imóveis em até 30 anos. Uma vantagem contraditória e cercada de armadilhas.

Em 2010, o Banco Central registrou fato histórico na economia brasileira, o valor em crédito concedido às pessoas físicas superou o empréstimo às pessoas jurídicas. Boa parte dos valores, destinados em empréstimos de ordem pessoal, no montante de 183 bilhões de reais.

Na sequência, 108 bilhões referentes a financiamentos de veículos, 107 bilhões para imóveis e 28 bilhões de reais em cartão de crédito. Este, seguimento de crescimento catastrófico, somente entre janeiro e junho de 2010, foram 7 milhões de novos cartões de crédito que passaram a circular no país.

Passados 7 anos, os números são assustadores: mais de 60% das famílias brasileiras estão endividadas. A anunciada felicidade (financiada) amarga os efeitos do pagamento de taxas mínimas a juros altos. Não fomos educados para ter crédito! 

O crédito aos consumidores vulgarizou-se. A ilusão do poder aquisitivo, posto pelo crédito, reflete no aumento do endividamento do consumidor. O alarde de que o Brasil foi o quinto maior mercado consumidor do mundo e que 5 trilhões de reais foram gastos a cada ano, encaminha-nos aos seguintes questionamentos: o que há por trás dos ciclos de consumo? Como o crédito está antecipando as decisões de compra? A resposta está em outra pergunta: a que preço se financia o consumo?

 

 

 


 

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