Por que a batata não é mais a aposta dos agricultores em Silveira Martins - Diário de Santa Maria

Agronegócio23/03/2017 | 10h30Atualizada em 23/03/2017 | 10h30

Por que a batata não é mais a aposta dos agricultores em Silveira Martins

Na década de 1990, cultura era a mais importante da cidade

Por que a batata não é mais a aposta dos agricultores em Silveira Martins Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM
Carolina Carvalho
Carolina Carvalho

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Há três gerações, o sustento da família de Valmor Dellamea, 55 anos, vem das terras de Silveira Martins. Quando os avós dele chegaram à cidade da Quarta Colônia, investiram na cultura mais promissora da região naquele momento e que tinha ligação direta com a imigração italiana: a plantação de batatas. De lá para cá, o produto garantiu a subsistência dos pais do agricultor, dele próprio e dos filhos, mas já não é suficiente para manter os que permanecem na cidade. 

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De acordo com o secretário de agricultura de Silveira, Silvio Paulo Gabbi, o auge da cultura de batata no município ocorreu na década de 1990. De lá para cá, a exigência do mercado e o êxodo rural resultaram na queda drástica da produção. Hoje em dia, cerca de 40 produtores ainda investem em batata em Silveira – na década de 1990, eram 400 as famílias que trabalhavam com a cultura. 

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– Silveira já foi reconhecida pelo plantio de batata porque o nosso solo e o nosso clima são favoráveis para a cultura. Mas decaiu muito. Antigamente, o serviço era feito por pequenos produtores, com tração animal. Era um trabalho mais braçal, e as famílias era muito mais numerosas. Mas o plantio foi mecanizado e, com máquinas para lavar a batata e o investimento de empresários, os pequenos produtores tiveram que investir em outras coisas também – explica Gabbi.

A família dele, assim como a de Dellamea, também se sustentou por muito tempo com o plantio de batatas. Hoje, ele mantém uma pequena propriedade na cidade e só planta soja. O grão virou a base de sustento de 90% dos produtores do município, que também cultivam milho. 

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– Meus avós e meus pais lidavam com batata, e a gente vivia só com o que ganhava com o plantio. Mas, hoje em dia, não tem mais como viver disso. Às vezes, em uma safra boa, a gente consegue um dinheiro. Mas um ano é bom, e dois são ruins. Fora que é um produto que não pode ser estocado muito tempo porque apodrece. No verão, a gente consegue guardar só por um mês. No inverno, ainda tem como segurar por três meses. Eu planto soja e, quando quero me incomodar um pouco, planto batata – brinca Dellamea, que tem 11 hectares plantados e vende o produto para mercados de Santa Maria e da região.

PRODUÇÃO REDUZIDA

O incômodo, ele explica, está no trabalho que o cultivo manual exige. Hoje, ele conta com a ajuda do filho, Jeferson, 23 anos, para a lida, mas só porque o jovem optou por isso. Pelo pai, ele teria seguido o mesmo caminho da irmã, Vanessa, que optou por cursar Fisioterapia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e se afastou do campo.

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– A vida depois que a pessoa se forma é mais tranquila. Eu sempre quis dar estudo para os meus filhos porque está cada vez mais difícil viver da agricultura – diz Dellamea.

Os incentivos ao produtor também já não são os mesmos que no passado.

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– Quando tem demanda, a prefeitura ajuda com os custos do frete das sementes usadas aqui, que vêm de Santa Catarina – explica Gabbi.

A batata produzida em Silveira Martins abastece cidades de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, mas o Estado também compra o produto de agricultores de Santa Catarina e de São Paulo. Apesar das dificuldades, há agricultores investindo na cultura também em Júlio de Castilhos, Tupanciretã e Santa Maria. O valor da venda, atualmente, está em torno de R$ 30 a saca de 50 quilos.

 

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