Justiça proíbe uso de agrotóxico em lavouras de arroz no Estado - Diário de Santa Maria

Agronegócio15/03/2017 | 10h09Atualizada em 15/03/2017 | 10h09

Justiça proíbe uso de agrotóxico em lavouras de arroz no Estado

O Mertin 400, que tem como componente ativo o Hidróxido de Fentina, foi criado para o controle de pragas em lavouras secas, de feijão e algodão

Justiça proíbe uso de agrotóxico em lavouras de arroz no Estado Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Carolina Carvalho
Carolina Carvalho

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Uma decisão do Tribunal de Justiça proibiu a utilização, em lavouras de arroz do Rio Grande do Sul, de uma alternativa encontrada por agricultores para acabar com os caramujos que impedem que a planta germinem em áreas irrigadas. 

O Mertin 400, que tem como componente ativo o Hidróxido de Fentina, foi criado para o controle de pragas em lavouras secas, de feijão e algodão, e é produzido pela empresa Syngenta. De acordo com a decisão do juiz Ramiro Oliveira Cardoso, divulgada na última sexta-feira, caso algum produtor seja flagrado usando o produto nas lavouras de arroz irrigado, estará sujeito a multa de R$ 1 milhão. 

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A determinação é resultado de um processo que começou em 2014, de acordo com Rafael Friedrich de Lima, fiscal estadual agropecuário e chefe da divisão de insumos e serviços agropecuários da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado (Seapa).

– Nossos fiscais identificaram o uso desse fungicida nas lavouras de cultivo pré-germinado para o combate do molusco. Esse produto não foi feito para isso. Nas observações do fabricante, há, inclusive, a informação de que o Mertin 400 é altamente tóxico para microcrustáceos e altamente persistente no meio ambiente. Ele é tão forte que mata o caramujo – explica Lima.

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Ainda de acordo com o fiscal, em 2015 e 2016, equipes da secretaria identificaram o uso da substância em lavouras de arroz em diversas regiões do Estado. –

 O que é importante, a partir de agora, é que sejam apresentadas alternativas para o produtor, porque esse produto faz muito mal à saúde – acrescenta Lima.

Segundo a assessoria do TJ, o uso indevido do Mertin 400 nas culturas irrigadas de arroz foi identificado em novembro de 2014, quando inspeções foram realizadas na região, e verificaram a prática por mais de 30 produtores em cidades como Agudo, Restinga Seca, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, São João do Polênise, Santa Maria e Paraíso do Sul.

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De acordo com Maurício Fischer, diretor técnico do Instituto Riograndense do Arro (Irga), há alternativas. Conforme ele, substâncias adequadas existem na Ásia e na Espanha e estão em fase de registro do Ministério da Agricultura, o que aumenta as chances de que estejam disponíveis no próximo plantio.

– O registro, no Brasil, de produtos que ajudem no combate dessas pragas é muito caro. E, enquanto não encontramos alternativas, há outros produtos que podem ser usados, como o Ferramol, que é orgânico. Também é possível usar telas, limpar drenos e canos. Porém, com as chuvas, o caramujo se movimenta muito e fica difícil combater – diz Fischer.

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Ainda de acordo com a decisão judicial, a Syngenta deverá recolher o Mertin 400 já comercializado em até 60 dias.

O QUE DIZ

Ontem, a empresa se manifestou sobre o assunto, a pedido do Diário. Confira a nota: ¿A Syngenta esclarece que o Mertin 400 é um fungicida registrado para o controle de doenças nas culturas de feijão e algodão, como consta expressamente na bula do produto. A empresa não se manifestará com relação à ação judicial, uma vez que ainda não foi formalmente notificada (...)¿. 

 
 

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