Há três anos fechada, usina da UFSM não tem previsão de reabrir - Diário de Santa Maria

Agronegócio03/03/2017 | 12h01Atualizada em 06/03/2017 | 12h52

Há três anos fechada, usina da UFSM não tem previsão de reabrir

Licitação foi feita, mas nenhuma empresa se interessou por assumir a unidade, que tem capacidade para beneficiar 10 mil litros de leite por dia

Há três anos fechada, usina da UFSM não tem previsão de reabrir Lucas Amorelli/New Co DSM
Usina precisa de reforma para poder voltar a funcionar. Mas não houve empresa interessada em assumir o local Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Inaugurada em 1975 como um laboratório de ensino e para reduzir custos na produção de criadores de gado de leite na região, a Usina Escola de Laticínios (Uni) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está desativada há três anos, no campus, em Camobi.

Praticamente abandonado, de acordo com servidores e alunos que circulam pelo local, o patrimônio na cifra dos milhões (o valor exato não foi confirmado à reportagem) é rodeado por matagal.

O prédio tem rachaduras e fissuras no reboco externo, os corredores acumulam pó e teias de aranhas, além de as câmaras frias e outros equipamentos, antes usados para o processamento ou beneficiamento do leite, estarem tomados por sujeira e mofo.

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Em junho de 2014, a Cooperterra, que tinha contrato com a UFSM para exploração da usina, antecipou a rescisão, que estava prevista para setembro daquele ano. De acordo com a reitoria da UFSM, chegou à instituição informação de que estava sendo processado leite adulterado na Uni. Para o Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF), leite fraudado: misturado com água, rejeitado pelas indústrias e/ou uso farinha para a produção de queijo.

Nas máquinas, ainda há os rolos de embalagens da marca Uni até hoje Foto: Lucas Amorelli / New Co DSM

Na época, o reitor Paulo Burmann determinou que a Cooperterra fizesse as adequações de acordo com os padrões de qualidade exigidos por lei. Burmann temia pela saúde dos consumidores e  também pela imagem da UFSM, já que o produto era vendido em embalagem com o nome da universidade, produzindo leite pasteurizado, bebidas lácteas, sorvete, queijo e doce de leite. Além da comercialização a partir do quiosque no campus, a Cooperterra mantinha convênio com o Estado e distribuía em 30 escolas da cidade e região.

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Após as adequações, a produção – que chegou a 8 mil litros processados diariamente – caiu para 2 mil litros. Isso teria motivado a cooperativa a desistir do contrato com a UFSM. Além dos consumidores, o fechamento prejudicou produtores e alunos da instituição,  cerca de 30, que atuavam no local.
Segundo um servidor que preferiu não se identificar, a empresa teria saído no apagar das luzes, deixando para trás maquinário, caixas para transporte de produtos e até mesmo produtos, como leite, queijo e sorvete. 

– Na época, na câmara fria, havia 500 litros de leite que tinham sido abandonados e, naquele momento, impróprios para consumo. O plástico já estava até inchado, indicando que leite estava estragado. Rolos para embalar o produto, já instalados em máquinas, também foram deixados para trás – disse o servidor.

Cooperterra
A Cooperterra não existe mais. O Diário conversou com antigos colaboradores, que preferiram não se manifestar. O presidente da cooperativa na época, Antônio Conceição, não atendeu às três ligações no seu celular e não retornou, apesar da mensagem deixada para ele até a publicação desta reportagem.

Mais tarde, Conceição entrou em contato com a redação do Diário e explicou que a decisão de a Cooperterra continuar explorando a usina cabia à universidade, já que o contrato existia mediante licitação (válido por cinco anos e prorrogável por mais um). Ele nega que tenha havido irregularidades, mas admite que o equipamento da antiga cooperativa foi deixado na usina. Ainda, diz que foi presidente em um período anterior ao do fim do contrato, por isso tem conhecimento do trâmite burocrático.

A coordenadora da Uni na época, Neila Richards, dedicou seu tempo às atividades entre 2006 e 2009, e depois, entre 2011 e 2014. Hoje, como a Uni está desativada, só um servidor fica no local. Neila relata que, com o fim do convênio, houve a necessidade de elaboração de um novo edital. O texto demorou a sair, pois tardou a vistoria de servidores da Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra), que definiu a necessidade de uma reforma ao custo de R$ 500 mil. Valor que teria de ser desembolsado por quem assumisse a Uni. O edital foi lançado em dezembro, mas nenhuma empresa se interessou, e a reforma teria sido o motivo da falta de concorrentes.

Com isso, conforme a UFSM, é discutida uma forma de dividir a conta entre a instituição, a futura empresa e a prefeitura. A professora Neila conta que a UFSM não tem condições de manter a Uni funcionando com produção própria, pois corresponde a apenas 250 litros por dia, enquanto a capacidade de produção chega a 10 mil litros por dia.

– Por conta do uso de maquinário, há desperdício de, em média, 100 litros. Com 250, quase a metade é desperdiçada, inviabilizando o uso. Também, claro, por conta dos custos para manter o maquinário – relata Neila.

Apoio da prefeitura
A prefeitura, por sua vez, trabalha para ver a viabilidade de assumir também a conta, já que se esforça para diminuir a informalidade (programa Pró-Leite), que existe principalmente por conta dos custos da cadeia do leite. A Uni seria uma alternativa para reduzi-los, e aumentar a formalidade, conforme determina Lei do Leite, em vigência desde o fim de 2016. A UFSM garante que, apesar do tempo em desuso, nenhum equipamento estragou.

 

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