Frutas e verduras vendidas nas feiras estão mais caras por causa do clima   - Diário de Santa Maria

Calorão + chuva07/03/2017 | 14h01Atualizada em 07/03/2017 | 14h01

Frutas e verduras vendidas nas feiras estão mais caras por causa do clima  

As chuvas e o calor intenso têm afetado a qualidade das verduras 

Frutas e verduras vendidas nas feiras estão mais caras por causa do clima   Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Folhosas, como alface e rúcula, são mais afetadas pelo clima, que intercala chuva, calor e mormaço Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM
Carolina Carvalho
Carolina Carvalho

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A variedade de frutas, verduras e legumes é enorme na feira que fica na Rua Professor Teixeira, em Santa Maria. Mas quando o assunto é o clima, a opinião parece ser uma só entre feirantes e consumidores: as chuvas combinadas com o calor intenso desse verão prejudicaram a produção e, consequentemente, elevaram os preços.

– Está tudo mais caro e mais feio. Paguei R$ 2 em um pé de alface. Há pouco tempo, não custava mais do que R$ 1. Esse clima é péssimo para a produção. Mesmo com o preço mais alto, eu prefiro a feira, porque a qualidade é maior. A gente paga um pouco mais, mas o produto tem menos veneno, menos agrotóxico – diz o representante comercial Edson Cassenote, 41 anos.

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EFEITO APODRECIMENTO
A explicação, de acordo com os três comerciantes que costumam ficar na quadra entre a Barão do Triunfo e a Conde de Porto Alegre e que vendem hortifruti, está nessa combinação que deixa qualquer pessoa desconfortável e qualquer planta prejudicada: o calorão com sol forte, seguido de uma pancada de chuva e do mormaço.

– Com essa chuva toda, fica um bafo, a terra esquenta muito e apodrece toda a planta por baixo. Neste ano, não consegui produzir nem a metade e a consequência disso é o preço, que aumentou. De cinco anos para cá, tem sido muito ruim – diz o produtor Claiton Busanello, 43 anos, 27 deles dedicados ao cultivo de hortifruti.

O irmão dele, Gilberto, 47 anos, que também é feirante na Professor Teixeira e, como o mais novo, produtor em Camobi, concorda com as dificuldades enfrentadas por quem é do setor e lamenta que o resultado entregue ao cliente não seja o que eles gostariam:

– Calor forte e chuva não combinam. Perdemos muita coisa. E isso acaba refletindo na mercadoria inferior que o pessoal está levando.

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Enquanto escolhia o que ia levar na manhã de ontem, o aposentado Alexandre Zinn, 59 anos, falava com propriedade sobre os produtos. O conhecimento foi adquirido ao longo das muitas vezes em que preferiu a feira ao supermercado:

– O calor e a chuva prejudicam muito as verduras de raiz, e, aí, o preço sobe. Está tudo muito caro. De dois anos para cá, eu gasto 100% a mais do que gastava para levar exatamente os mesmos produtos.

Para o feirante Ernande Bilibio, 40 anos, o clima desfavorável resulta em uma matemática que tem um resultado ruim para quem produz:

– O jeito é a gente trabalhar mais e ganhar menos, porque essa chuva com sol e calor estraga muito as plantas e a gente não tem como aumentar muito os preços. 

A reclamação de um encontra coro no outro. Para Nelson Bolson, 49 anos, que há 25 trabalha como feirante no local, como a verdura é muito sensível ao clima, a produção diminui, o preço sobe e as vendas caem:

– A venda diminui porque, com esse clima, a gente não consegue ter tanta qualidade. O freguês gosta do que é bonito, né?

O clima é propício para a proliferação de doenças, aumentando os prejuízos aos produtores Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

A EXPLICAÇÃO TÉCNICA

Alfredo Schons, assistente técnico regional da área de fruticultura e olericultura da Emater em Santa Maria, explica que o clima enfrentado pelos produtores nos últimos meses cria as condições ideais para a proliferação de doenças e, por isso, o prejuízo é maior:

– Essas alterações climáticas afetam todos os seres vivos. As plantas têm uma condição ideal de temperatura, umidade e sol para se desenvolver. Quando há uma alteração drástica desse cenário, a planta sofre. Com temperaturas altas e com umidade alta, cria-se um ambiente propício para uma incidência grande de fungos e bactérias, e as doenças acabam vencendo. 

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E acrescenta que o problema é agravado pela forma com que os produtos plantam:

– Aqui, ainda temos o costume de plantar as mudas a céu aberto, o que agrava o problema. O produtor precisa acompanhar o plantio rotineiramente, com mais cuidados e com insumos para a produção não sofrer tanto, sobretudo a de folhosas, como alface e rúcula.


 
 

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