Abigeato gera prejuízo médio mensal de R$ 10,5 mil a cada produtor da região - Diário de Santa Maria

Agronegócio01/03/2017 | 14h30Atualizada em 01/03/2017 | 14h30

Abigeato gera prejuízo médio mensal de R$ 10,5 mil a cada produtor da região

Estimativa foi feita pela Brigada Militar, Polícia Civil e associações rurais

Abigeato gera prejuízo médio mensal de R$ 10,5 mil a cada produtor da região Polícia Civil/Divulgação
Foto: Polícia Civil / Divulgação

Crime com o qual produtores rurais precisam lidar há anos, o abigeato (furto de animais para abate), na avaliação de associações e sindicatos rurais da Região Central, sempre foi difícil de mapear e combater. Entre os motivos, está o desânimo dos criadores, que, quando são vítimas, não veem chances de restituição e, por isso, não registram ocorrência policial. 

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Também justificaria esse sentimento a experiência de que chamar a polícia não dá resultado. O consenso é de que o crime precisa ser combatido. Dados da Polícia Civil, da Brigada Militar (BM) e de sindicatos e associais rurais levantados pelo Diário apontam que o prejuízo médio de cada produtor vítima de abigeato é de R$ 10,5 mil mensais.

Dona de uma propriedade rural às margens da BR-153, em Caçapava do Sul, Carolina Carissini relata que, recentemente, foi alvo de criminosos e perdeu 10 cabeças de gado, o que lhe causou prejuízo de R$ 20 mil. Ela não tem perspectiva da restituição dos animais, responsabilização dos criminosos ou de ser indenizada.

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– Já virou coisa normal. Todo o dia a gente vê donos de propriedades sendo alvo. Mas a gente só sente mesmo quando acontece conosco. Vejo nas notícias que alguns são presos e que logo são soltos. É certo que eles voltam a cometer os crimes. É uma comédia. O sentimento é de impotência – desabafa.

O sentimento de Carolina é compartilhado por Hélio Souza, produtor em Lavras do Sul. Ele diz que, nos últimos três anos, já teve 28 animais furtados de sua propriedade, entre bovinos e ovinos. O prejuízo já teria ultrapassado a casa dos R$ 40 mil.

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– Não tem o que fazer. Quando eu fui vítima pela primeira vez, fiz aquela promessa de que, se pegasse eles, resolveria a questão eu mesmo. Hoje, vejo que eu faria uma bobagem, pois eles estão bem equipados, agem com extrema precisão e são perigosos – relata.

Souza diz que tentou trazer os animais para mais próximo da casa que existe na propriedade, como forma de coibir futuros ataques, mas não isso não deu resultado, pois as ovelhas que ficavam distantes cerca de 200 metros da residência foram mortas e furtadas poucos dias depois.

– E ninguém ouviu barulho algum. Eles atacam no escuro, devem usar silenciadores, trabalham em equipe e agem muito rápido, sempre carregando a carne em veículos. É impressionante – diz o produtor. 

Ele também se mostra sem esperança de que a situação vá melhorar. Conta que percebe patrulhamento da Brigada Militar (BM) no interior, mas crê que seja necessário um trabalho voltado à inteligência, de forma a frustrar criminosos antes que os crimes aconteçam.

Foto: Arte Paulo Chagas

Souza acredita que a punição ¿precisa ser exemplar¿ para que voltar a cometer crimes não continue sendo uma opção.O registro tardio de uma ocorrência também é um problema, sendo que já houve casos em que vítimas fizeram o registro 15 dias após o crime. Agem como aliados da segurança pública os proprietários ou moradores das comunidades rurais que ajudam com informações.

Segundo Lucas Schvarcz, mestra em economia voltada ao agronegócio, o Estado deveria dar mais atenção a esse tipo de crime, pois também é um dos lesados. Ele explica que, até que a carne chegue ao consumidor, a cadeia produtiva é tributada em 38%. Isso quer dizer que, a cada 100 bois criados, 38 são do governo.

– Se um produtor tem 10 bois, e quatro são furtados, o governo deixa de ganhar. É um imposto que deixa de ser recolhido – diz Schvarcz.

Denúncias de roubo de gado podem ser feitas por meio do telefone 198, da Polícia Civil. 

 
 

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