Uso de pivôs para irrigação podem aumentar produtividade em até 30% - Diário de Santa Maria

Agronegócio24/02/2017 | 16h30Atualizada em 24/02/2017 | 16h30

Uso de pivôs para irrigação podem aumentar produtividade em até 30%

Agricultores da Região Central têm tido bons resultados com o sistema, que é usado para complementar irrigação de lavouras

Uso de pivôs para irrigação podem aumentar produtividade em até 30% Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Há quatro anos, o agricultor Flávio Ávila instalou pivôs de irrigação na sua propriedade rural de 300 hectares no município de Cacequi. A medida foi uma forma de prevenção contra uma possível quebra de safra por conta de secas. Ele plantava soja. De lá para cá, além garantir a safra, conseguiu, ano após ano, uma produtividade que variava de 20% a 30% a mais que a média no Estado.

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– A média em soja gira em torno de 60 sacas (3,6 mil quilos) por hectare. Com o equipamento, subia para entre 72 e 75 sacas por hectare. Com milho, variava de 128 sacas por hectare até 135 – relata Ávila, sinalizando que a média esperada para este ano é de 107 sacas por hectare conforme a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).

Em se tratando do milho irrigado por meio de pivôs, João Augusto Telles, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e presidente do Clube de Irrigação, relata que existem regiões do Estado, principalmente no Noroeste, onde a produtividade chega a quase 100% a mais do que com o manejo tradicional.

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– O complemento no fornecimento de água nas lavouras não deve ser encarado apenas como mecanismo para evitar quebra de safra, mas para alavancar a produtividade. Milho, por exemplo, tem potencial mais elástico de rendimento quando recebe boa distribuição de chuva e também é irrigado nos momentos mais sensíveis da cultura – explica Telles.

A região de Santa Maria, por exemplo, utiliza pouco o sistema de irrigação por pivôs principalmente por conta da regularidade de chuvas. Rodrigo Olmedo Ribas, presidente da Associação Rural, relata que é mais comum represar áreas de várzea e utilizar essa água para o cultivo, seja do milho como da soja, que são as culturas mais beneficiadas pelo sistema de pivôs, mas principalmente do arroz.

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– Não se vê necessidade de investir em um sistema assim, mas de fato, ouvindo outros produtores, a produtividade é muito boa com ele – afirma Ribas.

Um dos agricultores que sentiu diferença na produtividade com a aquisição de um pivô central, mas não tanta a ponto de investir mais, foi o agricultor Carlos Cauduro. Ele tem mil hectares de terra em São Vicente do Sul e o equipamento dá conta da irrigação de 50 deles.

– Só choveu, então o investimento não valeria tanto a pena, apesar do incremento na produtividade – diz Cauduro.

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E os dados coletados Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) na Região Central apontam que as safras vão bem mesmo sem o sistema. O milho, por exemplo, deve ter maior produtividade que no ano passado por conta das chuvas. O engenheiro agrônomo Francisco Palermo conta que a área plantada na safra anterior foi de 45.712,05, que deve crescer entre 6% e 10%, com produtividade de entre 7 a 12 toneladas por hectare. Já soja, a área plantada chega até 920.997. A estimativa inicial era de 900 mil.

– Com o sistema de pivôs essa produtividade poderia ser maior – acredita Telles.

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Conforme a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), o potencial do Estado, levando em consideração limitações ambientais e tecnológicas, seria de em torno de 480 mil hectares irrigados com o sistema. Isso representa 13% da área de milho cultivada por pivô central no Rio Grande do Sul.

Já o Clube da Irrigação diz existem mais de 220 mil hectares em terras altas irrigados no Estado, sendo cerca de dois terços com milho – coisa de 145 mil hectares.

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Telles diz que o avanço da irrigação ocorre mais pela incorporação de mais áreas por quem já usa os pivôs do que por novos agricultores que recorrem à ferramenta.

O professor de irrigação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Reimar Carlesso, a dificuldade em obter licenças ambientais para irrigação e a limitação no fornecimento de energia nas áreas rurais dificultam a adesão. Além disso, diz que o financiamento ficou mais difícil, ainda que a maioria dos agricultores invista com recursos próprios.

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Na avaliação dele, os problemas são a burocracia, o custo do investimento (principalmente para pequenos agricultores, que são maioria em Santa Maria, por exemplo) e o fato de haver áreas divididas (agricultores que tem parte das suas terras em um município e parte em outro).

 
 

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