UFSM cria transformador que reduz em até 20% o desperdício na distribuição de energia - Diário de Santa Maria

Inovação06/02/2017 | 10h03Atualizada em 06/02/2017 | 10h03

UFSM cria transformador que reduz em até 20% o desperdício na distribuição de energia

Pesquisadores conseguiram fazer mudanças na estrutura do equipamento que o deixaram mais eficiente

UFSM cria transformador que reduz em até 20% o desperdício na distribuição de energia Fernanda Ramos/especial
Os professores Rafael Beltrame (à direita) e Tiago Marchesan (à esquerda) explicam que nova tecnologia deve substituir totalmente a antiga nos  próximos anos Foto: Fernanda Ramos / especial

O Instituto de Redes Inteligentes (INRI) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) criou um transformador que reduz em até 20% o desperdício na distribuição de energia elétrica. Conforme o coordenador do Laboratório de Média Tensão, o engenheiro eletricista Rafael Beltrame, essa economia é possível devido a dois fatores: substituição do óleo mineral que preenche o transformador por óleo vegetal isolante e troca do núcleo de silício por um amorfo.

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O óleo tem como funções resfriar o transformador e isolar as bobinas, impedindo um curto-circuito. O óleo vegetal é menos prejudicial que o mineral, que pode levar até 30 anos para se decompor. O núcleo de silício é menos eficiente que o amorfo, já que, com ele, o desperdício de energia é maior.

Com essas trocas, foi possível construir um transformador 35% mais leve e com 26% menos aletas, que são as partes do equipamento por onde circula o óleo. Além disso, o equipamento é mais seguro, pois só entra em combustão ao atingir pelo menos 300°C, uma temperatura improvável de ser alcançada, segundo os pesquisadores.

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– Acredito que o que mais chamou a atenção foi a redução de 74,58% de perdas a vazio. Essa é a energia desperdiçada durante a noite, por exemplo, quando há menos demanda por energia, mas o equipamento continua funcionando, já que a rede de energia permanece sempre funcionando – explica o coordenador da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec), Tiago Bandeira Marchesan.

Apoio de empresas 

Foto: Fernanda Ramos / especial

Marchesan explica ainda que, caso a tecnologia fosse adotada pela concessionária de energia elétrica em Santa Maria, por exemplo, não seria necessário substituir todo o transformador, mas, sim, o núcleo, para que, assim, passasse a operar com o óleo vegetal.

– O revés da tecnologia seria o custo do óleo vegetal, que é 35% mais caro que o mineral. Mas isso é porque são poucos que fazem uso dele. Com o tempo, e frente aos benefícios que traz, o custo deve diminuir. No futuro, a tecnologia antiga deve ser substituída totalmente – diz Beltrame.

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Entre as empresas envolvidas no projeto estão a Mux Energia, da cidade gaúcha de Tapejara, e a Romagnole, de Mandaguari, no Paraná.

Laboratório recém-inaugurado é um dos seis do tipo no Brasil
O projeto entrou em desenvolvimento em 2012 dentro do programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica da UFSM. Houve um investimento de R$ 140 mil por parte da iniciativa privada nos primeiros dois anos e, de lá para cá, foram quase 20 mil horas de alunos e professores que se dedicaram ao projeto.

Por conta dessa e de outras iniciativas na área, o esforço das equipes foi recompensado. Há pouco mais de um mês, entrou em funcionamento o Laboratório de Média Tensão, um investimento de R$ 600 mil, que foi possível devido à parceria com a iniciativa privada. A partir de abril, deve receber um investimento de mais R$ 200 mil.

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O laboratório é um dos seis no país que pode ser utilizado para cruzamento de dados para saber se um transformador funciona dentro dos padrões exigidos por lei. Quando sai de fábrica, é obrigatório que seja feito o relatório de ensaio, onde constam informações que confirmam o padrão. De tempos em tempos, o equipamento passa por revisões, mas é necessário, de dois em dois anos, que esses dados sejam cruzados para verificar se está realmente tudo regular.

Uma das empresas que tem seus transformadores aferidos no laboratório é a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), que é parceira há mais de 10 anos da UFSM.

Segundo a empresa, o trabalho em conjunto se torna interessante porque o gasto para manter uma estrutura própria para pesquisa e desenvolvimento é muito maior. Além disso, optar por investir em uma universidade pública é positivo, pois se contribui com a formação dos alunos, que, com o envolvimento nos projetos, ganham experiência e qualificação.

 
 

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