Maior estudo de solos do país começa em março - Diário de Santa Maria

Agronegócio27/02/2017 | 11h01Atualizada em 27/02/2017 | 11h01

Maior estudo de solos do país começa em março

Em Santa Maria, um dos grandes desafios do agronegócio na cidade é a diversificação de cultura

Maior estudo de solos do país começa em março Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Pesquisadores da Embrapa Solos iniciam em março o projeto-piloto do Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos). A montagem do programa será feita em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e universidades brasileiras e deverá ser concluído em nove meses. O custo estimado nessa fase é de cerca de R$ 900 mil.

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Uma vez aprovado pelo governo federal, o PronaSolos passará à fase de execução, que pode levar entre 10 e 30 anos, estimou o chefe-geral da Embrapa Solos, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sediada no Rio de Janeiro, Daniel Vidal Perez. O programa vai mapear o território brasileiro e gerar dados com diferentes graus de detalhamento para subsidiar políticas públicas, entre outras aplicações.

Perez explicou que a maioria dos trabalhos de reconhecimento dos solos brasileiros foi feita nas décadas de 1970 e 1980, mas a representatividade do conhecimento do solo por área é muito baixa:

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– Nos números atuais, aproximadamente, é como se eu tivesse conhecimento do solo a cada 150 mil hectares, o que, para uma necessidade estadual ou mesmo municipal, é inviável. 

Objetivo
O PronaSolos será um estudo completo do tipo de solo em profundidade, informação necessária para, por exemplo, incentivar projetos de irrigação ou calcular o estoque de carbono para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, por meio da manutenção ou do sequestro desse carbono em solo.

– Mas, para isso, é preciso conhecer o solo em profundidade e em detalhe. E essa informação, infelizmente, nós não temos – diz Perez.

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Alguns estados das regiões Sul e Sudeste têm informação melhor, mas, no resto do país os dados são reduzidos, disse o chefe-geral da Embrapa Solos.

Perez advertiu que, se não forem tomados agora os cuidados necessários com o solo do país, ¿daqui a 50 ou 100 anos a gente vai estar pagando o preço da ignorância¿. O representante da Embrapa lembrou que o solo é um dos componentes da produção e, em termos ambientais, é, talvez, o mais importante.

Diante das projeções de crescimento populacional nos próximos anos, Perez destacou que a agricultura do Brasil é uma das que apresentam melhores possibilidades de resposta. O PronaSolos vai fornecer dados para que o país obtenha ganhos de produtividade. A execução do projeto demandará investimentos públicos e privados que poderão alcançar R$ 1 bilhão, para um trabalho básico a ser feito no prazo de 30 anos, ou R$ 3 bilhões para um trabalho que poderá ser feito em 10 anos.

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O PronaSolos deverá gerar ganhos para o Brasil de R$ 40 bilhões, em uma década. Uma vez aprovada sua estrutura, a execução do programa será imediata. O chefe-geral da Embrapa Solos destacou que o desconhecimento dos tipos de solo provoca ineficiência da produção e da produtividade, problemas ambientais, como assoreamento de rios. Já o conhecimento do solo vai aumentar a competitividade do agronegócio nacional, criando até modelos de produção. Mas, para isso, é preciso ter dados que ainda não existem, acrescentou.

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Olhar local
Em Santa Maria, um dos grandes desafios do agronegócio na cidade é a diversificação de cultura, gerando mais renda, para estancar o êxodo rural, já que pouco mais de 4% dos moradores vivem na área rural, dividida entre 3,7 mil propriedades. As principais produções da cidade são cultivo de soja, arroz irrigado e bovinocultura de corte e leiteira. Os caminhos para mudar essa realidade foram apontados por um levantamento inédito concluído no ano passado. O estudo edáfico de Santa Maria, realizado pela Embrapa Clima Temperado, mostra que o município tem aptidão, principalmente, para 16 culturas.

O desafio é fazer chegar essas informações aos produtores e começar a mudança de cultura no meio rural.

 
 

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