Ex-prefeito deixa cargo e dívida de quase R$ 10 milhões - Diário de Santa Maria

São Francisco de Assis 17/02/2017 | 15h01Atualizada em 17/02/2017 | 15h01

Ex-prefeito deixa cargo e dívida de quase R$ 10 milhões

Valor é equivalente a quase 15% do orçamento anual do município. Ele diz que parte do montante é de administrações anteriores a sua

Ex-prefeito deixa cargo e dívida de quase R$ 10 milhões Prefeitura de São Francisco de Assis/Divulgação
Novo governo encontrou parte do patrimônio municipal com problemas Foto: Prefeitura de São Francisco de Assis / Divulgação

A dívida deixada pelo ex-prefeito de São Francisco de Assis Horário Benjamim da Silva Brasil (PP) ao passar o cargo equivale a quase 15% do orçamento do Executivo previsto para 2017: R$ 9,294 milhões. O novo prefeito, Rubemar Paulinho Salbego (PDT), tem cerca de R$ 65 milhões para administrar até 31 de dezembro.

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De acordo com o pedetista, a dívida tem dificultado a contratação de serviços junto a fornecedores, principalmente relativos às áreas de saúde e infraestrutura viária.

– Há diversas estradas, principalmente no interior, que precisam de conserto por conta da aproximação do período de colheita das safras. São quase 3 mil quilômetros e estão em péssimas condições – relata Salbego.

Ele afirma que a dívida tem sido um contratempo, pois os prestadores de serviços e fornecedores de material querem ser pagos antes, sem a possibilidade de negociar o pagamento para depois, como geralmente é feito.

Conforme dados obtidos via Portal da Transparência, a dívida vem subindo desde 2014. Naquele ano, era de R$ 4,1 milhões. Em 2015, subiu para R$ 6,8 milhões, alcançando quase R$ 10 milhões em 2016.

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A prefeitura também abriu sindicâncias para apurar o desaparecimento de um caminhão que fazia parte do parque de máquinas e como que quatro das cinco patrolas estragaram. Além disso, parte dos veículos da Secretaria Municipal de Saúde também apresentava defeitos.

– É lamentável que a população sofra com a falta do auxílio no transporte de doentes para consultas médicas, sendo que há pessoas que semanalmente precisam viajar para outras cidades, como Santa Maria – conta o atual prefeito.

Entre as medidas para economizar postas em prática até agora pelo novo governo estão o corte de 25% do quadro de Cargos em Comissão (CCs), de duas secretarias e restrição no uso de diárias. Além da recuperação dos veículos da Secretaria de Saúde, é priorizada a recuperação do parque de máquinas.

Ex-prefeito Horácio Brasil diz que da sua administração seriam R$ 2 milhões e que a oposição não fala das ações positivas Foto: Reprodução / Reprodução

As justificativas

O ex-prefeito Brasil admite a dívida, mas justifica dizendo que parte dela, cerca de R$ 4 milhões, é "fundada", ou seja, baseada em contratos de empréstimo ou financiamentos com agências governamentais ou credores privados, e que foi herdada de governos anteriores ao seu. Relata ainda que houve dificuldade em dialogar com a Câmara de Vereadores, que não permitiu o parcelamento da dívida do AssisPrev, fundo de previdência dos servidores públicos municipais de São Francisco de Assis.

– O que fizeram comigo foi uma sacanagem. Não permitiram o parcelamento, o que era feito todos os anos. E a maior parte da dívida é herdada. Tirando essas duas situações, de fato, a dívida seria de cerca de R$ 2 milhões. E a oposição, claro, não fala sobre as coisas positivas que foram feitas nos últimos quatro anos, como a manutenção de estradas, aquisição de equipamentos, quitação de contas antigas e as ajudas ao hospital – diz Brasil.

De fato, mensalmente a prefeitura repassava quase R$ 150 mil ao hospital como forma de auxílio, já que o Estado, em dívida com ele, estava com repasses atrasados do Sistema Único de Saúde (SUS) há meses. Encerrou também a dívida que existia com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), além de adquirir veículos para a prefeitura.

– Houve diversos temporais, como o de outubro de 2016 e 2015, onde várias estradas foram danificadas e o Estado não repassava valores. Tivemos que fazer com recursos próprios – afirma.

Quanto aos veículos em más condições, o ex-prefeito disse que há casos em que precisavam passar por consertos, mas não havia recursos para isso.

 
 

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