"Um currículo gigantesco" - Diário de Santa Maria

Entrevista com Jorge Pozzobom02/01/2017 | 09h04Atualizada em 02/01/2017 | 09h04

"Um currículo gigantesco"

Pozzobom fala que sua experiência política o fez vencer o pleito do ano passado contra o adversário Valdeci Oliveira (PT) 

"Um currículo gigantesco" Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Diário – O momento político é muito bom para a família Pozzobom. O senhor colocou o Admar na política, vocês dois têm perfis diferentes. Como será a relação com o Legislativo, e a garantia de acordo para reduzir o repasse ao Legislativo de 6% para 5% do Orçamento? O senhor está tranquilo quanto a maioria conquistada na Câmara, já que tem o apoio de 15 dos 21 vereadores.

Pozzobom – O momento positivo da família Pozzobom é preciso separar. O momento positivo e feliz é dos meus pais. Porque o meu irmão se submeteu às urnas assim como eu. Não existe isso de dizer que um está no controle da prefeitura e outro do Legislativo. Não é um presidencialismo, nenhum prefeito ou presidente da Câmara decidem sozinhos, existe um colegiado por trás. E sobre essa questão orçamentária, eu já procurei o vereador Fort (que presidiu a Casa em 2016) para tratar do tema. E vou estar conversando com todos os vereadores e não só com o Admar, que é meu irmão. Não haverá qualquer interferência minha, se há alguém que respeita a independência dos poderes esse alguém sou eu. Nenhum dos vereadores que está apoiando o meu governo estará votando a cabresto ou vai ser capacho do governo. Ninguém vai votar por imposição ou porque o governo mandou. Nenhum projeto mais complexo será enviado à Câmara sem um diálogo prévio, não haverá atropelo. 

19 desafios aguardam por Pozzobom a partir de 2017

Diário – Sobre o seu secretariado, a avaliação, de uma forma geral, é que o senhor pontuou ao trazer nomes da iniciativa privada e de setores-chave da sociedade. Contudo, as críticas vão quanto a escolha do nome da vereadora Sandra Rebelato, do PP, que assumirá a pasta da Mobilidade Urbana mesmo sem qualquer experiência. O que o senhor diz sobre isso?

Pozzobom – Primeiro, basta lembrar da cobertura que o Grupo RBS fazia, diariamente, do Marcelo Bisogno (ex-vereador do PDT e que foi secretário de Mobilidade Urbana). Ele não é engenheiro nem advogado, né? A Sandra Rebelato é advogada, e temos um Plano de Mobilidade Urbana que precisa ser executado. Ela merece nossa integral e total confiança. Foi delegada a ela uma missão. E veja bem, eu também não sou médico e, mesmo assim, assumi a Secretaria de Saúde. Eu sou um agente político. Essa crítica me parece a crítica pela crítica, sabe. Eu mesmo, diziam que eu não me elegeria vereador, deputado e prefeito, e que eu perderia para o Valdeci (Oliveira, do PT). E, aqui estou, me elegi prefeito com um currículo gigantesco. E o Valdeci, quando se elegeu pela primeira vez, só tinha currículo político. O mesmo podem dizer do Guilherme (Cortez, que será chefe da Casa Civil e secretário de Gestão) é um guri, com apenas 24 anos. Ele está acumulando tarefas importantes e está imbuído dos desafios dele. Todos secretários terão um contrato de resultado e terão que mostrar onde economizarão em três meses e terão de se integrar plenamente com as demais pastas. 

Diário – O senhor é conhecido pelo temperamento forte, já teve embates ácidos na Assembleia (na época do governo Tarso), já teve desafetos com antigos aliados (Schirmer) e recentemente teve estranheza no pleito municipal (com Valdeci Oliveira). No próprio pleito envolveu-ser no polêmico caso do "super bonder". Diante desse contexto, opositores apostam que o senhor terá brigado com todo ou parte do secretariado em meio ano. O sr. vai redobrar o cuidado com as palavras, que tipo de conduta pretende ter como prefeito?

Pozzobom – Eu fico impressionado porque o PT pode grudar qualquer coisa em mim, mas corrupção não cola em mim. Essa história do super bonder todo mundo sabe o que aconteceu. O próprio candidato do PT, o Valdeci Oliveira, passou o tempo todo dizendo que eu estava muito calmo e me perguntava "o que está acontecendo que tu anda muito calmo?". Todo mundo dizia que eu estava muito calmo. Bom, quando eu propus renovar é eu mudar. A questão não é o temperamento. Mas, sim, ter posição clara e definida. E isso eu tenho e não abro mão disso. Eu sempre falei que não seria um partido que comandaria Santa Maria. O PT, sim, faria o governo com um partido. Já que o PT criaria secretarias e ainda traria toda aquela gente que ficou sem emprego. Meu governo terá muita disciplina e trabalhará conjuntamente. Aqueles que hoje se preocupam com o meu temperamento são aqueles mesmos que, dias antes da eleição, estavam comemorando vitória. E, no domingo, as urnas deram o recado: a responsabilidade venceu a irresponsabilidade. Venceu o respeito ao dinheiro público. 

Diário – O 2017 deve impor uma restrição financeira ainda maior aos gestores públicos, principalmente nos municípios. No ano passado, a prefeitura cancelou o Carnaval já prevendo que havia demandas prioritárias. Para este ano, o senhor também vai cancelar o Carnaval?

Pozzobom – Nós assumimos um compromisso, ainda na campanha, que o Carnaval estaria mantido só que com uma única diferença: não haverá um centavo de dinheiro público. O Carnaval que ocorrerá em 2017, evidentemente, será bem mais enxuto. Vamos montar um grupo para discutir com as escolas essa questão, mas não haverá um centavo de dinheiro público. Será exclusivamente com dinheiro privado. Ora, se eu estou propondo austeridade, rigor financeiro e compromisso com a saúde, como vou colocar dinheiro público no Carnaval? 

Diário – Todo começo de ano, uma demanda recai no colo do prefeito: a revisão da tarifa do transporte público. O senhor já pensou nisso? 

Pozzobom – É prematuro se falar nisso agora. Temos o Conselho Municipal dos Transportes que será respeitado. E há toda uma avaliação, há a questão tarifária e um regramento de lei que precisarão ser observados e seguidos. Qualquer posição, que venha a ser tomada, não vai ser definida pelo prefeito. Caberá ao Gabinete de Governança decidir.


 
 

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