Pozzobom em dose dupla na política de Santa Maria  - Diário de Santa Maria

Executivo e Legislativo02/01/2017 | 08h03Atualizada em 02/01/2017 | 08h03

Pozzobom em dose dupla na política de Santa Maria 

Jorge Pozzobom (PSDB) assumiu como prefeito da cidade, e o irmão Admar, que é vereador, é o presidente do Legislativo em 2017 

Pozzobom em dose dupla na política de Santa Maria  Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Durante a campanha eleitoral, o jingle do então candidato Jorge Pozzobom (PSDB) ficou marcado pelo refrão "Pozzobom, Pozzobom, Pozzobom e Cechin". Na tarde de domingo, depois da posse de Jorge na prefeitura, outra eleição, confirmou o que o jingle antecipava: Santa Maria será comandada não por um, mas por dois Pozzobom. Ao final da eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores, o nome de Admar, irmão de Jorge, foi confirmado como presidente do Legislativo. Em 2017, pelo menos, as duas principais casas da política local, o Executivo e o Legislativo, terão à frente a família Pozzobom. 

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O momento político é, sem dúvida, único. Jorge, emplacou um inédito mandato de prefeito, já o outro, o Admar, assegurou o terceiro mandato como vereador e levou a presidência do Legislativo. A posse oficial do prefeito e do vereador e presidente da Câmara ocorreu no domingo. 

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Jorge começa mais um ciclo de sua meteórica carreira política. Em mais de 15 anos de vida pública, o tucano contabiliza uma passagem pela Câmara de Vereadores, o exercício do cargo de secretário nos governos Yeda Crusius (PSDB) e Cezar Schirmer (PMDB) e, mais recentemente, dois mandatos como deputado estadual. 

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Formado em Direito pela UFSM, também atua como advogado e realizará o sonho de ser prefeito da cidade. O irmão, Admar, que não tem formação superior e é microempresário, "herdou" do Jorge o mesmo número. Ingressando no terceiro mandato de vereador, Admar fez do sobrenome Pozzobom o caminho para pavimentar sua ida para o Legislativo.

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As semelhanças entre os dois ficam no sobrenome, número de campanha e partido. Já a personalidade e o jeito de fazer política são diferentes. O Jorge é inquieto e elétrico. Tem dificuldade em esperar e quer que as coisas aconteçam "para ontem". Admar, por sua vez, é mais reservado e extremamente pragmático, ainda que tenha um jeito mais "bonachão" e "largado", brincam os mais próximos dele. 

Independentes

Pozzobom, o prefeito, diz que os poderes Executivo e Legislativo são independentes e harmônicos. O mesmo discurso é adotado por Admar. Porém, já na largada dos mandatos, eles terão de tratar de uma pauta em comum: o Executivo repassa anualmente 6% do orçamento municipal para a Câmara. Para 2017, Pozzobom quer diminuir o repasse para 5%. A redução de um ponto percentual, na prática, significa algo entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões. 

O domínio da política local

O momento único dos Pozzobom, na prefeitura e na Câmara, evidencia um alinhamento e um capital político expressivo do clã Pozzobom em Santa Maria. A avaliação é do cientista político e professor de Teoria Social da Unipampa, Guilherme Howes. 

Para ele, a situação, por mais que chame a atenção, não deve ser encarada com espanto ou com desconfiança.

– Não vejo que possa haver algum tipo de margem para interferência de ambos os lados. Até porque o Jorge é advogado e um legalista, conhecedor das leis. Agora, obviamente, que eles deverão dialogar no privado e trocar informações sobre as casas e as demandas dos dois lados, até mesmo em função da relação de parentesco e do alinhamento partidário deles. 

Por mais que se diga que Admar entrou no Legislativo pelas mãos do irmão, o cientista político entende que Admar está se cacifando e se descolando do irmão:

– O Admar entrou na política, sem dúvida, pelas mãos do Jorge Pozzobom e pelo capital político expressivo e pelo prestígio que ele tem. Mas no teste das urnas, Admar já se elegeu por outras duas vezes, o que mostra que ele tem seu próprio capital e valor próprio. Ou seja, o Admar já tem musculatura própria e prova disso é que ele foi muito bem votado nessa eleição.

Tendência e surpresa

Howes acredita que o secretariado de Pozzobom, em primeiro lugar, mostra uma tendência do PSDB: o de contemplar setores que não tenham ligação com movimentos sociais ou trabalhistas. Por outro lado, os nomes apresentam qualificação e, até mesmo, expertise na área. Mesmo que as críticas tenham se dado em relação à nomeação de Sandra Rebelato, ex-vereadora pelo PP, para a Mobilidade Urbana, Howes acredita que ela pode surpreender positivamente. 


 

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