Carnaval de rua de Santa Maria corre risco de ser adiado pelo segundo ano consecutivo  - Diário de Santa Maria

Folia em compasso de espera10/01/2017 | 20h31Atualizada em 10/01/2017 | 20h31

Carnaval de rua de Santa Maria corre risco de ser adiado pelo segundo ano consecutivo 

Prefeitura adianta que não colocará recursos públicos para a realização da festividade. Alternativa seria buscar parceria com a iniciativa privada 

Carnaval de rua de Santa Maria corre risco de ser adiado pelo segundo ano consecutivo  Gabriel Haesbaert/especial
Foto: Gabriel Haesbaert / especial

A crise nos municípios, que se fez presente em todo o ano passado, deve seguir no horizonte dos gestores públicos do Estado e do país em todo o 2017. A redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS cancelou o Carnaval em mais de 90 cidades gaúchas, conforme a Federação das Associações de Municípios (Famurs), somente no ano passado. No maior município da Região Central, a folia corre o risco de não sair pelo segundo ano consecutivo. 

Em 2016, o então prefeito Cezar Schirmer (PMDB) cancelou a festividade justificando o risco de comprometer áreas essenciais, como saúde, educação e folha salarial dos servidores. Agora, na largada do seu governo, o prefeito eleito de Santa Maria, Jorge Pozzobom (PSDB), tem dito que a festa até pode sair, mas sem recurso público.

– O Carnaval até sai, mas sem dinheiro público. Se estou falando em austeridade e em priorizar a saúde, seria contraditório – tem repetido o tucano.

Carnaval de Rua de Santa Maria pode ser cancelado

O primeiro encontro

A pauta será colocada, no próximo dia 18, em debate. Na mesma mesa estarão representantes do Executivo municipal – Marta Zanela (Cultura, Esportes e Lazer) e Guilherme Cortez (Casa Civil e Gestão e Modernização) – e Leonardo Ribeiro, que preside a Associação Aliança pelo Samba, entidade que congrega as nove escolas de samba da cidade. 

Para este ano, a Associação Aliança pelo Samba estima que sejam necessários cerca de R$ 700 mil – entre repasse às escolas de samba (um média de R$ 30 mil a R$ 40 mil por entidade) e infraestrutura – para viabilizar a festividade. A efeito de comparação, em 2016, o Executivo, ao vetar o Carnaval, alega que economizou R$ 1 milhão.

Leonardo Ribeiro, que representa as escolas de samba, entende que o momento econômico e financeiro é delicado. Mas espera que haja disposição de diálogo e de entendimento com a gestão tucana:

– Queremos saber como será este ano e o que, de fato, será feito. Ninguém está negando o contexto da crise, mas será mesmo que a solução para os problemas do município está em penalizar somente a realização do Carnaval? – questiona.

Pozzobom estuda retirar recursos de grandes eventos para garantir mais verba à saúde em Santa Maria

Modelos

A prefeitura sabe que o tema é significativo para uma boa parcela dos agentes culturais que fazem e levam a maior festa popular para aqueles que, em tese, não têm condições de ir a um clube privado.

– Sabemos que o Carnaval é representativo. Podemos estudar modelos que sejam viáveis, mas que não onerem o município – pondera Marta Zanela.

Pozzobom afirma que um caminho é o de buscar parcerias com a iniciativa privada, e a prefeitura entrando com a estrutura. O carnaval de rua de Santa Maria está previsto para os dias 29 de março e 1º e 2 de abril. 

Desafio

A condução do cancelamento do carnaval de rua de Santa Maria, em 2016, pela gestão Schirmer (PMDB) causou mal-estar junto às escolas de samba. Mas o novo governo já se vê frente a um desafio: como não seguir o mesmo receituário? O governo Pozzobom deu a missão à pasta da Cultura de buscar exemplos que sejam viáveis à realidade econômico-financeira de Santa Maria. Ou seja, conciliar o interesse público – de não colocar dinheiro público em uma área que a gestão não considera essencial –, mas também a de não virar as costas aos agentes culturais do samba.

– É um desafio que se coloca frente a todos nós, mas com bom senso e entendimento é possível construirmos um encaminhamento – afirma Marta Zanela.

Calendário

Mas a busca por um entendimento precisa observar ao calendário. Leonardo Ribeiro destaca que, no ano passado, as escolas deram a largada à produção de roupas e a confecção de alegorias, mas ajuda da prefeitura acabou não vindo. O resultado foi o endividamento ao longo de todo o 2016.

– Tem escola de samba que ainda opera no vermelho. Não se faz um Carnaval da noite para o dia. É preciso organização e planejamento. Se a prefeitura não puder nos ajudar, que, ao menos, ela se some e vá conosco até a iniciativa privada atrás de um aporte – relata Ribeiro.


 
 

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