A receita dos lojistas para vender bem mesmo em época de crise - Diário de Santa Maria

Santa Maria24/01/2017 | 07h35Atualizada em 24/01/2017 | 10h46

A receita dos lojistas para vender bem mesmo em época de crise

Comerciantes apostam em qualificação no atendimento e em novas formas de interação com clientes, até com ofertas feitas pelas redes sociais

A receita dos lojistas para vender bem mesmo em época de crise Maiara Bersch/Agencia RBS
Na Eny Feminina, há uma funcionária para cuidar só das redes sociais. Além de conversar com clientes, ela envia fotos de produtos para divulgar e aumentar as vendas Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Que a crise chegou para todos, não é novidade. Em Santa Maria, um dos principais setores a sentir o reflexo foi o comércio, que representa, junto com o setor de serviços, 84,36% do PIB. Para o setor, desde 2015 houve quedas nas vendas, redução no quadro funcional e adaptação. Quem conseguiu se manter aberto e empregando funcionários teve de modificar hábitos, repensar a forma de vender e achar meios para investir no seu negócio (leia mais na página 9).

Entre quinta e sexta-feira passadas, o Diário visitou lojistas de diferentes segmentos, que apontaram as principais mudanças feitas nos últimos meses para conseguir encarar a crise e aumentar as vendas. Ao todo, foram consultadas 20 lojas, sendo 13 do Centro (das ruas Bozano, Acampamento e do Calçadão) e sete do Royal Plaza Shopping. E, segundo eles, as lojas hoje estão mais focadas nos clientes: as principais mudanças estão centralizadas em melhor atender ao consumidor.

De olho nas redes sociais

De acordo com os lojistas consultados, prestar um bom atendimento hoje é essencial para que o cliente tenha vontade de voltar para a loja. Mais do que oferecer um produto, é preciso estar atento ao que o consumidor deseja, além de ser preciso proporcionar mais atenção e atender cada consumidor de modo específico.

– Produto em loja todo mundo tem. Mas a qualidade do atendimento é o diferencial. Aqui, procuro cativar cada vez mais o cliente, chamo pelo apelido, trato com carinho, porque é isso, mais que preço e promoção, que fideliza o cliente – diz a gerente da Sibrama do Calçadão, Maria Leitemperguer.

Das lojas consultadas, 11 destacaram estarem mudando a posição com o cliente e buscando aproximar-se cada vez mais do consumidor. Entre as táticas, está o investimento nas redes sociais, em especial no Facebook e no WhatsApp, usada por cinco lojas visitadas. É o que tem feito a Eny Feminina. Conforme a gerente Marta Bressan, desde que a loja passou a entrar em contato com os clientes via redes sociais, aumentou o retorno das vendas.

– Nós investimos muito no relacionamento, temos uma pessoa dedicada a isso. Temos linha direta no Facebook e fizemos contato o dia todo com os clientes. Na página, colocamos fotos dos modelos e lançamentos. No Whats, enviamos mensagem para quem quer receber produtos e, muitas vezes, reservamos por ali. É porque entendemos que o cliente hoje é totalmente informatizado e que ele queria isso – ressalta Marta.

A tática da venda também é usada pela Bellart do Royal Plaza. Segundo a funcionária Patrícia Pettermann, de 30% a 40% das vendas do mês hoje são feitas por meio do aplicativo de troca de mensagens:

– Muitas vezes é o cliente que nos chama pedindo o produto e eles já vêm para cá com a venda fechada, só para pagar e retirar o produto. É uma tecnologia nova, que nos mantêm próximos aos clientes e que deu muito certo.

Promoções até mesmo na metade do mês

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Além de um melhor relacionamento com o cliente, há outros fatores que contribuem para que as lojas se mantenham ativas em períodos de crise. Entre eles está o aperfeiçoamento dos funcionários, os preços atrativos e as promoções.No caso do aperfeiçoamento dos funcionários, a qualificação é feita através de treinamentos, o que é importante para que os vendedores tenham conhecimento dos produtos. Isso faz com que os clientes se sintam seguros com relação à compra.

– Hoje, estamos focando bastante em treinamentos de atendimentos, para que o consumidor não seja espantado pelo funcionário. O cliente precisa ser recebido com um sorriso, com alguém que explique o produto, que mostre atenção – diz o gerente da loja Multisom do Royal, Benhur Monteiro.

O instrutor de vendas da loja Obino da Acampamento, Reinaldo Deiques, complementa.

– O cliente na loja hoje é um acontecimento, por isso, precisamos ser especialistas no que oferecemos. Detalhamos nossas atividades diariamente, acompanhamos a intenção de compra dos clientes. E o que a gente bate muito é em saber perguntar e descobrir aquilo que o cliente quer. Não podemos só atender, temos de entender o cliente – diz. 

Muitas pessoas são atraídas por lojas que oferecem preços mais em conta e condições de pagamento. Por isso, muitos estabelecimentos apostam em pagamento sem juro, crediário e preços diferenciados, além de fazerem promoções quase todos os meses, e não só em datas especiais.

– Focamos em promoções de até 40%, no meio do mês, quando as vendas ficam mais baixas – diz a subgerente da Macedo Brinquedos, Francielle Sodré.Algumas lojas destacaram a necessidade de vitrines bem planejadas, investimentos em mídia e pós-venda.

Qualificação dos vendedores e fidelização dos clientes

As estratégias adotadas pelos lojistas são vistas de maneira positiva pelo economista e professor Alexandre Reis. Mas ele acredita que essas adaptações ainda deverão ser intensificadas. Reis destaca a importância de, mais do que vender um produto, oferecer um serviço. Nesse sentido, ele enfatiza a necessidade de oferecer serviços pós-venda e investir mais em tecnologia.

– A recessão fez com que o setor do comércio tivesse que se adaptar, tivemos muitas lojas fechadas. E quem hoje está operando consegue isso porque tem um ¿colchão¿ muito bom, ou porque se adaptou e fez mudanças. O comércio é o setor mais sensível, porque ele só vende, não produz, então, precisa estar aberto a novas informações e a investimentos. Hoje é muito importante oferecer cada vez mais um serviço de pós-venda eficiente. É dar qualidade, garantias, efetuar as trocas, entregar no dia combinado, mandar uma mensagem para perguntar se o cliente está gostando do produto – explica o economista.

Reis diz que, com a internet, a concorrência ao comércio está mais acirrada. Por isso, há a necessidade de se agregar compensações às compras dos clientes no comércio de rua ou dos shoppings para fidelizar o cliente:

– O grande segredo desse novo milênio é saber vender serviço e fidelizar.

CDL investe em cursos

A presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Maria (CDL), Marli Rigo, destaca que, hoje, o bom atendimento é crucial para qualquer negócio. A entidade oferece cursos de aperfeiçoamento, negociação com o cliente e atendimento, para voltar a movimentar o comércio.

– Hoje o cliente não prioriza só preço baixo. Ele quer um bom atendimento. Ele quer chegar no local e sair satisfeito em todos os sentidos. E é essa cultura do bom relacionamento e do bom atendimento que estamos tentando semear na cidade. Queremos que Santa Maria cresça como polo regional de compras – diz Marli.

 

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