"Foi um bombardeio de discursos raivosos e de ódio contra o PT", diz Valdeci Oliveira - Diário de Santa Maria

Entrevista05/11/2016 | 14h03Atualizada em 05/11/2016 | 14h05

"Foi um bombardeio de discursos raivosos e de ódio contra o PT", diz Valdeci Oliveira

Petista diz que antipetismo o tirou do terceiro mandato à frente da prefeitura de Santa Maria

"Foi um bombardeio de discursos raivosos e de ódio contra o PT", diz Valdeci Oliveira Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Pior do que ganhar com uma pequena diferença de votos, ainda infinitamente pior é perder por tão pouco. Esta é a análise de Valdeci Oliveira (PT), que foi derrotado na corrida à prefeitura por Jorge Pozzobom (PSDB), no último dia 31. A diferença de 226 votos é indigesta para ele. Duas vezes prefeito, de 2001 a 2008, o atual deputado estadual buscava um inédito terceiro mandato ao Executivo municipal. O político credita a derrota ao antipetismo. 

 – Foi um bombardeio de discursos raivosos e de ódio contra o PT – afirmou Valdeci.

De volta ao mandato na Assembleia, em Porto Alegre, Valdeci diz ter conversado rapidamente com Pozzobom. Avalia que a relação dos dois saiu, sim, ¿diferente¿ em função da disputa que ¿fugiu do plano político¿. O petista acredita que é preciso ¿rever urgentemente o papel da esquerda¿ para conter ¿a onda direitista¿. 

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Diário de Santa Maria – Como o senhor avalia o resultado da eleição?
Valdeci Oliveira – Há um conjunto de elementos, mas o antipetismo foi o elemento central. A campanha adversária bateu, nos 10 dias finais, pregando o antipetismo até de forma raivosa. Nos programas de televisão, nas inserções, nos carros de som, era a mesma coisa: o antipetismo. Isso, provavelmente, virou o voto do eleitor, principalmente, da região centro da cidade. Saio dessa eleição de cabeça erguida, de mãos limpas e orgulhoso por ter mantido meus princípios e valores.

Diário – Pelo o que o senhor fala, fica evidente que o tom da campanha no 2º turno lhe desagradou. Há ressentimento?
Valdeci –
Não quero ficar debatendo essa questão porque já passou. Até porque isso em nada vai ajudar a cidade a enfrentar os problemas. Mas é preciso fazer alguns esclarecimentos. Primeiro, o Jorge disse que teria havido uma ofensa em uma rede social quanto à família dele, e eu disse ¿me aponta o autor¿. E ele, até agora, não me apontou. Mas falei para ele que se eu fosse me importar com as ofensas contra a minha pessoa, nas redes sociais, não sairia de casa. Mas, quem mais saiu perdendo, por conta desse tipo de campanha, foi a população. Os ataques e o antipetismo deram o tom, na reta final, e a apresentação de propostas do outro lado foi deixada de lado.

Na terceira disputa à prefeitura, Valdeci Oliveira (PT) conhece a derrota

Diário – A questão que o senhor estaria devendo à prefeitura também pesou?Valdeci – Isso já havia sido bastante mencionado por um outro adversário (em referência a Fabiano Pereira, PSB), durante o primeiro turno, e sem sucesso. Mas talvez, sim, tenha colado em parte essa tática. Mas o que me tranquiliza é que todas as contas foram rigorosamente aprovadas pela Câmara de Vereadores e participei da eleição, justamente, por ter o aval da Justiça. E, claro, na cabeça de alguns eleitores talvez isso tenha pego. Mas tenho 40 anos de vida pública e nenhum questionamento do ponto de vista legal e jurídico sobre os meus procedimentos. Infelizmente houve muita baixaria e, principalmente, nos últimos 10 dias de campanha. Eu senti que a minha imagem foi vítima de um linchamento público. E quem estava na dúvida ou, até mesmo, já tenha definido o voto possa ter sido levado por isso.

Diário – Onde o senhor e sua equipe erraram?
Valdeci –
É difícil de se avaliar, ainda mais quando se perde por 200 e poucos votos. É complicado dizer onde erramos. (...) Era todo mundo contra a nossa candidatura. Mas as estratégias e os movimentos feitos por nós foram, sem dúvida, os mais adequados. Obviamente que é preciso fazer uma avaliação e não me sinto derrotado, até porque foi uma diferença absurdamente pequena.

Diário – Concorda que o PT só obteve a votação porque era o senhor o candidato, que consegue se descolar da sigla?
Valdeci –
Acho que sim, não tem como negar. Ouvia isso também de dezenas de pessoas por dia. Isso, é claro, que é importante e o que aumenta a minha responsabilidade no contexto atual.

Diário – O senhor pensa em deixar o PT?
Valdeci –
Não sei o que vai acontecer com o PT durante o congresso (do partido, marcado para março de 2017). Tenho o entendimento de sempre: não é porque alguns erraram, que todos devem ser culpados. Sempre dou o mesmo exemplo: se uma família tem 10 irmãos e um deles é criminoso, os demais não são criminosos.

Diário – O PT foi o maior perdedor das eleições municipais do país, e a direita saiu fortalecida. É o fim da esquerda?
Valdeci –
(...) É preciso, mais do que nunca, reorganizar e direcionar a esquerda brasileira, porque senão seremos massacrados por essa onda direitista que está tomando conta do país.

Diário – Às vésperas da eleição, foram veiculadas duas pesquisas nas redes sociais, em que mostravam, numa delas, que o senhor estava 15 pontos na frente do seu adversário. Essa pesquisa foi encomendada por vocês e, ainda, isso pode ter tido efeito contrário?
Valdeci –
Não, não foi contratada por nós. Eu só tomei conhecimento dessa pesquisa na noite de sábado, às vésperas da eleição. Sempre tive a mesma opinião de que pesquisa não ganha eleição, até porque eu nunca teria vencido duas eleições a prefeito conforme as pesquisas. Pesquisa dá algumas direções, mas não vence pleito (...).

Diário – Embora ainda seja muito cedo, o senhor pensa em concorrer de novo a prefeito?
Valdeci –
(risos) Aí, tá exigindo demais. Já retomei meu mandato na Assembleia. Discussão de eleição não deve ser feita agora, em hipótese alguma. Eu quero, mais do que nunca, seguir sendo um parceiro por Santa Maria e buscando o que for para desenvolver nosso município. Independentemente de quem for o governo, sempre serei parceiro por Santa Maria.

Diário – Até a eleição, o senhor e o Pozzbom tinham uma relação cordial. Passado o pleito, ficou alguma mágoa?
Valdeci –
Não sei te dizer, não conversamos mais. Mas inegavelmente ficou um pouco diferente (a relação). 

Diário – Qual a sua expectativa para o mandato de Pozzobom?
Valdeci –
Vamos seguir apoiando no que for melhor para Santa Maria, sem ressentimentos, sem rancor, sem raiva. Mas logicamente vamos fiscalizar o cumprimento de tudo aquilo que foi prometido durante o pleito (...).


 
 

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