Consultas serão resolvidas em um ano, promete Pozzobom - Diário de Santa Maria

Entrevista01/11/2016 | 07h35Atualizada em 01/11/2016 | 07h36

Consultas serão resolvidas em um ano, promete Pozzobom

Prefeito eleito reforçou preocupação com a saúde e garantiu que governo começa desde agora. Veja o que mais ele disse em entrevista ao Diário

Consultas serão resolvidas em um ano, promete Pozzobom Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

O mandato de Jorge Pozzobom (PSDB) começa apenas em 1º de janeiro de 2017, mas, na prática, o tucano já deu início ao plano de voo para a gestão 2017-2020. O político, que vai se despedindo do segundo mandato de deputado estadual, quer impactar positivamente "toda Santa Maria" já no primeiro ano de governo.

Jorge Pozzobom inclui a prefeitura de Santa Maria no currículo  

A bandeira prioritária da administração dele está definida: a da saúde. Ele afirmou que vai resolver uma área por vez e, primeiro, as situações mais emergenciais. Em outras palavras, o buraco ou problema crônico seguirão à espera de solução.

– O meu compromisso é com a saúde dos santa-marienses. Em um ano, vamos resolver essas pendências na saúde – disse.

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As metas traçadas são ousadas, ainda que mantenha os pés no chão e entenda que o contexto é de crise econômica, o prefeito quer viabilizar um mutirão para ¿praticamente zerar¿ a demanda reprimida de consultas, exames e cirurgias junto ao SUS. O primeiro passo, nesse sentido, é encaminhar para o Legislativo um projeto de lei que permita a contratação emergencial de 150 profissionais da saúde, a um custo de R$ 1,5 milhão, dinheiro que sairá, basicamente, do Gabinete do Prefeito e da Secretaria de Comunicação.

Os desafios que o novo prefeito de Santa Maria terá pela frente

Em se tratando de gestão pública, a saúde financeira do município é vital para que os planos do prefeito eleito possam sair do papel. O tucano já busca informações das condições dos recursos com um grupo de funcionários da Secretaria de Finanças. Além disso, ainda neste ano, quer mexer em valores das pastas e fazer adequações junto ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A matéria será votada até 30 de novembro, e Pozzobom espera que os vereadores aprovem a emenda, o que viabilizará a ele ter margem de jogo.

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A fala de Pozzobom evidencia, de fato, que a saúde é a prioridade número 1 dele. Para a próxima semana, o político diz que irá a Brasília tratar de questões referentes ao Hospital Regional, que, segundo ele, abrirá as portas em 2017. E não é só a saúde da população que está no radar das preocupações de Pozzobom, a dos servidores do município, também. O prefeito eleito afirma que quer resolver a questão do plano de saúde dos funcionários.

Expectativa

O tucano, que é conhecido por posições fortes, chama para si a responsabilidade de ¿fazer Santa Maria sair do lugar comum¿. Ele reconhece que as pessoas ¿esperam muito¿, palavras dele, durante os quatro anos de governo. Mesmo que o resultado eleitoral tenha mostrado uma clara divisão entre os projetos que estavam na disputa do inédito segundo turno, Pozzobom assegura que irá governar para todos.

No centro do poder

Descontraído, humorado e leve, e sem o semblante de apreensão que o acompanhou na tarde de domingo, Pozzobom projetou o futuro político:

– Um dia, quero ser governador do Estado.

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Antes disso, afirmou que quer ser o melhor prefeito que a cidade já teve. Fala que o prédio da SUCV, sede do atual governo, será entregue à Secretaria de Cultura. Com uma pitada de sarcasmo, ele provoca "vou governar lá no centro administrativo, junto com os servidores, comigo não tem dessa de Casa Rosada".

– Vou falar com o Farret e pedir a situação de todas as secretarias. De cada uma, ver o que está sendo feito, o que é mais urgente, para ter uma visão geral de como está o município.

Pozzobom espera que, no máximo em 90 dias, tenha um diagnóstico do município para melhorar a gestão da cidade.

Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida na tarde desta segunda-feira: 

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Diário de Santa MariaO senhor prometeu ¿zerar¿ os problemas da saúde. De onde virá o recurso para isso?
Jorge Pozzobom – Será um contrato emergencial de um ano (com 150 profissionais da saúde). A saúde é um problema gravíssimo do município. Em um ano, vamos resolver todas essas pendências no sistema de saúde entre consultas e exames. Obviamente que ainda há pendências de cirurgias, mas, aí, vamos buscar uma alternativa. Há uma demanda reprimida de 15 mil pessoas à espera de atendimento. O dinheiro para isso, que é de R$ 1,5 milhão, virá do Gabinete do Prefeito e da Secretaria de Comunicação. E para fazer isso, em 30 de novembro, vamos fazer uma alteração no orçamento do município, que será aprovado pelos vereadores.

Diário – Ainda na saúde, o senhor fala que o Hospital Regional abrirá no ano que vem. Está garantido?
Pozzobom – Já está garantido que irá abrir (o Hospital Regional). Falei com o Osmar Terra (ministro do Desenvolvimento Social) para ver quais os detalhes que ainda temos de ver, por exemplo, se há mais alguma coisa que a prefeitura precise fazer como obra de infraestrutura, ali, no entorno. Vou a Brasília, nos próximos dias, ver as pendências existentes com ele (Terra).

Diário – O senhor propõe uma gestão eficiente e com a máquina pública enxuta. Para isso, o senhor fala em cortes de CCs, de secretarias e ainda na fusão de pastas. O que já há traçado nesse sentido?
Pozzobom – Haverá fusão de pastas e também extinção de secretarias. Os CCs não serão todos ocupados. O equilíbrio financeiro que proponho está atrelado a uma questão prioritária: honrar integralmente o salário dos servidores municipais. Não haverá, em hipótese alguma, chance de parcelamento de salários.

Diário – Sobre a campanha, o senhor disse que foi vítima de muita boataria por parte do PT. Por quê?
Pozzobom –
 Jamais imaginei que o PT faria tantos boatos e mentiras referentes à família. Eu cobrei do Valdeci e ele me falou ¿me diz quem é¿, e eu respondi pra ele ¿tu sabe quem é¿. Foi uma grande decepção. Quer falar mal de mim, quer brigar comigo, tudo bem! Mas não desrespeite a minha família, que é o meu maior tesouro. Isso foi nojento, foi um jogo sujo. Foi de uma baixaria sem igual. Foi dito que eu batia no meu pai e na minha esposa. Além do terrorismo que o PT fez com os servidores ao dizer que eu iria parcelar salários. Foram tantas as mentiras que passaram da disputa política. 

Diário – Após o resultado da eleição, o senhor e Valdeci Oliveira (PT) se falaram?
Pozzobom – 
Não.

Diário – Qual o perfil do secretariado que o senhor quer? 
Pozzobom –
 Há pessoas sem vínculo partidário e que se somaram a nossa candidatura. Eu tenho compromisso e seriedade. O perfil de secretário que procuro é de quem faz, de quem entrega resultado. Isso, sim, me importa. Eu, por exemplo, sou um político e um técnico.

Diário – O senhor tem cinco partidos coligados desde o primeiro turno. Agora, no segundo turno, foram mais 12 siglas (contabilizando as adesões parciais). Como acomodar todos dentro do governo?
Pozzobom –
 Com nenhum partido, nem no primeiro turno nem, agora, no segundo turno, foi tratado de secretaria ou de cargos. Só há, até agora, dois nomes garantidos: o Pozzobom, prefeito, e o Cechin, que é vice. Claro que há composição, mas, primeiro, eu preciso ver o tamanho da máquina. Evidentemente que cada partido tem os seus quadro e eles indicarão. Mas quem decide é o prefeito, ninguém vai impor nada. 

Diário – Há chances de os CCs do atual governo serem mantidos na sua gestão?Pozzobom –
 Dia 31 de dezembro ,todos os CCs serão exonerados. Todos. Depois, então, nós vamos ver. Há gente boa e que pode ser aproveitada.

Diário – Há algum secretário da atual administração que pode ser mantido?Pozzobom – Não decidi ainda, não há nada ainda. Tudo será avaliado. 

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Diário – Qual deve ser o espaço do vice-prefeito Sergio Cechin (PP) no governo?Pozzobom – Ele trabalhará junto comigo. Tanto eu quanto ele podemos assumir algumas pastas. Até porque a prefeitura não tem dinheiro. Teremos o Gabinete de Governança, que contará com o prefeito, com o vice-prefeito, a Procuradoria Jurídica e os técnicos das áreas afins. Dentro do gabinete, vamos dar as diretrizes do governo nas áreas da saúde, segurança pública e geração de emprego e renda. Esse grupo vai ajudar. 

Diário – O senhor disse que quer ser governador do Estado. Para chegar lá, terá de fazer uma excelente gestão na prefeitura. Como vai chegar a isso?
Pozzobom –
 Vou trabalhar para isso. A minha vida é pautada por etapas. Um dia, sim, quero ser governador. Mas, quero me sair muito bem nessa baita missão que é ser prefeito de Santa Maria. De forma gradativa, vamos resolver os problemas da cidade.

Diário – O senhor é reconhecido por seu temperamento forte, explosivo. Na campanha, adotou um tom mais ponderado. Como será de agora em diante?Pozzobom – (risos). Desde que perdi a eleição para prefeito há quatro anos, não era mesmo a minha hora. Embora não me arrependa, tomei algumas decisões. Primeiro, se eu falo em mudar e renovar, quem, na verdade, precisa mudar, primeiro, sou eu. Como os outros mudarão se eu não mudo? Mudei muito e tomei decisões. Tenho procurado ponderar e rever as coisas. Tenho rezado, algo que eu não fazia, tenho falado comigo mesmo. Para eu propor mudanças, tinha de mudar e foi o que eu fiz, a Janice (esposa) sabe disso. 

Diário – Como será a sua relação com a Câmara? O senhor terá 11 dos 21 vereadores, o que lhe dará margem para aproveitar seus projetos.
Pozzobom
 – Quero estabelecer um trabalho mais colaborativo, inclusive, com a bancada do PT. Vamos votar, até 30 de novembro, a LDO. Estou propondo criar uma reserva de, no mínimo, R$ 5 milhões. Porque eu quero saber onde estarão os eventuais problemas que precisarão ser resolvidos urgentemente. Ou seja, para resolver os pepinos. Ainda não sei se esse valor será de R$ 5 milhões, mas haverá, sim, uma reserva para tratar dessas pendências. Cada vereador terá um recurso para fazer uma emenda para problemas mais urgentes de seu bairro ou comunidade. Essa é uma ferramenta de gestão para mostrar que estamos prontos para inovar. 

Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

Diário – O que o senhor pensa sobre a renovação do contrato com a Corsan?Pozzobom – Vamos trabalhar a questão da renovação do contrato. Viabilizar um fundo para que possa ser usado para saneamento, recuperação asfáltica e também para a saúde. Vou pedir ao prefeito Farret que peça aos seus secretários que viabilizem um levantamento de obras, contratos, do que não pode acabar, de cronogramas. Vou pedir com que, em 90 dias, eu tenha um diagnóstico de todas essas demandas e de outras. 

Diário – Como será a sua relação com os deputados do PT (Valdeci e Pimenta) e com o secretário Segurança Cezar Schirmer (PMDB)?
Pozzobom – 
Toda vez que eu vou a Brasília, vou ao gabinete do Pimenta. Eu me dou com o Schirmer, a minha divergência é política. Mas sei que todos eles e os nossos apoiadores irão trabalhar num sentido só: fazer Santa Maria avançar e crescer. 

 
 

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