Candidatos à prefeitura de Santa Maria buscam apoio para o segundo turno - Diário de Santa Maria

2º turno04/10/2016 | 07h45Atualizada em 04/10/2016 | 10h26

Candidatos à prefeitura de Santa Maria buscam apoio para o segundo turno

Valdeci e Pozzobom avaliam desempenhos e revelam como pretendem conquistar os votos ¿sem donos¿ no segundo turno

Candidatos à prefeitura de Santa Maria buscam apoio para o segundo turno Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Os dois são deputados estaduais, estão no segundo mandato na Assembleia Legislativa e inauguram na inédita disputa em dois turnos em Santa Maria e, ainda, tiveram os irmãos eleitos para vereador. Há muitas semelhanças entre os prefeituráveis Valdeci Oliveira (PT) e Jorge Pozzobom (PSDB). 

Os dois, que dizem ser amigos, afirmam que representam projetos incompatíveis e totalmente opostos. Valdeci, que já foi prefeito entre 2001 a 2008, afirma que ele tem ¿experiência e gestão¿ para tirar Santa Maria do marasmo. Pozzobom, que ficou em terceiro a prefeito em 2012, avalia ter ¿soluções criativas e inteligentes¿ para problemas que se arrastam há 16 anos. Valdeci selou sua passagem para a decisão do próximo dia 30 com 43.746 votos. O tucano obteve 43.037 votos.

 A diferença, que representa empate técnico, foi de apenas 709 votos. Agora, a dupla já se articula e busca ampliar alianças para conquistar os votos dos outros seis candidatos derrotados. Os dois, contudo, mantêm ressalvas. Valdeci estabelece ¿um teto¿ na abertura do diálogo. Embora não diga abertamente, ele não deve buscar apoio do ex-petista Fabiano Pereira (PSB), que representou o governo municipal, teve o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita e fez 20,2 mil votos (ficando em terceiro). Valdeci e Pozzobom miram, ainda que não admitam, no candidato Jader Maretoli (SD), que impressionou pelos 19,4 mil votos. A candidatura, que contou com partidos nanicos e com o apoio de setores da igreja evangélica, é alvo de cobiça entre tucanos e petistas. 

Não ser um ¿milagreiro¿

Foto: Germano Rorato / Agencia RBS


Valdeci Oliveira (PT) adianta que seguirá na mesma linha: ¿sou candidato a prefeito, não a milagreiro¿. Valdeci mira em apoios e, nominalmente, cita quase todos os prefeituráveis que estiveram no pleito em primeiro turno. Não, não fala em Fabiano Pereira (PSB), candidato governista e ex-petista – desafeto da cúpula local do PT (ele e Pimenta).

– Obviamente que há um limite em toda tratativa – diz.

Valdeci sustenta que o momento é de detalhar e expor as diferenças existentes entre o seu programa e o do rival. O PT, em âmbito estadual e nacional, amargou um encolhimento no números de prefeituras conquistadas. A candidatura do petista, aqui, valeu-se de subterfúgios para esconder e diminuir a rejeição à sigla. A estrela, símbolo do partido, foi substituída pelo pássaro operário joão-de-barro. Valdeci diz que não houve estratégia para minimizar danos.

– Há uma conjuntura nacional de desgaste que envolve o meu partido. Mas, aqui, as pessoas votaram na pessoa do Valdeci e no meu histórico de trabalho.

Outro desafio se impõe. Nos dois pleitos que venceu, em 2000 e 2004, o partido ultrapassou pouco mais de 30% dos votos. Agora, o petista precisa ir além:

– Agora começa tudo do zero: com tempos iguais e com um debate franco e aberto. 

ENTREVISTA: Valdeci Oliveira (PT),primeiro colocado com 43.746 

Diário de Santa Maria – O que o senhor acredita que o colocou no segundo turno?
Valdeci Oliveira – É uma soma de circunstâncias: o legado do nosso trabalho em oito anos e uma relação franca, a qual estabelecemos com o eleitor de forma honesta e transparente. Outra questão importante é o fato de termos uma mulher ao nosso lado, a companheira Helen Cabral (em referência a candidata a vice), e isso, sem dúvida, contribuiu enormemente para isso. A cidade conhece e reconhece o nosso compromisso com Santa Maria (...). 
Diário – O senhor imaginava que teria uma votação praticamente idêntica ao seu rival?
Valdeci – Eu sabia que seria uma eleição muito difícil e, no ano passado, eu já sinalizava para isso. Até porque tivemos concorrentes muito fortes e coligações amplas. Tudo isso foi altamente positivo. E por mais que se diga que a diferença minha para o meu adversário tenha sido de pouco mais de 700 votos, eu estou na frente (risos). Fiquei em primeiro lugar. 
Diário – Qual será a estratégia do segundo turno?
Valdeci – Vou manter o que eu já vinha apresentando: com uma campanha humanizada e propositiva e sem promessa e sem ilusão. Em nome de ganhar a eleição, não farei invenções e nenhuma proposta que seja inviável (...). 
Diário – A surpresa do pleito foi a expressiva votação do candidato Jader Maretoli (SD), com quase 19,5 mil votos. O senhor vai buscar o apoio dele?Valdeci – A partir de hoje (segunda-feira), vamos conversar com várias lideranças da cidade e representações político-partidárias. O diálogo será com candidatos não eleitos e com vereadores. É claro que é preciso ver o que nos unifica (...). Eu não tenho nenhum problema em conversar com o Alcir, com o Werner, com o Jader, com o Marcelo Bisogno (PDT). 
Diário – Qual a avaliação da composição da Câmara?  
Valdeci – Ainda não fiz toda. Mas o que apurei e avaliei é que se trata de uma composição que aponta para uma renovação. Surgem bons nomes e o importante é que aponta para uma representatividade expressiva. O PT fez quatro parlamentares, sendo que um deles foi o mais votado da cidade. O meu irmão também entrou, o que aponta para um nome novo. Quando eleito, vou buscar todos. 
Diário – Os 56 mil votos ¿sem dono¿ apontam para uma insatisfação com a classe política. Como tentar cooptar esse universo de votos?
Valdeci – Há uma insatisfação da população com a política. E é preciso trabalhar para aproximar, de novo, as pessoas da política. Até porque a insatisfação em nada mudará as coisas. É preciso participar, ser atuante, não se omitir. Temos um projeto de governo muito claro e queremos trazer essas pessoas ao nosso lado. 

Não prometer ¿mundos¿

Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Pozzobom não quer perder tempo. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que ele tenha pressa. Adianta que manterá diálogo com todos os candidatos derrotados e avalia que as aproximações dependem de afinidades com seu programa de governo. A cautela é justificada, diz Pozzobom, ao acrescentar que ¿a aliança e a coligação são com Santa Maria¿.  O tucano diz que o tom da campanha em primeiro turno será o mesmo de agora: ¿não vamos prometer mundos e fundos para ganhar a eleição¿. Ao longo de toda sua fala, demostra uma preocupação recorrente: as finanças do município.

– Vamos abrir o orçamento de Santa Maria e mostrar o que pode ser feito  onde há e onde não há dinheiro. Tudo com responsabilidade financeira. 

Pozzobom compara dois momentos distintos, o vivido agora, e o de 2012, quando concorreu a prefeito e ficou em terceiro lugar.

– Entendi e assimilei o recado daquele momento. Agora, tenho o respaldo de 43 mil eleitores. Mas quero o apoio de todos. 

Durante a propaganda eleitoral gratuita, Pozzobom transpareceu serenidade e tranquilidade raramente vistas. Quem o conhece sabe que ele está sempre acelerado, agitado. O tucano ri sobre o assunto e diz que segue sendo o mesmo: ¿olhando no olho e falando a verdade aos santa-marienses¿. 

ENTREVISTA: Jorge Pozzobom (PSDB), segundo colocado com 43.037 votos

Diário – O que o senhor acredita que o colocou no segundo turno?
Pozzobom – Sempre agimos com responsabilidade em não prometer aquilo que não é possível de ser feito e cumprido. Tudo o que digo que farei, eu aponto como e de onde sairá o recurso. Não farei as coisas pela metade ou de forma malfeita.
Diário – O senhor imaginava que teria uma votação praticamente idêntica a de seu rival?
Pozzobom – Me recordo que, em 2012, quando me apresentei pela primeira vez a prefeito, reconheci, naquele momento, o recado que Santa Maria me deu: não era a minha vez. Eu entendi e assimilei bem isso. Agora, com 43 mil votos de confiança, significa que o projeto que eu e o Cechin (vice, do PP) apresentamos à cidade pensa no futuro.  
Diário – Qual deve ser a estratégia da campanha?
Pozzobom – A estratégia começou ainda no domingo. Já tivemos uma reunião de trabalho e com os nossos vereadores para alinhar estratégias. Vamos trazer demandas que irão agregar valor e ideias. Teremos projetos condizentes e que estão alinhados ao nosso programa de governo. Não vamos promover gastança de forma irresponsável. Tudo será honrado. Não vamos prometer mundos e fundos para ganhar a eleição. 
Diário – A surpresa do pleito foi a expressiva votação do candidato Jader Maretoli (SD), com quase 19,5 mil votos. O senhor vai buscar o apoio dele?Pozzobom – O nosso projeto e a nossa coligação são com Santa Maria. Há candidatos que, certamente, nós iremos dialogar. E não vou assumir nenhum compromisso de projeto de governo com quem quer que seja se eu não puder cumprir. Eu não vou me comprometer com propostas que não serão cumpridas. Não vou rasgar o meu discurso de 1º turno para ganhar a eleição. 
Diário – Qual a avaliação da composição da Câmara?  
Pozzobom – O recado das urnas foi forte: o da renovação. E no meu governo, tenho claro uma coisa: vamos conversar com todos, não farei distinção entre vereador governista ou da oposição. Quero todos ao meu lado para viabilizarmos uma Santa Maria melhor (...). Outra coisa que me alegrou foi o fato de a nossa coligação ter a maior bancada, com 7 vereadores. 
Diário – Os 56 mil votos ¿sem dono¿ (abstenções, brancos e nulos) na cidade apontam para uma insatisfação com a classe política. Como tentar cooptar esse universo?
Pozzobom – O descontentamento, é bom que se diga, não é com a política, mas, sim, com os agentes políticos. E, sim, com aqueles que agem de má-fé. Temos problemas que se arrastam há 16 anos e que não foram resolvidos. Isso incomoda e deixa as pessoas insatisfeitas. O descontentamento dessas pessoas é com o momento político.

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMSuspeito de integrar movimento neonazista é preso em Cruz Alta https://t.co/HlPiwvvtk9 https://t.co/EtWLEXWtgEhá 7 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMEstudantes começam a desocupar prédios da UFSM https://t.co/fHTMnU4nv0 https://t.co/uC8MlLQBGhhá 7 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros