Série "Como assim, candidato?" entrevista Paulo Weller - Diário de Santa Maria

Eleições 201629/09/2016 | 17h49Atualizada em 29/09/2016 | 17h51

Série "Como assim, candidato?" entrevista Paulo Weller

Concorrente é o último entrevistado da série que trata das promessas de campanha dos candidatos à prefeitura de Santa Maria

Série "Como assim, candidato?" entrevista Paulo Weller Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

As promessas feitas pelos candidatos a prefeito de Santa Maria têm gerado muitos comentários e dúvidas: como serão cumpridas? São viáveis? E dinheiro para isso? Por esse motivo, a Página 2 conclui nesta edição a série de entrevistas com os oito concorrentes, que se chama ¿Como assim, candidato?¿. Entre as dezenas de propostas, foram selecionadas quatro de cada concorrente. Paulo Weller, do PSTU, é o último entrevistado. Confira:

O senhor quer implantar um governo socialista dos trabalhadores, feito por meio de conselhos populares, que decidam 100% do orçamento. Como?

Como socialistas, temos de fazer enfrentamento e resolver os problemas emergenciais da maioria da população, que está desassistida. Um programa de socialista vem para romper esta lógica, e é a partir de medidas que vamos tomar, como o IPTU progressivo. A gente quer, a partir da participação popular, que os conselhos atuais se transformem em órgãos deliberativos, em que 100% do orçamento seja discutido. A Câmara hoje não serve aos interesses da maioria do povo.

Isso basta para implantar um governo socialista?

Em Santa Maria, não vamos conseguir isso de maneira efetiva, por mais que tomemos conta da prefeitura. Mas pode ser forma de pressão para que, aqui na cidade, a partir da maioria da população e dos conselhos, nós consigamos dar um sinal para o Brasil de que Santa Maria está resistindo, de que quer um governo para a classe trabalhadora. 

Outra promessa é dar, a todos os desempregados, cesta básica, isenção do IPTU, água, luz e o passe livre nos ônibus. Como? 

 Aí entra a questão do transporte, que tem relação direta com a tarifa. A gente não tem licitação no transporte público. Achamos que criando uma empresa de transporte, nós podemos ter condições de baratear o custo, rumo a discutir todo o sistema. Agora, temos de ter condições de resolver o problema do desemprego na maioria pobre, da periferia. Para isso, podemos criar um plano de obras públicas, para que consiga envolver e recrutar essa mão de obra ociosa para garantir, a partir de mutirões, construção de esgoto, moradia a preços populares, como tem em vários projetos na UFSM. 

Outra proposta do senhor é destinar casas, prédios, casarões em desuso há mais de dois anos para moradias públicas. É constitucional? 

Se foi possível (o decreto de utilidade pública) a partir da nossa tragédia, que foi a boate Kiss, isso mostra que a prefeitura, a bem do erário público, pode incorporar alguns prédios privados que estão ociosos. Nós temos de fazer um grande levantamento imobiliário na cidade, que envolve também os terrenos que são usados para especulação financeira, que garanta que nós resolvamos os problemas sociais da cidade.

O senhor fala em acabar com a Brigada Militar, mas isso não depende nem da prefeitura. Como assim?

Na verdade, não achamos, como alguns candidatos, que temos de armar até os dentes a Guarda Municipal, que temos de pagar hora extra. Isso é absurdo. A criminalidade se combate resolvendo os problemas sociais, dando espaço para que as pessoas tenham condições de conviver harmonicamente na cidade e fazendo com que a Guarda seja preventiva, que consiga dar conta da situação de vulnerabilidade de algumas regiões. Iluminar as praças públicas, garantir um posto da Guarda, que tenha uma relação harmoniosa e de respeito com os que frequentam a praça. Hoje as pessoas ficam confinadas nos seus bairros, não têm condições de sobreviver e acabam caindo na criminalidade. Então, tendo um incremento cultural, social, a partir das escolas, fazendo hortas comunitárias, a gente consegue uma construção coletiva e evita que isso se perpetue. A Guarda e a Brigada têm de ser democratizadas, eleitas pelos soldados e cabos. A Brigada tem de ser reformulada, porque ela não serve para atender os interesses do povo. É uma ostensividade e uma violência sem precedentes. 

Onde obterá verbas para cumprir essas promessas?

Eu analisei o orçamento. Existe predomínio, nas últimas gestões, da relação privilegiada com o empresariado da cidade. Queremos mudar isso. Serei o prefeito do rompimento de contratos. As amarras que foram colocadas em relação ao empresariado local têm de ser rompidas, porque um governo tem de defender saúde, educação e o trato público. Ser governo contra corrupção, pois o PSTU é um dos poucos que não estão envolvidos nisso, ele tem legitimidade para garantir que esse processo seja feito. Para isso, tem de inverter todo o orçamento, garantir o privilégio do público, em relação à saúde, educação. Temos de ter IPTU progressivo que dá uma redistribuição de renda radical. Os empresários abastados e os que moram em áreas nobres têm de pagar mais para financiar o desenvolvimento social da cidade, dos bairros mais pobres. E uma prefeitura realmente da classe trabalhadora, uma Santa Maria para os trabalhadores, pode resolver isso aí.

 
 

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