Série "Como assim, candidato?" entrevista Alcir Martins - Diário de Santa Maria

Eleições 201622/09/2016 | 16h28Atualizada em 26/09/2016 | 10h00

Série "Como assim, candidato?" entrevista Alcir Martins

Concorrente é o quarta a ser entrevistado na série que trata das promessas de campanha à prefeitura de Santa Maria

Série "Como assim, candidato?" entrevista Alcir Martins Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

As promessas feitas pelos candidatos a prefeito de Santa Maria têm gerado muitos comentários e dúvidas: como serão cumpridas? São viáveis? E dinheiro para isso? Por esse motivo, a Página 2 iniciou na segunda-feira uma série de entrevistas com os oito concorrentes, que se chama ¿Como assim, candidato?¿. Entre as dezenas de propostas, são selecionadas quatro de cada concorrente. Alcir Martins, do PSol, é o entrevistado desta quinta-feira. Confira:

Uma das suas promessas énão governar para todos, mas para uma minoria, e há outro vídeo de campanha que só mostra gatinhos. Como assim?

Não vamos governar para todos, porque quem faz isso sempre governou para os mesmos. Vamos governar para a minoria, para quem realmente precisa do poder público. Como temos só 12 segundos na TV, isso inviabiliza uma comunicação e um debate mais sério para uma cidade de mais de 200 mil habitantes. Outros vídeos da propaganda, como a dos gatinhos, são um deboche e uma crítica a esse jeito de fazer política que não permite esse debate. Por isso, a gente fala no vídeo que, se você já aguentou nove minutos de política velha e conversa mole, você merece 12 segundos de gatinhos fofíneos. Em outro vídeo, só aparece eu andando de skate, e outro tem as duas mulheres se beijando. Isso até pode chocar algumas pessoas, mas esses vídeos não estão descolados do conteúdo programático da campanha, que é de apropriação dos espaços públicos (no caso do skate), de ruptura com esse jeito velho de fazer política e de dignidade e respeito aos LGBTs.

O senhor promete criar uma creche por bairro, mas tem ideia de quantas seriam necessárias e como fazer?

Há um dado do MEC, de 2014, que aponta Santa Maria como uma cidade onde a demanda por vagas na educação infantil e o número de vagas oferecidas se encontram. Santa Maria, na teoria, seria uma cidade onde não faltariam vagas. Mas a gente anda por aí, eu mesmo tenho duas filhas e nunca consegui vaga em creche municipal para elas. O diagnóstico é da necessidade de uma creche por bairro. Hoje, materialmente, talvez a gente esteja muito longe disso. Mas a partir desse dado do MEC apontando que existem essas vagas, a gente vai apontar para o remanejo delas, usando o mobiliário público que já existe, distribuindo para onde essas vagas são mesmo necessárias. Além disso, são 13 ou 14 creches do Proinfância, que estão com recurso parado, correndo o risco de voltar, que precisam ser executadas. São detalhes e entraves técnicos, de vontade política, e isso, numa gestão nossa, não vai poder seguir acontecendo. 

O senhor promete municipalizar o transporte coletivo e adotar, a médio prazo, a tarifa zero. Como?

Nós temos problemas reais e urgentes para resolver. Temos a exploração da concessão pública sem licitação há mais de 20 anos e uma relação muita confusa entre o empresariado e a prefeitura. Todo ano, quando vai se fazer o debate no Conselho de Transportes para aumentar a tarifa, entrega-se na antevéspera, a cada conselheiro, um calhamaço da planilha, que é muito extensa. Até um economista teria muita dificuldade de desvendar. Conseguimos fazer uma auditoria independente da planilha de dois anos atrás, quando aumentou para R$ 2,90, e ela apontou que o custo da passagem deveria estar em R$ 2,45 a R$ 2,48. Além disso, estamos propondo a criação de um fundo municipal de transporte. Esse fundo seria arrecadado, primeiro, pela própria tributação progressiva, para que possa, em alguns anos, gerar a capacidade de o município se sustentar fazendo isso. Existem maneiras de arrecadar e garantir que a prefeitura assuma a municipalização e o controle pleno do transporte. Isso já é realidade em vários municípios do país, inclusive com mais de 200 mil habitantes, e isso é uma demanda que as pessoas têm colocado. E se para nós é concebível, desejável e aceitável de que a saúde seja boa, de qualidade e gratuita, por que a gente não consegue conceber que o ônibus também pode ser feito de forma gratuita? Para nós, isso é um compromisso: trabalhar a médio e longo prazos para constituição desse fundo, para municipalização do transporte e tarifa zero.

Diante da crise financeira, de onde viria o dinheiro para cumprir as promessas?

As creches, essas ações derivam de questões partilhadas da gestão, com outros entes federativos, e vêm do Proinfância. Para obter verbas, há a proposta de redução dos salários do Executivo, de prefeito, vice e secretários. Isso geraria, no cálculo que a gente está propondo, que essas funções sejam pagas pelo salário mínimo do Dieese, uma economia de R$ 2,3 milhões por ano. E queremos trabalhar com a questão da justiça tributária, ou seja, taxação progressiva dos impostos, como o IPTU, combate à especulação imobiliária, e quem tem mais paga mais. Isso é uma forma de incrementar receita, de garantir justiça tributária e poder fomentar e investir em ações para a prefeitura atender as pessoas.

 
 

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