Cezar Schirmer passa o bastão a José Haidar Farret que assume a prefeitura de Santa Maria   - Diário de Santa Maria

Troca de comando05/09/2016 | 20h51Atualizada em 05/09/2016 | 20h51

Cezar Schirmer passa o bastão a José Haidar Farret que assume a prefeitura de Santa Maria  

Saída simbólica ocorreu na tarde desta segunda-feira

Cezar Schirmer passa o bastão a José Haidar Farret que assume a prefeitura de Santa Maria   Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

A passagem oficial de comando da prefeitura de Santa Maria para José Haidar Farret (sem partido) deve ocorrer até nos próximos dias, com o encaminhamento da renúncia de Cezar Schrimer (PMDB) ao Legislativo municipal, já que a posse como secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul está marcada para quinta-feira.

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Mas mesmo que não se forma oficial, a saída simbólica de Schirmer da prefeitura ocorreu na tarde desta segunda-feira. À frente do município desde 2009 e, reeleito em 2012, o peemedebista deu adeus à prefeitura em entrevista coletiva, que reuniu o vice, imprensa, secretários e assessores. 

O prefeito falou sobre o novo desafio à frente da pasta da Segurança. Enquanto ele dava entrevista, um protesto acontecia na entrada do prédio da SUCV (leia abaixo) da familiares de vítimas da boate Kiss. Schirmer reafirmou que a nova função é o maior desafio de sua vida pública. 

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Apesar das críticas que vem recebendo de diversos setores da sociedade, consideradas "normais", pediu, de novo, um voto de confiança e assegurou que acredita ser possível melhor a segurança no Estado: 

– Aceitei a missão do governador e espero que os conterrâneos santa-mariense mais do que apoio, que rezem à Nossa Senhora Medianeira e a Deus para que me iluminem, para que eu possa decidir com sabedoria e inteligência.

Farret deu um recado: "não esperem muito de mim". Ele, que já foi prefeito por duas vezes, afirmou que fará "uma política de feijão com arroz". Dessa maneira, assegurou que sua função será dar a continuidade do que está em andamento e às demandas da cidade. Farret acrescentou que Schirmer foi "o melhor prefeito que Santa Maria já teve".

Sobre a cidade

Schirmer disse que sai da prefeitura com uma frustração: não ter deixado a cidade mais "bela", com praças e outras espaços públicos melhores conservados, mais arborizados e com mais canteiros de flores. Ele disse que a população deve ser proativa e se envolver no combate à depredação e ao vandalismo. 

Sem pacote de medidas

Ainda na manhã desta segunda, Schirmer reuniu-se com a cúpula da segurança pública, na Capital. Ele destacou a criação de vagas no sistema prisional como a prioridade para estancar a onda de violência que atemoriza os gaúchos. Trata-se de uma das três determinações do governador Sartori (PMDB) ao colega, além da superação de entraves burocráticos para concretizar medidas anunciadas anteriormente e o aumento do policiamento nas ruas. 

Schirmer reconheceu a urgência de aumentar a segurança, mas não indicou de que forma as vagas prisionais podem ser ampliadas de forma imediata. Na última sexta, Sartori anunciou o chamamento imediato de 770 policiais e 220 agentes da Polícia Civil – os servidores deveriam assumir em janeiro. 

Schirmer não respondeu de que forma se dará a convocação, uma vez que, imerso em uma crise financeira, o governo tem parcelado salários do funcionalismo mês após mês. 

Familiares protestaram 

Enquanto Schirmer passava o comando de Santa Maria ao vice José Haidar Farret (sem partido), no 3º andar do prédio da SUCV, dois andares abaixo, no térreo da sede do governo, um grupo de pouco mais de 20 pais de vítimas do incêndio da Kiss realizava um protesto. 

Os pais reiteravam um mesmo entendimento: o inconformismo com a nomeação de Schirmer, prefeito à época da tragédia da boate Kiss, que matou 242 jovens. A revolta e a indignação davam o tom das palavras que tentavam ecoar, sem sucesso, até o gabinete de um prefeito que se despedia antes do fim do mandato. 

Um cordão de seis guardas municipais impedia o acesso de pais até o local em que Schirmer falava à imprensa. Marta Beuren, mãe de Silvinho, jovem de 31 anos que morreu no incêndio, gritava e repetia, até quase perder a voz, a frase:

– Enterrar um filho não tem perdão, Schirmer! 

Dentro do gabinete, Schirmer manteve a mesma postura quando questionado sobre a Kiss: alegou que a prefeitura foi isenta pela Justiça. O peemedebista disse "entender" e se "solidarizar" aos pais, mas não avançou em um pedido de desculpas, que era o que os familiares esperavam dele em um último ato como prefeito.

– Não são críticas novas, mas os fatos estão aí: não há ninguém da prefeitura respondendo. Há uma tentativa de manipulação política de uma tragédia. Talvez um dia eu me manifeste...

Contrariedade

Até as 19h desta segunda, os pais aguardavam no saguão da SUCV para falar com Schirmer, o que não ocorreu e foi lamentado por Sérgio Silva, presidente Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM):

– O último ato dele foi o de dar as costas a mães sofridas. A nomeação dele me soa como absurda, vexatória e surreal.

 
 

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