UFSM prevê cortes de até 30%  - Diário de Santa Maria

Orçamento para 201712/08/2016 | 07h06Atualizada em 12/08/2016 | 07h06

UFSM prevê cortes de até 30% 

Pró-reitorias já avaliam os possíveis cenários e as implicações de um novo contingenciamento 

UFSM prevê cortes de até 30%  Maiara Bersch/Agencia RBS
Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS

O governo federal prevê cortar até 45% dos recursos previstos para investimentos nas universidades federais em 2017 na comparação com o orçamento deste ano, de R$ 6,7 bilhões. Já o montante estimado para custeio deve ter queda de cerca de 18%. Segundo cálculos de gestores, serão cerca de R$ 350 milhões a menos em investimentos para as 63 federais – na comparação com os R$ 900 milhões previstos para o setor neste ano. 

Corte de verbas ameaça rotina da UFSM

As instituições já vivem grave crise, com redução de programas, contratos e dificuldades para pagar as contas. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) também está na rota dessa tesourada proposta pelo governo interino de Temer. 

Obras já iniciadas na UFSM não devem parar mas verba vem a conta-gotas

A instituição estima que, se isso vier a se concretizar, a redução será de 30% em custeio (limpeza, luz, manutenção, vigilância) e também em investimentos (obras). A instituição ainda não faz estimativas, em valores, de quão grave seria o corte. 

Porém, não é de agora que a UFSM convive com indefinições e incertezas. Desde 2014, a federal sofre com cortes, contingenciamento e retração. Em março, a União anunciou uma projeção de tesourada que pode chegar a 60% nos investimentos e a 20% no custeio este ano. O impacto desse contingenciamento – que deve se confirmar ao longo do ano – impactará em R$ 57,3 milhões a menos para obras e custeio na UFSM.

Reitor da UFSM vai a Brasília tratar sobre corte de verbas

Só que, para 2017, esse possível recrudescimento é visto com apreensão e, principalmente, com muita preocupação pelo reitor da UFSM, Paulo Burman:

– De momento, o que se pode dizer é que, até o fim do ano, está tudo mantido, mesmo com dificuldades. Já para 2017 fica um grande ponto de interrogação.

Orçamento destinado à UFSM ficou mais escasso nos últimos anos

Impactos

Um novo contingenciamento, em 2017, coloca em xeque as projeções de expansão da UFSM do campus de Cachoeira do Sul (que ainda precisa de um aporte significativo de recursos) e, inclusive, a continuidade das 60 obras em execução no campus de Camobi e nos demais campi.

A assistência estudantil – benefícios como moradia estudantil, bolsas alimentação, estudantil, e de transporte – poderia, dessa vez, ser cortada pela União. Isso preocupa Burmann:

– Seria algo inimaginável. 

Toda essa projeção, que ainda pode ser revista, será integrada à Lei Orçamentária Anual. A LOA deve ser enviada ao Congresso, neste mês, onde será apreciada pelos políticos. A matéria poderá ser aprovada, vetada ou, até mesmo, receber emendas.

Sem detalhamento

O MEC não detalha as cifras específicas de custeio e investimento. A pasta argumenta que a previsão atual é realista, "diferente de anos anteriores, em que o orçamento passou por contingenciamentos". A situação é vista com apreensão pelo reitor da UFSM, Paulo Burmann, que espera que o governo federal não seja tão severo com o ensino superior público. 

– A esperança está no Congresso que pode rejeitar essa tesourada. Esperamos uma sensibilidade do governo – avalia Paulo Burmann, reitor da UFSM.

Mais vagas, menos verba

As federais vivem cortes de verbas desde o fim de 2014 e sofrem com a inflação elevada. O avanço das cotas nas federais – neste ano, as instituições devem distribuir 50% das vagas entre alunos pobres, pretos e pardos – trouxe grupo mais diverso ao Ensino Superior público. Com isso, cresceu a pressão por verbas de assistência estudantil. 

O sistema federal de Ensino Superior teve forte aumento na quantidade de vagas na graduação. Em 2014, dado mais recente disponível, havia 1,180 milhão de alunos na rede. Em 2004, as instituições federais reuniam 574 mil matrículas.

Para sair da crise

A restrição do dinheiro de investimento sinaliza dificuldades para melhorar ou expandir a infraestrutura. Na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), em Minas Gerais, a criação do novo curso de Medicina em Ipatinga está emperrada.

– Ainda não começamos a obra desse campus por falta de recursos – diz o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Ufop, Rodrigo Bianchi.

Em nota, o MEC informou que "a iniciativa se alinha ao equilíbrio fiscal para que o país saia da crise". Segundo a pasta, o orçamento de 2016 previa R$ 7,9 bilhões. 

Mas um contingenciamento, feito ainda na gestão Dilma Rousseff, impôs redução de 31%, ou R$ 2,4 bilhões. A gestão interina de Michel Temer disse ter resgatado R$ 1,2 bilhão desse montante cortado para as universidades neste ano. 

Para 2017, o MEC afirmou que os valores previstos "serão cumpridos na totalidade". A pasta reafirmou "seu compromisso com o ensino superior do país".

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMBrigada Militar apreende 300 kg de carne em São Francisco de Assis https://t.co/3KxriyfNP6 https://t.co/BUrKqydgcphá 12 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMMPF instaura inquérito civil para investigar causas do acidente com avião da Chapecoense https://t.co/HWtEbVVBgw https://t.co/3cwYP3wtHYhá 14 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros