Produção maior de leite nos próximos meses pode segurar alta dos preços  - Diário de Santa Maria

Do campo à cidade09/08/2016 | 06h30Atualizada em 09/08/2016 | 06h30

Produção maior de leite nos próximos meses pode segurar alta dos preços 

Baixa rentabilidade no ano passado e pressão no custo e na qualidade da alimentação prejudicaram produção no país

Produção maior de leite nos próximos meses pode segurar alta dos preços  Tadeu Vilani/Agencia RBS
Leite longa vida teve uma forte alta em 2016, principalmente em julho Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Há uma boa e uma má notícia para o consumidor. Motivo de recorrentes queixas nas últimas semanas, o preço do leite provavelmente está próximo do topo. Ou seja, sem espaço para subir muito mais, depois de uma alta que levou o UHT, por exemplo, a atingir no atacado um preço médio recorde de R$ 4 em julho no Estado de São Paulo, uma escalada de 80% no ano. Mas o ruim é que, até agora, nada indica que os valores encontrados nas gôndolas voltem abaixo de R$ 3, como no final do ano passado.

A disparada do preço do leite, causada pela queda da produção no país, tem duas causas principais. A primeira foi a baixa rentabilidade da atividade ano passado, o que levou criadores a diminuírem rebanho ou mesmo cortar investimentos, principalmente em alimentação, devido à alta de insumos como ração _ o que impactou na perda de produtividade por animal. Este ano também pesou o fator climático, como falta de chuva em regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste, e excesso de frio no Sul, o que atrasou o desenvolvimento das pastagens.

A expectativa no mercado é que a produção volte a subir neste mês, mas ainda em patamares abaixo da mesma época do ano passado.

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— Acreditamos que o preço do longa vida chegou a um pico e, para os próximos meses, esperamos estabilidade. No médio prazo, uma redução porque a curva de produção deve subir — avalia Juliana Pila, zootecnista e analista de mercado de leite da Scot Consultoria, que entretanto vê poucas chances de os preços ao consumidor retornarem abaixo de R$ 3.

No Estado, segunda maior bacia leiteira do país, a expectativa é semelhante. O presidente Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, lembra que agosto e setembro costumam ser os meses de melhor produção no ano, mas no primeiro semestre a captação já foi 6% inferior a igual período do ano passado e a expectativa é chegar ao final de 2016 com um volume 3% menor que 2015. 

Com dados de sete Estados, o índice de captação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), mostra que, após uma queda acumulada de 20% no ano até maio, as indústrias tiveram uma melhora tímida de 1,42% em junho, com a ajuda principalmente do Sul, a partir da consolidação das pastagens. Mesmo assim, a aposta dos laticínios e cooperativas ouvidos pelos pesquisadores do Cepea é de que a baixa oferta de matéria-prima ainda possa pressionar as cotações em agosto.

— A produção no Rio Grande do Sul subirá em agosto e setembro, mas em um patamar abaixo de igual período do ano passado — ressalta Guerra.O dirigente também considera improvável que os preços ao consumidor retrocedam este ano aos níveis verificados ao final de 2015. 

Levantamento da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) mostra que, na média, o preço do leite longa vida integral no Estado chegou a R$ 3,79 na última semana de julho, alta de 70% no ano.Guerra avalia que, frente à expansão dos custos, valores inferiores desestimulariam ainda mais os criadores, levando à uma queda maior na produção no futuro, o que poderia levar o consumidor a pagar bem mais caro.

O desestímulo à produção leiteira no país, que desembocou nos preços atuais ao consumidor, foi causado pela perda de rentabilidade. Levantamento da Scot Consultoria mostra que, ano passado, a atividade teve o pior resultado em termos de margem entre os todos os segmentos analisados da agropecuária. Em propriedades de alta tecnologia, a rentabilidade caiu de 7,9% no país em 2014 para 1,7% ano passado. No caso das de baixa tecnologia, o prejuízo foi maior, de 7,6% em 2015.

Outro levantamento realizado pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra um quadro semelhante. No ano, os custos aumentaram 3% e, as receitas, 16%. Mesmo assim, aponta o assessor econômico do Sistema Farsul, Antônio da Luz, os pecuaristas permanecem trabalhando no vermelho.

— Na média do ano o prejuízo é de R$ 0,11 por litro, levando em conta o custo operacional total, que inclui todos os desembolsos mais depreciações — detalha o economista.


 
 

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