"Estamos no fundo do poço", diz pesquisador sobre violência no RS - Diário de Santa Maria

iRS11/08/2016 | 21h12Atualizada em 12/08/2016 | 00h00

"Estamos no fundo do poço", diz pesquisador sobre violência no RS

Impacto dos índices de criminalidade na qualidade de vida do Estado foi tema do segundo encontro do iRS Debates

"Estamos no fundo do poço", diz pesquisador sobre violência no RS André Ávila/Agencia RBS
Pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS, Rodrigo de Azevedo (com microfone), foi um dos palestrantes do evento Foto: André Ávila / Agencia RBS

O segundo encontro da série iRS Debates, realizado na sede do Grupo RBS, nesta quinta-feira, teve como tema o impacto da violência no desenvolvimento do Rio Grande do Sul, já que o Índice de Desenvolvimento Estadual — Rio Grande do Sul (iRS) versão 2016, com dados de 2014, divulgado no dia 25 de julho, apontou recuo do quesito que avalia longevidade e segurança no Estado.

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A consequência deste resultado é a estagnação na qualidade de vida. Para discutir o tema, sob mediação do jornalista de Zero Hora Rodrigo Lopes, foram convidados o presidente da CDL, Alcides Debus, e o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS, Rodrigo de Azevedo.

— O consumo é influenciado sim pela segurança ou a falta dela. No Rio Grande do Sul, temos enfrentado uma situação crescente homicídios dolosos que nos preocupa — salientou Azevedo.



Debus complementou dizendo que a insegurança reflete diretamente no cotidiano das pessoas, que precisam reavaliar suas atividades:_ A falta de segurança pesa na circulação de pessoas nas ruas, na frequência escolar, na venda do comércio. Esse resultado tem influência negativa para toda a sociedade.

Questionado pela colunista de Economia de Zero Hora, Marta Sfredo, sobre os reais impactos da crise na segurança para o comércio, Debus lembrou que o medo de praticar as atividades rotineiras pode causar um efeito em cadeia na sociedade:

— Se a creche não funcionar, o pai ou a mãe não podem ir trabalhar para ficar com a criança. Com isso, o salão onde eles trabalham, por exemplo, não pode abrir, e aí começa toda uma cadeia.

Preocupado, Azevedo salientou que as soluções para resolver a problema são complexas e que não há um único responsável.

— Na minha opinião, estamos, sim, no fundo do poço em segurança pública, pois não há perspectiva de saída a curto prazo.

O iRS é realizado em parceria por Zero Hora e PUCRS, com apoio institucional da Celulose Riograndense, desde 2014, e pondera o desempenho de todos os Estados e do Distrito Federal em três dimensões: padrão de vida, educação e, reunidos, longevidade e segurança. Com foco na vida real e formato simplificado, o índice tem o mesmo referencial teórico do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). É o único índice com atualização anual do Brasil calculado por Estado. A iniciativa se conecta com o novo posicionamento de ZH, ¿Perto para entender. Junto para transformar¿, lançado recentemente e que reforça o compromisso da marca de estar próxima dos gaúchos e atuar pelas causas do Rio Grande do Sul.

Em 2014, ano dos dados mais recentes disponíveis, o Rio Grande do Sul ficou com pontuação de 0,672 — atrás apenas de São Paulo, Distrito Federal e Santa Catarina —, mas perdeu qualidade de vida em relação a 2013, quando alcançou 0,675. A causa principal foi a queda no aspecto que leva em conta a segurança dos cidadãos, com recuo de 4,1% em comparação ao ano anterior. É a maior queda anual do Estado em toda a série histórica do índice.

Com o resultado, o Estado permanece em terceiro lugar na categoria, depois de ocupar a segunda posição durante oito anos e ser ultrapassado por Santa Catarina em 2013.A melhora mais visível do Estado ocorreu na variável padrão de vida, que avalia o bem estar relacionado ao conforto das pessoas. O Rio Grande do Sul subiu de 0,636 para 0,647 e manteve o quinto lugar entre as unidades da federação. No que se refere à educação, permaneceu em sétimo na lista. O último dos três debates sobre o desenvolvimento do Estado está previsto para 30 de agosto.

*Zero Hora

 

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