600 moradores ouvidos elegem as prioridades dos 41 bairros - Diário de Santa Maria

Diário nos Bairros: Eleições 201606/06/2016 | 06h11Atualizada em 06/06/2016 | 14h26

600 moradores ouvidos elegem as prioridades dos 41 bairros

Durante três meses, a repórter Lizie Antonello percorre as comunidades para identificar os principais anseios e ajudar o próximo prefeito a fazer a diferença na vida dos moradores

600 moradores ouvidos elegem as prioridades dos 41 bairros Arte DSM / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte DSM / Agência RBS / Agência RBS

O que o próximo prefeito poderia fazer pelo local onde você mora que faria a diferença na sua vida, na do seu vizinho, de todo o bairro? Em busca dessas respostas, desde abril, o projeto Diário nos Bairros – Eleições 2016 está percorrendo os 41 bairros da cidade. Até o fim de julho, a equipe de reportagem seguirá pelas ruas, totalizando cerca de 600 moradores ouvidos nos quatro cantos da cidade. 

Os moradores do bairro Tomazetti querem segurança

A série prevê reportagens sobre a demanda principal de cada região da cidade e a prioridade que liderou o ranking de reivindicações, considerando todos os bairros visitados. As prioridades das 41 comunidades serão enviadas aos candidatos a prefeito, solicitando que eles apresentem propostas concretas e específicas para cada pedido. A partir do próximo ano, a intenção é acompanhar, de forma sistemática e contínua, o que o prefeito eleito está fazendo para cumprir suas promessas à comunidade.

Encontramos problemas crônicos que não estão atrelados a um governo específico. São situações pontuais que estão esperando soluções do Executivo há anos, até décadas. Ao longo do caminho percorrido, a reportagem conversou com eleitores santa-marienses envoltos em desesperança, desinteresse e descrença na política e nos políticos. São pessoas como o seu Elvio Mota Nielsen, 56 anos. – Se foi a esperança de algum dia melhorar – lamentou o morador do Parque Residencial Jardim Berleze, no bairro Diácono João Luiz Pozzobon, diante da rua de chão batido, sem rede de esgoto e com iluminação precária.Para o professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM e cientista político Dejalma Cremonese, esse sentimento é reflexo do momento político atual:– Temos muitos vícios incorporados no Brasil em nível macro que acabam respingando no local, e essa descrença atinge o eleitor comum que não vê uma resolução dos problemas na cidade.

Porém, também na nossa jornada, encontramos cidadãos que acreditam na força do voto e creem em dias melhores. Exemplo disso é o seu Adão Alves de Andrade, 79 anos. Como já passou dos 70, ele não é mais obrigado a votar. Mesmo assim, em 2 de outubro, o funcionário público aposentado do bairro Tomazetti irá à urna para ajudar a escolher o futuro prefeito:– Quero votar para ajudar a quem vai ficar. Eu sou teimoso. Gosto de ver as coisas direitas.

A atitude de seu Adão remete ao real conceito de política, segundo Cremonese, ''aquela pessoa que se preocupa com os problemas do bairro, da cidade, de uma forma mais coletiva, mais ampla.'' De modo geral, as pessoas não têm a concepção de bairro, esse conceito parece um pouco distante delas. A maioria pensa no núcleo mais perto, na sua rua. Por isso, a prioridade pode divergir de uma rua para a outra.

– As pessoas estão mais preocupadas com o imediato e com aquilo que as afeta diretamente. A ideia do bairro é a partir delas, não pensam nele como um lugar mais amplo, de convivência, que tenha coisas que sejam de todos – analisa Valdo Barcelos, professor da UFSM na área de Educação.Segundo Barcelos, mesmo que o desejo expresso da pessoa beneficie todo o bairro, como no caso de um posto de saúde, isso parte de um desejo individual.

– Essa relação entre individual e coletivo é difusa. Não há como delimitar onde termina um e começa o outro. E não cabe fazer julgamento porque é a necessidade da pessoa. Algumas (prioridades) acabam repercutindo coletivamente – avalia Barcelos.

Da esquerda para direita, moradora Nilvia Anívia Dumke falando sobre o bairro com a repórter Lizie Antonello, acompanhada pelo motorista Fabiano Martins Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Falta tanto e tão pouco

Ao percorrer os bairros e conversar com os moradores, é possível observar uma diferença enorme da realidade de um local para o outro. Em alguns, onde existe infraestrutura, os problemas acabam sendo pontuais, como insegurança. Em outros, falta tanto do básico, como calçamento, rede de esgoto, creche, posto de saúde, iluminação pública, que fica difícil priorizar apenas uma coisa, como relata um morador do bairro Lorenzi.

– Espero que ele (prefeito) consiga colocar pedras nas ruas, arrumar a iluminação pública, colocar água aqui e rede elétrica – disse o pedreiro Nilo Eduardo Silva Alves, 40 anos.

Os pedidos do seu Nilo e tantos outros cidadãos ouvidos pelo Diário estão direcionados à pessoa certa. É dever do prefeito elaborar políticas públicas de educação, saúde, moradia, saneamento básico, entre outras demandas. É obrigação dele também garantir o pleno funcionamento dos serviços considerados essenciais à população. Cabe a ele, ainda, fazer acordos com os governos estadual e federal, pedindo auxílios quando for necessário, e tomar decisões que mantenham a cidade funcionando. Para isso, ele precisa do apoio dos vereadores e, também, contar com a ajuda de secretários e colaboradores capazes de desenvolver os projetos e as metas estabelecidas. Por tudo isso, é tão importante escolher, entre os candidatos, aquele que você acha que melhor atenderá aos interesses da cidade.

O eleitor também precisará fazer a sua parte, ou seja, deve conhecer o orçamento municipal e verificar o andamento das obras e outras realizações do governo. Cabe ao cidadão, também, o papel de fiscalizar e pressionar para que as promessas de campanha e as metas da gestão sejam efetivamente cumpridas.– 

Na nossa jovem e frágil democracia (28 anos), não tivemos uma cultura democrática de fortalecimento das instituições democráticas, de partidos livres, de uma mídia livre. Isso acabou fragilizando a nossa democracia e o próprio conceito de política, mas temos de seguir errando, acertando. Sem política, não há sociedade, não há salvação. Temos que votar em pessoas comprometidas com a sociedade. Não vender o voto, não anular. Podemos errar tentando, mas não nos omitindo. A pior democracia é melhor do que qualquer ditadura – reflete o professor e cientista político Dejalma Cremonese.

O resultado deste complexo levantamento será apresentado a partir de hoje no Diário e segue até agosto. No que isso vai ajudar a melhorar a vida dos santa-marienses? Dependerá do comprometimento de quem assumir a gestão em janeiro de 2017 para governar a cidade pelos próximos quatro anos. 

– Prioridade seria que o candidato dissesse o que, com certeza, pode fazer. Que tivesse dom da política, fazer algo pelo próximo, e não se elegesse só para ter vantagem – aconselha o cabeleireiro Cloves Moraes, 53 anos, do bairro Uglione.


 

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