Pioneiro na locação de filmes em Santa Maria relembra os tempos áureos do VHS - Cultura e Lazer - Diário

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Entrevista12/09/2017 | 10h32Atualizada em 12/09/2017 | 10h32

Pioneiro na locação de filmes em Santa Maria relembra os tempos áureos do VHS

Renato Rios, o Bobby, fala sobre os rumos de sua vida depois de encerrar os empreendimentos

Pioneiro na locação de filmes em Santa Maria relembra os tempos áureos do VHS Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Amante do cinema e de boa música, Renato Rios, 65 anos, levou suas paixões para a profissão. Formado em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi pioneiro ao trabalhar com sistema de vídeo e som e na locação de filmes em VHS. Na época, ficou conhecido como Bobby, e chegou a ter três locadoras de vídeo. Também esteve à frente de loja de discos, fitas e CDs e de uma empresa de sonorização. 

Acompanhando a moda da gurizada na década de 1990, investiu, também, na locação de videogames. Hoje, Renato segue com parte de seu acervo e comercializa relíquias do passado pela internet e em sua própria casa. Confira a entrevista com um dos grandes nomes do entretenimento local.

Diário – De onde vem esse perfil empreendedor?
Renato Rios – Nasci em Santa Maria, no bairro Itararé, em uma família que, durante muitos anos, atuou na área comercial. Tivemos várias lojas no centro da cidade e foi em uma delas que, em 1973, que iniciei na venda de discos e fitas. Pouco tempo depois, comercializávamos também aparelhos de som e imagem. Paralelamente,criei uma empresa individual para sonorização de festas e eventos, pioneira em Santa Maria, a Bobby Som Sonorizações.

Diário – Como começou a trabalhar com VHS?
Renato – Gostava muito de ir ao cinema como diversão.Já estando no ramo do comércio, e com a chegada do videocassete,vi a oportunidade de entrar no ramo do entretenimento e abri uma locadora de vídeo,pois tudo indicava que o futuro era promissor.Foi em 1986 que inaugurei a primeira locadora de vídeo, no 6º andar do edifício Rio da Prata,a Bobby Vídeo. Posteriormente, mudei essa locadora para o térreo do edifício da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism). A segunda, no Bairro Dores,e a terceira na Avenida Presidente Vargas. Acredito que foi o hábito de ler jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo,os quais meus familiares traziam das viagens,que fez com que eu percebesse e acrescentasse novos ramos de entretenimento: locação de games e até de CDs.

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Foto: arquivo pessoal / arquivo pessoal

Diário – Como foi fechar esse empreendimentos?
Renato – Com um estoque em torno de 8 mil fitas nas minhas locadoras, uma concorrência acirrada, e o surgimento dos filmes em DVD, em 2001, me coloquei frente a uma difícil tomada de decisão: parar ou começar a comprar tudo de novo em DVD? Sempre atento às novas tecnologias, muitas delas estrangeiras, percebi que a TV a cabo já era uma realidade e poderia se tornar uma ameaça a este novo ramo. A pirataria também. Por isso, optei em parar.

Diário – Você sente falta daquela época?
Renato – Não sou muito saudosista. Mas me orgulho muito do que fiz,pois ofereci muita alegria e diversão às pessoas durante muito tempo.

Diário – E hoje, é sua rotina? Você trabalha com o quê?
Renato – Ainda hoje continuo a proporcionar entretenimento aos que me confiam suas fitas de vídeo pessoais e que reconhecem a dedicação com que faço o serviço de cópia e conversão para DVD. São casamentos, e formaturas que, agora, podem ser assistidos novamente. Trata-se de um serviço difícil, pois trabalho com aparelhos de videocassete que não são mais fabricados, fitas de vídeo nos mais diversos estados de conservação e programas de computador bastante complexos.

Renato Rios Bobby Som
Foto: arquivo pessoal / divulgaçao

Diário – Você ainda tem parte do acervo das locadoras? Ainda comercializa?
Renato – Ainda tenho cerca de 6 mil fitas VHS com os melhores filmes que já estiveram nos videocassetes de muitas residências.Sou procurado por meio da internet por colecionadores de filmes de todo o Brasil. Qual a razão? Para esses colecionadores,o que interessa é ter o título que deseja e em qualquer formato. Como nem todos os filmes que foram lançados em videocassete saíram posteriormente em DVD,o filme em fita VHS os substitui.

Diário – E quais seus planos futuros para esse acervo?
Renato – Pretendo selecionar os filmes emVHS que não foram lançados em DVD, que ainda têm certo valor comercial, e me desfazer do restante.Comunicarei aos interessados.Se não surgirem, só haverá um caminho: descartá-los.E serão Titanics,Robocops,E.T.s,Superhomens, Batmans,Indiana Jones,Senhores dos Anéis,Corações Valentes,Pequenas Sereias,101 Dálmatas.Tenho apenas uma certeza: terei muita tristeza em me desfazer deles.

 

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