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Coluna Moda23/09/2017 | 16h37Atualizada em 23/09/2017 | 16h37

Moda sem gênero e empoderamento

Colunista traz exemplos de marcas que trabalham a moda com respeito e pluralidade

Pra finalizar um ciclo (feliz!) de colunas neste espaço, achei que seria importante relembrar qual foi a minha intenção com os textos que produzi por aqui: mostrar que as práticas de consumo de produtos e serviços de moda funcionam como espaço privilegiado para a construção de identidades (de classe e gênero) e de estilos de vida, apresentação individual e coletiva, demarcação de fronteiras simbólicas, signo de status e, principalmente, forma de resistência, inclusão, pertencimento e quebra de estereótipos. 

Já falei algumas vezes sobre as proximidades entre moda e política (afirmação pessoal e expressão de ideias e ideais), né? Dei até alguns exemplos, como a Brusinha & Cia, uma marca que trabalha a moda sem gênero e para todos os tipos de corpos. Por perceber que a ruptura de padrões de produção - e consumo - na moda ainda causa certo estranhamento em algumas pessoas, fiquei com vontade de falar novamente sobre o assunto e trazer outras marcas que estão trabalhando o lado político e ativista na moda

É um mercado? Sim. Visa o lucro? Óbvio! O que não quer dizer que não possa também promover a inclusão, desconstruir padrões ou propor um consumo mais consciente. (E não, aqui não tem jabá. São marcas/estilistas que eu conheço, compro ou apenas esbarrei pela internet da vida.) Vamos a elas?

A NOMAD Genderless foi lançada aqui em Santa Maria em agosto e também tem a proposta de uma moda sem gênero. Comandada pelo designer de moda e diretor de produto Àlisson Fernandez e pelo diretor de marca Cássio Aguiar, o objetivo é ir "além do estilo", buscando nas origens dos mais diversos povos a inspiração para criarem camisetas exclusivas e sem divisão de gênero: 

Foto: Nomad Genderless / Divulgação

" Vender camisetas é apenas a forma que encontramos de dar um passo em direção as mudanças que ocorrem no mundo, de realmente fazermos a diferença, manifestando que qualquer pessoa possa vestir-se como quiser. Fazemos camisetas sem gênero, pois é através delas que a NOMAD Genderless mostra que se vestir também é sinônimo de empoderar. Sem rótulos, quebrando tabus"

A coleção de estréia Collection 001, com muitas cores, bordados e grafismos, busca ir na contramão da ideia de que uma coleção de roupas sem gênero deveria ser neutra, com tons pasteis, sem estampas ou com tecidos mais básicos.

Fonte: Nomad Genderless, de Julien Moretto  (Lumien Films)


Outra marca bacana que se preocupa com a diversidade dos corpos, propondo uma moda "all sizes" é a Chica Bolacha, já citada pela minha colega Letícia Sarturi em outra coluna. A bandeira de mãe e da filha que comandam a loja desde 1999 é que o "estilo não é medido de acordo com o seu manequim". Elas produzem todas as peças da loja também em linha plus size, e acreditam "em uma moda democrática, onde todas as meninas, do manequim 38 ao 60, possam usar a mesma roupa, independente do seu tamanho". 

Foto: Chica Bolacha
Foto: Chica Bolacha / Divulgação

Essa é a mesma intenção da marca de moda feminina Toda Frida, de Santa Catarina, que é composta 80% por mulheres. Para elas, "a moda é uma poderosa arma de empoderamento feminino", por isso, tudo é produzido do tamanho PP ao 3G, seguindo a linha da #modaparaempoderar.

Foto: Toda Frida / Divulgação

Nos últimos anos, as reflexões sobre o modelo de consumo desenfreado a que estamos expostos e que acabamos naturalizando também tem aumentado (ainda bem!). Uma moda menos descartável é possível, e é isso que mostra a Insecta Shoes - que tem como lema #CalceUmaCausa. Eles produzem sapatos veganos, ecológicos e unissex, a partir de roupas vintage e tecidos de garrafas pet recicladas. O reaproveitamento e a causa animal são os pilares da marca gaúcha, que também salienta que promove condições dignas de trabalho a seus funcionários. 

As coleções são pensadas mensalmente, sempre à procura de itens que provavelmente não serão mais usados. Na Insecta, temos o objetivo de criar uma comunidade de pessoas que trabalham juntas, e nós acreditamos que é o nosso papel incentivar pequenas revoluções em cada um de nós.

Foto: Insecta Shoes / Divulgação

Outra marca que prioriza matérias primas de fibras naturais feitas 100% no Brasil e que tem como bandeira os direitos dos animais é a Ada, das sócias Camila Puccini e Melina Knolow. Elas também propõem uma moda mais minimalista e menos ligada em tendências por estação, que, segundo elas, acabam promovendo o consumo e descarte desenfreado de produtos. Logo, não existem coleções na Ada. Novos modelos são lançados periodicamente e cada um tem uma tiragem entre 10 e 50 unidades. O nome da marca, inspirado em Ada Augusta Byron King, que criou o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, "dá o tom da marca que homenageia mulheres da história". 

Foto: Ada / Divulgação

E falando em mulheres... 

A Heroicas é uma loja de camisetas "sobre mulheres e para mulheres", que acredita que as t-shirts não são apenas simples peças de roupas, mas sim poderosos meios de comunicação. Elas produzem peças com frases que espelham ideias de empoderamento e estampas de mulheres poderosas que fizeram história.

"Usá-las é uma maneiras de mostrarmos ao mundo aquilo de que gostamos, de exibirmos com orgulho uma parte de nós.”  

Foto: Heroicas / Divulgação

Esse é o mesmo objetivo de Sabrina Zanini, estilista e diretora da Mana´s, uma marca de moda feminista que também procura "dar voz ao grito de mulheres que fizeram a diferença e deixaram sua marca na sociedade, e ainda hoje são fonte de inspiração para outras mulheres". Sabrina me contou que o incentivo para criar a Mana's vem da sua busca, como estilista, por um novo comportamento de consumo, mais consciente e engajado, tendo a sororidade como foco principal. 

"Mulheres que se valorizam e respeitam, independentemente dos padrões impostos pela nossa sociedade. Acredito no poder que a moda tem de comunicar e transformar, por isso, resolvi  resgatar o legado de mulheres extraordinárias e desenvolver uma coleção onde elas são retratadas em estampas exclusivas que são verdadeiras obras de arte. Encontrei uma forma acessível de fazer a moda que eu acredito, por mim, pela minha filha e pelas mulheres do mundo inteiro!"

Foto: Mana's / Divulgação

Conhece mais alguma marca bacana e quer me indicar? Vou adorar! Afinal, conhecer novos profissionais do mercado da moda que buscam o respeito, a liberdade, a pluralidade e a democratização de um sistema que ainda caminha a passos curtos para a inclusão, não cai mal a ninguém.

 

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