Cartunista Máucio conta sua trajetória como desenhista, escritor e professor - Cultura e Lazer - Diário

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Entrevista09/09/2017 | 14h30Atualizada em 09/09/2017 | 14h51

Cartunista Máucio conta sua trajetória como desenhista, escritor e professor

Mário Lúcio Bonotto Rodrigues é também responsável pelo blog de papel Massa Folhada

Cartunista Máucio conta sua trajetória como desenhista, escritor e professor Gabriel Haesbaert/NewCo DSM
Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

O cartunista, escritor e professor santa-mariense Mário Lúcio Bonotto Rodrigues passou a ser conhecido por Máucio nos anos 80, quando foi cursar Comunicação Visual pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O apelido – sugerido pelo amigo Heron Medeiros – serviu de nome artístico para assinar os bem-humorados cartuns que identificam sua arte até hoje. Casado com a professora Fernanda Gabriela Santos, Máucio é pai de Luciano, 5 anos, e Francisco, 2. Para ele, a paternidade é algo para vivenciar a cada momento. Na entrevista a seguir, o professor fala de memórias, mudanças, emoções e, claro, de arte.

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Diário – Mudanças foram importantes na sua história?
Mário Lúcio Bonotto Rodrigues –
Com certeza. Quando a gente resolve mudar o curso de algumas coisas, tudo passa a dar certo. Primeiro foi a profissão. Fiz teste de aptidão e sempre dava algo relacionado à arte, como Arquitetura. Mas, como não tinha o curso aqui em Santa Maria, fui para as Exatas. Os cursos eram excelentes, mas não era o que me fazia feliz. Aconselhado pela professora Sandra Lopes Knackfuss, que depois virou minha colega, fui para a Comunicação Visual.

Com a mulher, Fernanda, e os filhos Luciano, 5 anos, e Francisco, 2  Foto: arquivo pessoal / arquivo pessoal

Diário – E logo veio o pseudônimo?
Máucio –
Eu ainda nem publicava quando o Heron viu meus desenhos e sugeriu que eu tivesse um nome diferente. A primeira vez que ouvi "Máucio" achei engraçado, até feio. Logo, apareceu uma oportunidade de eu publicar uns cartuns no jornal Tchê!, de Porto Alegre, no qual Santiago, Edgar Vasques e Luis Fernando Verissimo apareciam também. Perguntei ao diretor, o jornalista Airton Ortiz, o que ele achava de eu assinar como Máucio. Ele gostou e assim ficou. Foi engraçado. Para os amigos antigos, familiares e parentes eu era o Mário Lúcio. Já no jornal e nas coisas concernentes ao Desenho Industrial, eu era Máucio. Duas fases, dois nomes. Mudar foi bom!

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Diário – Nesses novos rumos, você morou em São Paulo e em Porto Alegre...
Máucio –
Morei fora para trabalhar e estudar. Sempre mantive o carinho pela cidade e pelo bairro onde nasci. Na adolescência, joguei futebol, corri muito pelos campinhos dos bairros Itararé e Rosário. Cheguei a disputar campeonatos municipais, embora nem todos acreditem (risos). Tenho, inclusive, ficha de atleta amador. No mesmo ano em que me formei (1985), fui para São Paulo, onde morei até 1990. Lá, trabalhei na área de Desenho Industrial e ingressei no mestrado da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). O concluí na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Foto: arquivo pessoal / arquivo pessoal

Diário – Como é ser professor?
Máucio –
Ser professor me dá muita satisfação. Busco ser um educador que tira os alunos das quatro paredes da sala de aula. Desenvolvi na UFSM alguns projetos inesquecíveis, entre eles, o Projeto Recriar – Carrinhos de Lomba, um sonho que durou 10 anos. Era interessante ver a comunidade envolvida. Pais, alunos e amigos participavam, assistiam e adoravam ver nossas ações. Depois, doávamos os carrinhos para entidades filantrópicas. Penso que é por esse projeto que recebi a homenagem que me emocionou muito.

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Diário – Que homenagem?
Máucio –
Em 2015, fui o professor homenageado na Feira do Livro em Santa Maria. Que surpresa linda! Na ocasião, tive a oportunidade de referenciar os mestres que contribuíram na minha formação, desde as escolas Cícero Barreto e Manoel Ribas até a universidade. Para chegar aonde cheguei, precisei de, no mínimo, 100 professores. Nasci cartunista e me tornei professor. Procuro retribuir a educação que recebi com o mínimo que posso fazer, como exercer voluntariado no Cícero Barreto, onde dei os primeiros passos. Lá, faço palestras, desenho painéis e, assim, colaboro com as disciplinas de Artes, Literatura e Português.

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Diário –Você nasceu cartunista?
Máucio –
Desenho desde menino. Em nossa casa havia um mural para as nossas criações. Desenhávamos carros, baratas gigantes e tudo o que víamos pela frente (risos). A família gostava dos meus desenhos e eu acreditei nisso. Na escola, fazia caricaturas dos colegas e professores. Para eles não ficarem bravos, eu dizia que era o "homenageado do mês". Eu desenhava o tempo todo. Por isso, respeito os meus alunos que sentam no fundo da sala e ficam desenhando. Eu sei que eles acompanham o raciocínio. Nas aulas de História, enquanto o professor falava sobre Cabral, eu desenhava a narrativa. No Maneco, ajudei a produzir o jornalzinho da escola, na graduação fiz a mesma coisa. Nos anos 90, eu e três amigos, Byrata, Elias e Orlando Fonseca, produzíamos a Garganta do Diabo. Minha vida está totalmente ligada ao desenho.

Com ex-professores e colegas Silvestre Peciar, Alphonsus Benetti e Sandra Knackfuss, em 2011 Foto: arquivo pessoal / arquivo pessoal

Diário – O que você destaca nesta trajetória?
Máucio –
Depois do jornal Tchê, publiquei no jornal A Razão e criei o jornal mural Retranca, ainda como estudante. Depois disso, publiquei três livros-solo: Céu da Boca, de poemas, Penápolis, o Mundo Segundo as Galinhas, só de cartuns, e A Coisa e Outras Coisas, desta vez, de crônicas. Além destes, tive participações em várias edições coletivas. Em 2003, comecei o Encontro dos Cartunistas Gaúchos (Cartucho), que vai para a décima quarta edição em 2018, realizado na Feira do Livro. Minha publicação mais recente é o Massa Folhada, publicado no início de cada estação do ano.

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Diário – Como você define a arte?
Máucio –
A arte se manifesta em todos os ramos da existência humana. Ela tem a função de nos chamar a atenção para várias coisas, como a pressa em que vivemos. É um grito de "opa, espera um pouco". Esse é um dos motivos pelos quais o Massa Folhada é impresso e não digital. O mundo digital é bom, mas é rápido demais. O ser humano não tem condições de viver nesta velocidade o tempo todo! A função da arte é tentar demarcar ritmos, falar de pessoa a pessoa e não de máquinas para pessoas. A arte nos lembra que somos humanos.

 

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