Artista que atuou em Santa Maria tinha obra na exposição cancelada na Capital - Cultura e Lazer - Diário

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Arte e cultura13/09/2017 | 10h35Atualizada em 13/09/2017 | 14h38

Artista que atuou em Santa Maria tinha obra na exposição cancelada na Capital

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A artista plástica Ana Norogrando morou por 30 anos no Coração do Rio Grande, onde foi professora na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Dona de obras icônicas – como o Vento Norte, cuja escultura orna o jardim defronte à Biblioteca Pública Municipal, que também inspira o troféu do Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC) –, ela também tinha obras expostas na polêmica exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira

Foto:

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A mostra estava em cartaz no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, até o último domingo, quando foi cancelada após uma onda de protestos nas redes sociais. Estimulados por postagens do Movimento Brasil Livre (MBL), internautas reclamavam sobre obras que remeteriam a blasfêmia contra símbolos religiosos, bem como fariam apologia à pedofilia e zoofilia.

Com curadoria de Gaudêncio Fidelis, a exposição reunia quase 300 trabalhos de 85 artistas que abordavam temática LGBT, questões de gênero e diversidade sexual desde o século passado. Entre os nomes que compunham a mostra, Cândido Portinari Adriana Varejão e Lygia Clark. Por tudo isso, seu cancelamento jogou gasolina na polêmica, já que a iniciativa repercutiu mal entre a classe artística e em diversos segmentos sociais. 

Na tarde de ontem, de acordo com a Brigada Militar, cerca de 800 pessoas se reuniram em frente ao Santander Cultural, em Porto Alegre para protestar contra a medida. Com cantos e discursos, temas como liberdade artística, de criação e o direito das minorias foram defendidos.  

Corpo 10, de Ana Norogrando, era uma das obras em exposição na mostra Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em Porto Alegre
Foto: Ana Norogrando / Divulgação

Entre os manifestantes, estava Ana Norogrando. Ao Diário, ela dimensionou que, ao pensar na exposição sobre a diversidade sexual, o curador e os participantes imaginaram que o trabalho iria repercutir, mas não tanto. Ela comentou lembrando que em tudo há dois lados.– Há males que vem para bem. A magnitude que isso está tomando é também um alerta para a falta de educação em arte das pessoas atualmente – comentou Ana, por telefone.

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A artista, que nasceu em Cachoeira do Sul e se diz santa-mariense de coração, ressaltou que a exposição foi montada na tentativa de questionar a realidade das minorias e tribos segundo as suas próprias trajetórias. Ela contribuiu para a exposição com cinco obras, entre elas uma que remete, propositadamente, ao órgão sexual masculino. Sem saber como ainda vai repercutir a polêmica, a artista espera que a reação do público sirva para o futuro da arte no Brasil.

Procurado para opinar sobre o tema, o artista plástico e professor do Centro Universitário Franciscano Juan Amoretti, disse que, mesmo sem estar muito a par do que aconteceu desde a abertura da exposição, sobre qualquer manifestação de arte vale um fato:

– Arte é livre. E se não foi livre não é arte.

O curador de Queermuseu, Gaudêncio Fidelis, revelou ao jornal Correio do Povo que espaços de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal manifestam interesse em sediar a exposição. 

Foto: Ronald Mendes

REPERCUSSÃO EM SANTA MARIA

Em agosto, o artista santa-mariense Mateus Scota provou da sensação de causar polêmica com a arte na abertura do Salão Latino-Americano de Artes Plásticas de Santa Maria. Na performance Couraça, ele estava nu, costurando couro de vaca ao redor de si. Muitas pessoas ficaram chocadas, mas ele foi o vencedor da mostra.

Ontem, ele comentou com o Diário a repercussão da polêmica na Capital, e disse acreditar que, em algum ponto, a opinião do público está sendo direcionada, talvez pela força que tem ganhado o MBL.

– A questionamento é sempre válido, mas questionar por questionar não leva a nada. Argumentar o ponto de vista é manifestação, mas se torna algo, na minha opinião, um pouco perigosa. A opinião das pessoas me parece influenciada pelo movimento, pelo MBL – disse.

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O diretor do Museu da Arte de Santa Maria (Masm), Marcio Flores, concordou que a arte precisa ser entendida.

– Uma coisa que deve ser sempre respeitada é as pessoas e seus pensamentos – disse.

 

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