Transexualidade na novela - Cultura e Lazer - Diário

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Coluna Sociedade02/08/2017 | 14h05

Transexualidade na novela

Colunista destaca o importante papel da personagem Ivana em "Força do Querer"

Foto: TV Globo / Divulgação

A interpretação da personagem Ivana pela atriz Carol Duarte na novela Força do Querer , da escritora Glória Perez, têm levantado o debate acerca da sexualidade e, em especial, sobre a transexualidade.

A naturalidade com que o tema vem sendo exposto na tela contribui para uma ampla luta contra todo tipo de patologização de sexualidades não heterossexuais ou binárias.

Vale lembrar que, somente no ano de 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada clinicamente uma doença pelo Código Internacional de Doenças (o CID). Um próximo e importante passo nesse processo é para que também essa condição de gênero e da sexualidade humana também não seja mais considerada uma patologia.

A transexualidade é uma questão de identidade, não é nem uma bênção nem uma maldição, e não pode ainda ser confundida com orientação sexual. Os homens e mulheres transexuais são pessoas que nascem com um determinado aparato biológico, mas que, no entanto, assumem socialmente uma identidade de gênero diferente daquela que lhes foi atribuída pelo nascimento. Se o sexo é determinado biologicamente, o gênero é uma questão de afirmação social. O que importa, na verdade, na definição do que é ser homem ou mulher, não são somente os cromossomos ou a conformação genital, mas muito mais a auto percepção e a forma como cada pessoa se expressa socialmente.

É bem verdade que, atualmente, não é possível saber por qual razão alguém é transexual. O certo é que não é simplesmente uma escolha ou uma opção, e tampouco uma forma de predestinação. Embora existam várias correntes teóricas, é consensual acreditar que existam tanto causas biológicas como também componentes sociais na conformação destas identidades, constituindo um complexo e imbricado compósito de razões culturais e genéticas concorrendo para essa condição.

O fato é que a transexualidade está relacionada ao fato de determinadas pessoas sentirem que seus corpos não estão adequados à forma como pensam e se sentem, e querem corrigir isso adequando seus corpos e suas formas de se afirmar socialmente ao seu estado psíquico. Isso pode se dar de várias formas, desde tratamentos hormonais até procedimentos cirúrgicos, embora as cirurgias sejam apenas um detalhe na afirmação e composição da transexualidade.

Por essa série de razões, é possível acreditar que a personagem Ivana traz importantes contribuições para a não patologização da transexualidade e pode configurar um passo significativo na conquista de uma cidadania plural e equânime. Como afirma a bióloga Joan Roughgarden, uma grande conquista neste sentido será o fato de que quando uma pessoa se assumir transexual não mais seja uma razão de luto para ela, para os familiares e para os amigos, mas de enorme alegria, quem sabe com direito a uma festa, no sentido da pessoa estar se encontrando, em uma espécie de segundo nascimento.

Seguramente o nascimento de um mundo mais tolerante, inclusivo e verdadeiramente humano.


 

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