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Coluna Cultural25/08/2017 | 15h19Atualizada em 26/08/2017 | 11h55

Morro e não vejo tudo!

Colunista conta como foi o show da "Liniker e os Caramelows" 

Às vezes penso que Santa Maria é uma próspera cidade interiorana, não pacata, que desde seu primeiro acampamento recebe pessoas interessantes e interessadas que por aqui passam, permanecem, vem e vão... 

Onde uns vieram de trem e outros vão de avião, nem todos são passarinhos, mas todos passarão...

Amanheceu quinta-feira (24 de agosto 2017), metaforicamente o vento norte assobiava, qual um lamento à passagem de uma *referência da diversidade, dos movimentos afro, LGBT e das artes de rua e urbana¿

Anoiteceu com o mesmo vento norte e uma bonita concentração humana ocupava o hall de um sofisticado hotel da cidade para o espetáculo de uma artista considerada uma das maiores revelações da música nos últimos três anos: Liniker & Os Caramelows.

Liniker, no espetáculo em Santa Maria Foto: Leonardo Gadea / Arquivo Pessoal

Algumas pessoas roíam as unhas, parecendo ansiar pela aparição da diva preta icônica; dessa vez sem batom e turbante, mas de cabelo solto e vestida de preto e branco. Suas músicas conjugando o amor e a liberdade com arranjos ora agressivos, ora sutis. Tudo notavelmente necessário.

Entendi que Liniker buscou resumir em um espetáculo todos preconceitos já sofridos em um (re)montado, impactante, leve, adorável, dolorido, livre e impositivo estilo de existir, ser, escrever e cantar¿

 Antes disso, a também adorada Guantánamo Groove se consagrava em mais uma efêmera aparição plugada, dessa vez com duas guitarras (participação do Ricardo Borges) e uma música inédita cantada pelo trombonista Hélio Abreu.

O trombonista Hélio Abreu Foto: Leonardo Gadea / Arquivo Pessoal

 A cantora e compositora paulista dançou, pulou, sorriu, interagiu e parecia estar muito à vontade frente a uma plateia extremamente apaixonada e entusiasmada com seu empoderamento e representatividade. Ela brincou com o público e se divertiu maestrando os virtuosos Caramelows de Araraquá (SP).

Após o BIS, ela desceu do palco para dançar junto com o público, mas precisou logo voltar para dar mais um recado sobre respeito e objetificação, agradeceu Santa Maria e deixou o palco¿ 

Liniker desabafa em rede social após show em Santa Maria: "me senti objetificada"

Depois da experiência vivida e sentida voltei pra casa com vergonha e reflexivo, pensando: ainda estamos na estaca "zero" no quesito assimilação do fazer artístico e tudo de bom que ele pode nos oferecer; mesmo morando na cidade cultura e na bendita terra do conhecimento¿ 

Às vezes penso que nossos excessos possam ser prejudiciais a todas pessoas que respiram o mesmo ar que nós.

Confira o registro da música Zero, cantada no show: 



*Nei D¿Ogum(líder religioso e social de Santa Maria que lutou pela diversidade e pelo respeito durante toda sua vida. Nei morreu na quarta-feira, um dia antes do show da Liniker) 


 

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