Games e a sétima arte: conheça quatro jogos que vão além das narrativas cinematográfica ou televisiva - Cultura e Lazer - Diário

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Coluna Tecnologia08/08/2017 | 14h35Atualizada em 08/08/2017 | 14h35

Games e a sétima arte: conheça quatro jogos que vão além das narrativas cinematográfica ou televisiva

Colunista da dicas de games que contam histórias e exploram diferentes características

Já conversamos anteriormente sobre como os jogos eletrônicos deixaram de ser vistos apenas como "coisa de criança" e passaram a ser sinônimo do mais alto grau de expressividade artística, pedagógica e até mesmo desportiva.

Atualmente, cada novo título lançado possui particularidades únicas, que lhes conferem os mais variados tipos de mutações ante seus iguais. E se antigamente games resumiam-se ao simples apertar de um único botão, sob o visualizar de telas com gráficos em preto e branco borrados por pixels, hoje eles dão nova significância a palavra imersão.

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A tecnologia gráfica chegou a tal patamar que boa parte dos jogos eletrônicos disponíveis no mercado apresentam personagens e cenários com contornos muito próximos da realidade. Graças a este fator, muitas desenvolvedoras passaram a investir pesado na produção de jogos que primordialmente são destacados por seu alto grau de realismo e enredo imersivo, fazendo com que possa se sentir, basicamente, como o telespectador de um filme ou seriado televisivo, com a diferença de que a trama é vivenciada (digitalmente) e pode até mesmo ser alterada pelo jogador.

Hoje, vamos conhecer quatro jogos eletrônicos que, para além de suas características básicas, funcionam como verdadeiros filmes ou seriados jogáveis, dando nova significância a arte de contar histórias, sem perder em absolutamente nada para grandes narrativas cinematográficas ou televisivas.

HEAVY RAIN

Foto: Divulgação

Até aonde você iria para salvar alguém que você ama? Era por meio desta provocação que se iniciava o trailer de anúncio do thriller dramático Heavy Rain, jogo lançado em 2010 exclusivamente para o console Playstation 3.

Na trama do game, que se utiliza do singular estilo noir para uma ambiência visceral, quatro personagens, com diferentes motivações, estão conectados à uma investigação que visa descobrir quem é o "assassino do origami", um serial killer que vitima garotos durante dias de forte chuva.

O mais interessante do título – que foi multipremiado – é que existem mais de 15 tipos de desfechos disponíveis. Isso acontece porque a todo instante o jogador é obrigado a tomar diferentes decisões frente aos acontecimentos que vão se desencadeando, e cada uma delas acaba por modificar o desenlace da história. Estas escolhas vão de encontro, de maneira sistemática, com os princípios e valores de cada jogador, por vezes levando-os a reflexões imediatas de como uma única decisão, feita de maneira premeditada ou não, pode alterar completamente o rumo da vida das pessoas.

A obra, que possui dublagem em português de portugual, recentemente recebeu uma versão remasterizada, com gráficos mais polidos, para o Playstation 4. O sucesso foi tamanho que uma adaptação para o cinema está em curso.

THE LAST OF US

Foto: Divulgação

Um vírus mortal chamado cordyceps aniquilou a maior parte da população de um Estados Unidos pós-apocalíptico, transformando pessoas e animais em zumbis (qualquer semelhança com The Walking Dead é mera coincidência). E foi durante o início desta epidemia que um dos protagonistas do game, Joel, falha ao proteger sua filha do ambiente catastrófico que se iniciou.

Dez anos depois, com uma terra hostilizada, os humanos passam a formar facções que guerreiam entre si, a fim de angariar suplementos para sua sobrevivência. Joel trabalha como um contrabandista de armas. Em dado momento, porém, ele tem uma de suas cargas roubadas pela líder de uma facção chamada fireflies, que promete devolver os itens desde que o homem leve em segurança uma pequena garota de 14 anos chamada Ellie até o outro lado do país. Ao que se sabe, a garota é imune ao vírus mortal que transforma as pessoas em zumbis, e por isso a criação de uma vacina a partir do sangue de Ellie é uma necessidade urgente.

O jogo se destaca pela profundidade da trama, trabalhando todos os conflitos possíveis que sofre Joel ao ter de lidar, mais uma vez, com a proteção de uma garota que lembra sua falecida filha. A pressão psicológica beira o absurdo, e os desenlaces da obra são totalmente imprevisíveis.Com uma direção cinematográfica impecável, The Last Of Us foi tão bem aclamado pela crítica especializada que é até mesmo considerado, por muitos veículos de imprensa, como um dos melhores jogos de todos os tempos. Assim como Heavy Rain, The Last of Us, lançado em 2013, também é um título exclusivo da Sony, possuindo versões para Playstation 3 e 4. O game é totalmente dublado em português brasileiro, e conta com altas pitadas de ação, suspense e drama. Uma sequência foi anunciada em 2016, mas praticamente inexistem detalhes até o momento.

QUANTUM BREAK

Foto: Divulgação

Não há nenhum outro produto de entretenimento que se equipare ao conceito multimídia de Quantum Break, título exclusivo de Xbox One e de computadores com sistema operacional Windows 10.

É que Quantum Break não é só um jogo eletrônico com forte apelo gráfico e enredo atraente, ele também funciona como uma série televisiva, com atores reais e tudo mais. Na trama, um homem chamado Jack Joice participa de um experimento laboratorial de uma máquina para viagem no tempo, junto do responsável pelo projeto, seu irmão, William, e de seu amigo, Paul Serene. Entretanto, algo dá errado, e uma forte explosão acaba corrompendo o espaço-tempo, "presenteando" os homens com poderes relacionados ao controle deste. Enquanto Jack possui habilidades como a paralisação do tempo, Paul pode prever o futuro, tendo visões antecipadas sobre o que aconteceria se determinada ação fosse tomada. Este último decide lucrar com seus poderes, e movido pela ganância, acaba matando o irmão de Jack, que estava tentando consertar a catástrofe temporal que havia causado. A partir daí, tem início um thriller de perseguição entre o mocinho e seu agora ex-melhor amigo.

Na medida em que progride no jogo, a série com atores reais é exibida, em episódios que possuem, em média, 20 minutos. Este elemento funciona como complemento à história da obra, focando nas ações dos vilões da trama, ante a perspectiva do herói que o jogador controla. O game é uma produção da Remedy, produtora conhecida por apostar pesado no enredo de seus jogos, e na forma de imergir o jogador junto à narrativa do título eletrônico. Quantum Break também possui dublagem para o português brasileiro, e foi lançado com grande alarde em 2016.

LIFE IS STRANGE

Foto: Divulgação

Diferentemente dos outros jogos desta lista, Life Is Strange não aposta em gráficos realistas para o construir de sua narrativa. Neste caso, a arte está conectada junto de um belíssimo trabalho cartunesco e colorido, que casa perfeitamente com a significância da obra, aliada à criação de uma trilha sonora de dar inveja, com a presença de bandas e artistas do pop/rock indie.

Na história, Max Caufield é uma garota de 18 anos que retorna a sua cidade natal para cursar fotografia. Eventualmente, ela acaba salvando uma outra menina da morte, fazendo com que a mesma conseguisse escapar de um tiro. Acontece que isso só foi possível graças a uma habilidade que Max descobre dispor, de maneira involuntária, naquele exato momento: a possibilidade de voltar no tempo. A partir daí, a garota passa a vivenciar todos os dramas e conflitos que envolvem não apenas a sua vida, mas também a de jovens e adultos que sofrem com seu medos e conflitos. E os temas tratados são tantos que até mesmo o suicídio é explorado (no melhor estilo 13 Reasons Why).

Assim como em Heavy Rain, o jogador deve tomar difíceis escolhas a todo o momento, e que tal qual acontece no citado game, também vão acabar por modificar o desenlace da história. A diferença é quem em Life is Strange, graças aos poderes da protagonista, pode-se tomar decisões para perceber quais impactos as mesmas causarão, e depois voltar no tempo para alterar a história.

São escolhas, por vezes, banais ou graves, e que resultam nos mais diversos desenlaces. Por exemplo, apartar ou não a briga entre duas pessoas; ajudar ou não alguém; impedir ou não um suicídio. Não há decisões certas ou erradas do ponto de vista prático, diz respeito apenas aos valores de vida de cada jogador, a sua própria consciência. E assim como na vida real, choramos e rimos com as vitórias e derrotas que cada um enfrenta, tudo isso porque os personagens dispostos na trama são extremamente carismáticos, de modo que nos importamos com eles, como se fossem amigos ou conhecidos.

Dividido em cinco capítulos, como se fosse uma série, Life Is Strange, que possui legendas em português brasileiro, foi lançado em 2015 para PC, Playstation 3, Playstation 4, Xbox 360 e Xbox One. Assim como os demais game que compõem esta lista, a obra foi amplamente aclamada pela crítica especializada, sucesso que garantiu uma sequência (em produção) e o anúncio de uma série para a TV (também em produção).

Estes foram apenas quatro felizes exemplos de jogos eletrônicos que se destacaram e se destacam pelo brilhantismo com o qual se aproveitam das singularidades dos games para contar histórias, explorando características e possibilidades que inexistem em outras mídias de entretenimento audiovisual.

Neste ecossistema, cada vez mais jogos focados na narrativa tem ganhado espaço, e de maneira exitosa tem demonstrado, mais uma vez, que as possibilidades de imersão propiciadas pelos videogames não se comparam com nenhuma outra disponível.

Se você é um cinéfilo ou amante de seriados (ou obviamente um gamer), vale a pena experimentar ao menos um destes títulos (ou tantos outros com a mesma temática que estão disponíveis). A garantia que lhes dou é que a experiência será única. Não há como se arrepender!




 
 

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