Entre padrões de beleza: a moda de "um corpo" só? - Cultura e Lazer - Diário

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Coluna Moda15/07/2017 | 17h14Atualizada em 15/07/2017 | 17h14

Entre padrões de beleza: a moda de "um corpo" só?

Colunista faz uma reflexão sobre apropriar-se da moda e não deixar de vestir o que gosta por conta de tamanhos

Ao acompanhar um desfile de moda, ao olhar uma vitrine de alguma loja ou no reflexo do espelho, uma importante relação está implícita: a do corpo com a moda. Não existe moda, compreendida aqui como vestuário e acessórios, sem o corpo. Enquanto ele a sustenta, a moda, na visão de pesquisadoras como Suzana Barreto Martins, atua como uma segunda pele. Mas esta íntima relação é repleta de significados. 

A moda e o corpo carregam "sentidos" que se misturam e permitem a construção de nossa aparência, assim como a criação e manifestação do nosso estilo (e identidade) para quem nos cerca. 

Foto: Pinterest / Divulgação

No universo fashion, essa relação também desponta e provoca questionamentos. Nele, existe uma idolatria a um "corpo padrão" que está associado à magreza. No decorrer da história, a mulher foi a principal afetada pela busca incessante a estética considerada perfeita em cada época. A crença perpetuada era - e em determinados âmbitos ainda é - adaptar o corpo a moda, como se ele fosse, como indicam Lorensoni, Zambom e Rocha em O corpo na moda, um "acessório".

A escritora e feminista Betty Friedan aponta que de 1939 até a década de 50, o tamanho da mulher americana diminuíra três ou quatro pontos porque, nas palavras de um lojista, "as mulheres adaptam-se às roupas e não vice-versa". 

Nos dias atuais, as modelos contribuem para o fomento do biotipo magro no âmbito da moda. Em 2012, por exemplo, a angel da Victoria¿s Secret, Candice Swanepoel, criou a expressão "barriga negativa" (sem gordura) após publicar uma imagem de sua barriga no Instagram, seguida pelo termo na legenda. A referência se popularizou e a mídia fomentou tal busca pela barriga considerada "perfeita" no mundo da "corpolatria" com indicações de dietas e exercícios. 

Foto: Pinterest

FAT POWER

Se o corpo considerado "bem vestido" é aquele associado ao culto da beleza e seus padrões, uma corrente contra hegemônica perpetua uma nova forma de pensar. O mundo plus size exalta a beleza do corpo gordo e da pluralidade corporal. 

Fora do mainstream, as redes sociais têm um papel de destaque na valorização do corpo gordo na moda. Além dos fashion bloggers, modelos plus size e pessoas sem vínculo ao meio fashion dão voz ao empoderamento em relação ao corpo volumoso na moda. Elas desmitificam o conceito de adequar o corpo aos padrões oferecidos na moda e mostram a necessidade de torná-la para a diversidade de corpos (lembra a primeira coluna?). Além disso, evidenciam que NÃO EXISTE roupa "de gordas" ou "de magras" e que a moda e suas tendências podem ser apropriadas para todos os corpos. 

Tess Holliday, que veste acima do tamanho 50, tornou-se um desses símbolos no meio. Ela foi maior modelo plus size contratada por uma das principais agências de modelos do mundo, em 2015. Nas redes sociais, ela está a frente da campanha #EffYourBeautyStandards, que incentiva as pessoas a gostarem dos seus corpos, ignorando os padrões de beleza vigentes. 

Na página no Instagram, a iniciativa traz exemplos de pessoas com diferentes corpos a romper com crenças na moda e se empoderar por meio do vestuário e da sua forma corporal. Na São Paulo Fashion Week, em 2015, a LAB Fantasma trouxe a representatividade para a passarela com um casting também composto por modelos gordos. 

Foto: Pinterest

Já a falta de diversidade na moda foi questionada na campanha #NoSizeFitsAll, da Women¿s Equality Party (WEP), que discute sobre a imagem propagada pela indústria fashion e o impacto sobre as mulheres.A variação dos tamanhos das roupas foi a base da iniciativa, pois, segundo a WEP, uma em cada 5 mulheres do Reino Unido corta fora a etiqueta das roupas e 70% delas afirmam fazer por vergonha do próprio tamanho. 

Foto: Instagram

É urgente romper com os padrões que excluam e geram vergonha de aceitar o próprio aspecto corporal. A moda e o corpo se complementam e um não deve ser motivo de exclusão ou mudança do outro. 

Não deixe de vestir aquilo que você gosta. Aproprie-se da moda e manifeste o seu estilo e a sua beleza. Olhe no espelho e valorize quem você é, bem como o que você gosta e se sente bem em vestir. E lembre-se sempre: o problema não está em você, mas na cultura de querer definir qualquer pessoa num mesmo "molde". Não é necessário se enquadrar, mas se aceitar e respeitar as diferenças.

Até a próxima coluna!

 
 

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