Memórias do Masm... de ontem e de hoje - Cultura e Lazer - Diário

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Coluna Cultura14/04/2017 | 17h02Atualizada em 14/04/2017 | 17h02

Memórias do Masm... de ontem e de hoje

Deborah Rosa lembra das façanhas para Santa Maria ter um espaço de arte, que foi reaberto no último dia 4

Há alguns dias, fui prestigiar mais uma reabertura do Museu de Arte de Santa Maria, o Masm. Sim, esse que fica no antigo Mercado Trevisan, no Skatto ou no antigo Cartório Eleitoral...

Minha relação com ele vai muuuito além...

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

FILHA DA FUNDADORA
Lá pelos idos anos 1980, fui na minha primeira exposição de arte. Lembro bem que tínhamos poucos espaços: a Galeria Gayger, junto ao Café Genève, um charme!; a AB Galeria de Arte; o hall da loja do Seu Raul, que emoldurava as obras e mais logo a Jenanine Galeria de Arte. Neste período, a cidade pulsava produção artística, todos queriam ser artistas...

Os "da Universidade" eram "da Universidade" e ponto.

Durante muitos anos, acompanhei a trajetória não só da minha mãe, Deja Rosa, mas conheci os processos e a criação de muitos artistas. Cursos, eventos, viagens, projetos, a criação da Associação de Artistas Plásticos de Santa Maria, toda a efervescência daquele momento! Sou do tempo do Carriconde, Titi Roth, Anamaria Assis Brasil, Beth Souza, Marisa Barros, Vani Foletto, Jeanine Viero Mutti, Wagner Dotto, entre outros.

Foi um período rico e cheio de entusiasmo que levou a criação do Masm. Não lembro quem governava Santa Maria na época, muito menos sua sigla partidária e as tão onipresentes coligações;  mas, foi alguém que com sensibilidade que entendeu a necessidade de sua cidade e cedeu à ruína da antiga sede do mercado para um espaço de arte.

Um espaço que se tornaria único e representativo no coração da Cidade Cultura. Espaço esse que luta incessantemente para se manter e se legitimar como "O espaço da cidade!", mesmo sofrendo com as "trocas administrativas", e pelas pequenas guerras de ego por sua administração direta.

COMUNICÓLOGA E DIRETORA DO MASM
O curso de Comunicação Social não me afastou da Cultura e muito menos das artes. Pelo contrário, as vernissages e mostras viraram objeto de estudo e pesquisa acadêmica dentro desse universo tão rico da cidade. O trabalho com assessoria à artistas novos e já consagrados me levou à diretoria do Masm em 2008.

Apenas 10 meses foram o suficiente para deixar o que acredito ser, minha maior contribuição às "artes plásticas" em Santa Maria.

Obras ficavam em uma sala do arquivo histórico, todas misturadas Foto: Diário de Santa Maria / Diário de Santa Maria

Lembro como se fosse hoje do convite para "dirigir" o Masm. Mas também reorganizar seu rico acervo (até então depositado em uma salinha junto ao arquivo histórico) e administrar espaços expositivos. E o maior dos desafios: transformar a até então ruina do Bar Skatto (moradia de mendigos com um cheiro horrível de urina e foco de futura cracolândia em plena Avenida Presidente Vargas) em local de cultura e lazer para fazer parte do museu e ser respeitado como tal.

O desafio não estava só na obra e sua burocracia, mas sim, na imagem do espaço como um todo. Foi preciso transformar essa imagem e agregar pessoas próximas e artistas. E foi aí, caro leitor, que começou uma grande campanha de reconstrução do nosso MUSEU.

Cinco espaços expositivos públicos eram os oferecidos durante o período: o hall da Casa de Cultura, Sala Iberê Camargo, Galeria Monet Plaza Arte, hall da Gare da Estação e o salão principal do Masm (até então inativo).

Gerir é um processo muito doloroso quando não se tem credibilidade nem assessoria. E esse não foi o meu caso, graças a Deus e aos contatos que fiz durante a vida.

Um mutirão reunindo secretário de Cultura, diretora geral, assessores, artistas, estagiários, apenados e moradores das proximidades vieram comigo. Tintas, material de limpeza, lâmpadas, mão de obra... Tudo, tudo pela arte. Das "mangueiras e escovas" conseguimos juntos reabrir o museu.

Da burocracia e das licitações, conseguimos o, até então, improvável! Dia 8 de dezembro de 2008, inauguramos o anexo do Masm. Que orgulho! Um futuro café e espaço de convivência cultural... (ainda chegaremos lá!).

DE LÁ PARA CÁ
Hoje, o movimento mudou muito. Natural. Sinto a academia mais participativa e atuante na sociedade. Os artistas do meu tempo quase todos já se foram... ainda outros tantos em produção, hoje em outros lugares... Muito feliz em ver que o trabalho de muitos teve continuidade, hoje, com quem realmente "entende do riscado" e projetou nosso espaço além de Santa Maria. 

Márcio Flores, atual diretor do Masm, organizando as telas para a reabertura do espaço Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

Artista e apaixonado que não deixou a peteca cair mesmo com ventos de temporal, Márcio Flores tem paciência, como poucos, de aturar os processos burocráticos para, lentamente, fazer as coisas acontecerem. Teve feeling para a qualidade da nossa produção artística e, acima de tudo jogo de cintura e finesse para lidar com a intensidade de egos politicamente nem tão corretos, cada vez mais elevados em suas buscas de citações em protocolos.

Fechado desde o temporal daquele tenebroso outubro de 2015, que destelhou seu salão principal, o Masm ficou inativo até o último dia 4. Nesse dia, mais uma vez, tive o prazer de me fazer presente na reabertura do Masm como filha da fundadora, comunicóloga, ex-diretora e, hoje, artista. Vida longa ao Masm!

NOTAS DAS REINAUGURAÇÂO

Em tempo: a famosa mania de "ir pra comer" em exposições e eventos sempre me causou um certo mal estar. Afinal, para mim, o alimento da alma era a arte. Mas esse "costume" é uma falta de respeito que ainda se mantém, principalmente, entre os "agentes culturais" da cidade.

E tempo 2: Ah! Não precisa ir "tomar um chimas" em Porto Alegre e fazer self em seus espaços expositivos... Aqui também temos um museu e ótima produção... por mais incrível que pareça.
Já fez uma self com a hashtag #masm?


 
 

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