A picanha do ministro - Cultura e Lazer - Diário

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Coluna Gastrô e Viagem16/04/2017 | 14h05Atualizada em 06/06/2017 | 12h44

A picanha do ministro

Colunista relembra a vez que um ministro deixou de saborear uma picanha. E dá dicas para harmonizá-la com vinhos nacionais e importados

No início de 2006, fomos encarregados de coordenar a implantação de 7 extensões da UFSM, duas no Norte (Frederico Westphalen e Palmeira das Missões) e 5 na Fronteira Oeste do Estado (São Borja, Itaqui, Uruguaiana, Alegrete e São Gabriel), que fariam parte de Unipampa.

Nesse período, o ministro interino da Educação, Jairo Jorge, decidiu fazer uma série de audiências públicas nessas cidades e conhecer os locais dos novos campi e as ações que já haviam sido executadas em vistas a implantação. Cabe ressaltar que o ministro estava se recuperando de um problema de saúde e pediu que fosse disponibilizado para ele um franguinho grelhado com salada nas refeições.

As audiências transcorreram na normalidade, e a alimentação do ministro estava bem cuidada. O fato mais pitoresco dessa visita aconteceu em Itaqui, onde foi organizado um almoço no restaurante do Clube do Comércio (na época o melhor churrasco da cidade!).

Clube do Comércio de Itaqui Foto: divulgação / Divulgação


O prefeito de Itaqui na época, Bruno Contursi, dono de um senso de humor apuradíssimo, foi alertado sobre as restrições alimentares do ministro. Passados todos os falatórios, fomos nos servir. Claro que o ministro Jairo Jorge, na frente, servindo-se de seu franguinho. 

Na sequência, o prefeito, ao altos brados, pediu ao churrasqueiro a picanha do ministro, no qual foi prontamente atendido. Meio sem saber o que estava acontecendo, perguntei ao prefeito o que era aquilo, pois o ministro não podia comer nem carne vermelha, nem gordura ¿ Sorrindo o prefeito me respondeu: "... escuta, tchê! Se ele não pode, que não coma, mas não nos impeça de saborear a picanha que reservei para ele". Resumindo, voltei várias vezes ao Clube do Comércio de Itaqui e sempre fui muito bem servido, porém picanha como aquela, nunca mais! 

Outro fato dessa viagem que merece destaque é que o ministro ficou tão impressionado como que tínhamos feito em tão pouco tempo que se comprometeu em conseguir os recursos necessários para a Construção do Centro de Convenções da UFSM (em torno de 10 milhões, valores da época) e mais dez vagas de professores (recurso super escasso naquele momento). O ministro não provou, mas que aquela picanha rendeu. Ah! Rendeu.

HARMONIZAÇÃO

Foto: divulgação / Divulgação

Minha dica de harmonização de hoje vai para a picanha, uma carne com uma boa capa de gordura e que, normalmente, é servida ao ponto, ainda bastante suculenta. Para essa carne buscamos um vinho com boa acidez para contrastar com a gordura da carne e com taninos marcantes para contrastar com a gordura e a suculência da carne.

Cuidado com o sal, pois os vinhos que indico são de teor alcoólico elevado, que são um desastre para comidas muito salgadas. Por essas razões, busco inspiração nos nossos vizinhos argentinos e uruguaios que produzem vinhos Malbec e Tannat de excelência.

Porém, temos dois bons exemplares da vitivinicultura nacional que nada deixam a desejar em relação aos hermanos. Recomendo o Tannat da Vinícola Don Laurindo ou o Malbec da Vinícola Almaúnica.

Bom proveito e até a nossa próxima orgia enogastronômica.


 

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