Você já compartilhou arte hoje? - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião24/03/2017 | 13h31Atualizada em 24/03/2017 | 13h31

Você já compartilhou arte hoje?

Colunista convida à reflexão sobre a relação da cultura com a Internet e dá dicas BEM bacanas de descobertas que o leitor pode fazer


No exato momento em que escrevo este texto, ouço uma música que talvez, caso não fosse a internet, provavelmente não estaria escutando. Todo mundo sabe como o mundo online e a tecnologia mudou nossa forma de relação com pessoas, ambientes, informações e conhecimentos.

Gostaria de convidá-los a pensar em como a web e as ferramentas online mudaram nossa relação com a arte. Como mudaram as nossas descobertas e nossas experiências com a arte e na arte.

Foto: Macarena Rodriguez / Divulgação

Assunto longo e complexo, eu sei. Mas prometo não me alongar, será apenas um convite à reflexão. Perguntas e não respostas.

Já tem muita coisa escrita por aí sobre o tema, pesquisa e afins. Minha ideia aqui não é escrever uma tese, é apenas deixar-se levar, flanar nos pensamentos, do mesmo modo que a rede nos permite flanar por muitos lugares.

São somente ideias que sempre surgem na minha cabeça de tempos em tempos e que desejo compartilhar com vocês. Pois, talvez, para alguns de vocês, esse pensar seja banal, mas, talvez, alguns outros não tenham pensado sobre o assunto. E, talvez, para muitos tantos (que já cresceram com essa possibilidade na ponta dos dedos) valha a curiosidade de mudar o ponto de vista por alguns instantes. Então, vamos lá.

Sou amante da tecnologia. Sempre fui empolgado desde pequeno com todo tipo de novidade eletrônica ou digital. Contudo, nasci no tempo em que ter um telefone em casa era luxo (tal fato, por exemplo, demorou para ocorrer na minha residência.)

O contato que tive com as artes; teatro, música, esculturas e poemas na infância e adolescência foram os que tive em lugares físicos (bibliotecas, museus, teatro, etc.) e mais alguns livros e discos que meus pais possuíam.

Algo completamente distinto do que vivo hoje, e que você, Caro Leitor, provavelmente, também vive. Temos, se desejarmos, muita arte à alguns cliques de distância.

E se eu já era curioso naquele tempo por descobrir músicas novas e outros textos, hoje, quando tudo está tão conectado e interligado, a curiosidade que já existia no menino de outrora, aflora com ainda mais voracidade. Você também é assim?

 (a editora da coluna pede licença aos leitores e responde: nem tanto como você, Leo Roat! Mas fiquei curiosa e fui bisbilhotar seus posts. Surpresa: descobri a SENSACIONAL Breathing Art no Face, que nos permite uma visão 360°C de obras de de artistas como Van Gogh e Gustav Klimt)

Eu acredito que sim. Por isso gostaria de te perguntar, dentro do tema inicial: quanto de arte você experimenta através da rede? Pode ser através do Facebook, Twitter e afins. Na rede, você só descobre filmes e músicas?  Ou conhece outras danças, outras obras visuais, outros poemas, performances? Até mesmo aquela arte que ainda não tem nome.

Você só acessa conteúdo de plataformas conhecidas como Netflix e Spotify? Ou acessa lugares distintos? Você descobre coisas novas, bandas/músicas e filmes desconhecidos do grande público? Ou só descobre coisas inéditas de gente conhecida?

Somente acessa o que amigos seus enviam ou compartilham? Ou sai por aí numa arqueologia digital por campos de mapas desconhecidos?

O que você descobre, compartilha?
Eu faço todas as coisas citadas acima.

E foi assim que a internet trouxe para mim, por exemplo, a possibilidade de ver a arte de rua do mundo inteiro. De ver uma arte efêmera (intervenções urbanas, grafites e performances), de perceber sua interação com o mundo antes que sumam ou sejam apagadas.

Foi pela rede que andei por ruas onde jamais andarei e que estão inundadas de arte. Vi e ouvi coisas que jamais esquecerei. Coisas que hoje me constituem. Já visitei museus que não sei se conhecerei pessoalmente, mas me encantaram em cada peça que tive acesso.

Isto não é uma apologia ao digital frente ao presencial. Não estou dizendo que isso seja melhor ou pior que a experiência presencial (acredito que na maioria dos casos, o impacto presencial é insubstituível). Mas vale frisar aos desavisados que são experiências distintas, somente isso. E que o nosso contato com a arte de hoje se dá e muito através das redes. E por isso eu paro pra pensar sobre o assunto. Porque é importante pensarmos sobre as mudanças e inconstâncias das coisas.

Hoje, posso afirmar com certeza, que ir a tantos lugares e descobrir tantos artistas através da rede mudou minha relação com o mundo e com os artistas que convivo. Olhar através do buraco da fechadura que a rede proporcionou fez eu descobrir outras dificuldades e a delícias do mundo artístico. Ver a alegria de quando surge uma canção, a dedicação de um ensaio e muito mais. 

Algumas "viagens" legais pela web
1) Google Arts & Culture
2) Museu do Louvre
3) Concerto de Wagner em São Paulo

Minha relação com o mundo e com as pessoas mudou. Sim, eu acredito na potência da arte que se espalha por meio da rede. E no dia a dia, nas andanças pelas "timelines" da vida sigo me deparando com muita arte. Obras prontas ou em processo. Sigo conhecendo artistas que não sabia que existia, e que suas criações me tocam profundamenteVejo e ouço coisas que, com quase certeza absoluta, não teria acesso se não fossem os bits para me oferecerem.

E hoje é inegável e impensável para mim (por trabalho e lazer) não utilizar a internet. Mas me reservo um tempo de flanar por aí, descobrir coisas novas e trocar essas descobertas. Tem um universo infinito de artistas na rede (do mundo inteiro e de Santa Maria) que vale conhecer e que estão na internet.

Como eu disse lá no começo a possibilidade de conhecer coisas distintas (através da rede) fez com que eu pudesse deixar minha curiosidade me levar por caminhos inimagináveis, e sempre que tenho tempo procuro algo novo para conhecer.

Use a rede para isso.  Para mim, esta é uma das suas melhores qualidades. Não desperdice esse potencial.

Porém, se você está viciado em sempre passar pelos mesmos lugares, ou sempre vê as mesmas coisas pelo Facebook, crie estratégias.  A internet também ajuda nisso.

Eu e uma amiga (lá de Belém do Pará - afinal a rede aproxima e conecta pessoas) traçamos uma estratégia para descobrir coisas novas. Usamos a rede para trocar, uma vez por semana, nomes de músicas ou banda, fotografias ou filmesEssa troca de indicações é rápida e acontece no meio de nossos bate-papos. Nosso único acordo é tentar não influenciar o outro na opinião sobre o que indicamos.

Depois deixamos o restante da semana para apreciar o artista novo. Para amaciar o ouvido, ou os olhos, ao novo que nos foi apresentado. Deixamos mais tempo para sentirmos e sermos conquistados pelos próprios artistas.

Ela já me enviou artistas japoneses (o clipe está aí, abaixo) e eu enviei pra ela várias coisas, entre elas uma Geringonça (um pouquinho mais abaixo).


Usemos a rede para ampliar nossos fluxos criativos, para diminuir as distâncias, para aumentar a multiplicidade da arte e das suas potências.

Que a rede sirva para diminuir os seis graus de separação e para nos conectar ao poético. 

E pra encerrar uma última provocação: quais obras, músicas, espetáculos, bandas, filmes, poemas ... a gente tem descoberto nesses últimos tempos, e você não fazia ideia que existiam? 

Quais artistas daqui de S
anta Maria você descobriu pelas redes e pode conferir seus trabalhos? (ao vivo ou pela web)

Quais dessas obras desses artistas você compartilha nas suas redes sociais? 

Quais deles v
ocê indicou para outros amigos?

Fazer tudo isso vale muito a pena. São modos de agir que geram outros afetos. Experimente.


 
 

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