Amigos e colegas lamentam a morte e exaltam a obra de Silvestre Peciar - Cultura e Lazer - Diário

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Despedida07/03/2017 | 15h00Atualizada em 07/03/2017 | 15h00

Amigos e colegas lamentam a morte e exaltam a obra de Silvestre Peciar

Artista uruguaio lecionou 23 anos na UFSM no curso de Artes Visuais

Amigos e colegas lamentam a morte e exaltam a obra de Silvestre Peciar Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

¿É uma grande perda, sabe? Não temos o que fazer. Temos de aceitar a situação. Tínhamos muitas coisas preparadas para fazer aqui com ele. A gente segue adiante, mas perde um grande mestre.¿ O reconhecimento sentido é de um dos mais respeitados artistas em atividade no Estado, Alphonsus Benetti, em referência ao amigo e ex-colega de trabalho, Silvestre Peciar. O artista uruguaio, que por 23 anos lecionou no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), morreu no domingo, em Montevidéu, em decorrência de um câncer. Ele tinha 81 anos.

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A notícia pôs em luto quem conheceu o professor, que veio para a cidade em 1975, admitido como visitante depois que a ditadura militar uruguaia fechou a Escola Nacional de Belas Artes. O Centro de Artes e Letras (CAL) foi espaço fértil para os projetos do professor, que ensinou serigrafia, pintura e escultura – artes que começou a exercitar aos 14 anos, em sua terra natal, e que foi lapidada por anos de estudo e ensino na Europa. 

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Em pouco tempo, ele estava revolucionando o currículo do curso.
– Além de ser um artista muito importante, ele foi um grande pedagogo. Sempre aberto, sempre humilde e tinha uma visão pedagógica que acabou mudando o nosso curso. Ele foi responsável pela criação de um currículo que vale até agora, e que foi pioneiro no Brasil – diz Benetti, 63 anos, colega de Peciar a partir de 1980.

Foto: Germano Rorato / Especial

Pedagogo

As mudanças propostas pelo uruguaio refletiam seus ideais artísticos e humanistas. A partir dele, os alunos puderam escolher as aulas que queriam seguir. A avaliação deixou de ser numérica, mas dada em conceito, por escrito, por uma banca da qual não participava o professor-orientador. O modelo de ateliês distintos para cada área, também nascia ali. Esse formato só existia em cursos de pós-graduação. Anteriormente, os alunos eram avaliados por notas que levavam em contra critérios subjetivos. Peciar privilegiou a arte e a liberdade de criação.

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– Dentro da nossa área das Artes Visuais, e estou aqui há 43 anos, ele é o grande mestre. É o maior de todos os que passaram por aqui. Ele não foi meu professor, mas me ensinou muito. Fomos colegas a partir de 1980, e inclusive, vizinhos, em Camobi. Conversávamos sobre literatura, cinema, música... Por outro lado, era uma pessoa extremamente simples – recorda Benetti.

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS


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Hoje professor do Atelier de Escultura do CAL, José Francisco Goulart, 59 anos, lembra com carinho da mentoria de seu orientador nos tempos de estudante de graduação:– O Peciar sempre foi uma pessoa envolvente, muito sensível, que nunca deixou de acreditar em seus alunos e nunca deixou que eles se desacreditassem. Hoje, na minha atividade docente, eu sempre recordo daquele olhar de motivação que ele destinava. Ele sempre foi uma pessoa positiva, confiante, que sempre se doou para a universidade.

Paisagens daqui

Peciar aposentou-se nos anos 90 e voltou para o Uruguai, onde retomou a docência na Escola de Belas Artes. Nunca perdeu o vínculo com Santa Maria, porém. Antes de ir embora, aliás, doou parte de seu acervo pessoal para o CAL e para o Museu de Arte de Santa Maria (Masm).
– Foram mais de 20 peças. Algumas dele mesmo, outras de vários grandes artistas, alguns, ex-alunos dele. Para nós, ele foi uma espécie de messias da arte, um homem de talento – afirma o diretor do Masm, Marcio Flores.

Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

As peças em terracota, cerâmica, ferro, alumínio, madeira, entre outros, já foram expostas pelo menos três vezes no Masm. A última, em janeiro passado. O professor, aliás, sempre defendeu a reabertura do museu, durante o período em que esteve fechado, nos anos 2000.

– É responsabilidade de uma cidade que tem o apelido de Cidade Cultura ter um museu de artes plásticas. Santa Maria tem direito de ter essa obra concluída para que possa mostrar seu extenso e valioso acervo – disse Peciar ao Diário, em 2006.

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Em 2011, passou semanas em Santa Maria. Participou de aulas, cursos, participou de uma exposição de seu acervo e integrou o 1º Encontro Internacional de Escultores de Santa Maria. Foi ali, entre pedras e cinzéis, estreitou laços com os artistas santa-marienses do grupo Arte Pública, que organiza o evento. Quatro anos depois, ao visitar o mestre em Montevidéu, a escultora Catiuscia Dotto se surpreendeu ao observar as mais recentes pinturas do uruguaio.

– Eram paisagens daqui, de Camobi, de Santa Maria. Tinha muito carinho pelos lugares daqui – comentou a jovem artista.

– A saudade será um pouco dirimida pelo legado que ele nos deixa. Ele continuará vivendo em seu trabalho – completa o professor José Francisco Goulart.

 

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