Vera Lúcia Marques da Silva ex-presidente da Vila Brasil, fala sobre o carnaval local - Cultura e Lazer - Diário

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Carnaval24/02/2017 | 17h48Atualizada em 24/02/2017 | 17h48

Vera Lúcia Marques da Silva ex-presidente da Vila Brasil, fala sobre o carnaval local

Criadora do projeto Vila Brasil do Futuro fala de sua experiência e opina sobre as deficiências da folia local

Vera Lúcia Marques da Silva ex-presidente da Vila Brasil, fala sobre o carnaval local Arquivo Pessoal/Divulgação
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

¿O Carnaval é a alegria do povo¿, define Vera Lúcia Marques da Silva, 58 anos – mais conhecida como Dona Vera, da Vila Brasil. Ex-presidente da escola de samba, além de organizar a folia, ela é uma grande incentivadora de projetos sociais para a comunidade em que a agremiação está inserida.Em sua gestão, contribuiu para fomentar projetos de geração de emprego e renda para as mulheres, além da inserção social dos jovens com atividades no turno inverso ao escolar. Visionária, idealizou o projeto Vila Brasil do Futuro, que oferecia oficinas de percussão, de samba e de mestre-sala e porta-bandeira. A intenção era agregar as crianças desde cedo ao Carnaval para garantir a continuidade da escola. Nesta entrevista, a dona de casa fala sobre a importância do evento para a comunidade e em sua vida. 

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Diário de Santa Maria – Qual a sua lembrança mais remota relacionada ao Carnaval?
Vera Lúcia Marques da Silva – Venho de uma família apaixonada por Carnaval. Lembro-me de acompanhar meus pais nos desfiles de blocos, realizados na Rua Barão do Triunfo, na década de 1960. As cortes passavam entre o Clube União Familiar e a Rua Silva Jardim. Depois, lembro das festas da minha adolescência, no Familiar e no Clube 13 de Maio. Eram carnavais grandiosos e as pessoas usavam fantasias bonitas. As cortes das rainhas infantil e adulta chamavam a atenção. Nessa época, eu já participava dos desfiles da Escola de Samba Vila Brasil. Herdei o amor pela escola do meu pai.

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Diário – O que essa festa popular significa para a senhora?
Vera – É a alegria do povo. As pessoas esperam o ano todo até chegar o mês de fevereiro, em função do Carnaval. Hoje, existem poucas opções de folia nos clubes e, mesmo assim, são voltadas para jovens de classe média alta. A comunidade se diverte mesmo é no Carnaval de Rua e nas escolas de samba. Com a ausência do desfile, a maior parte da população fica sem opção e não faz Carnaval.

Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Diário – Seu trabalho como presidente da Vila Brasil ainda é lembrado pela comunidade. Quais características uma pessoa deve ter para presidir uma escola de samba?
Vera – A primeira coisa é ter a escola no coração e ser um participante ativo. Até que, um dia, você sente vontade de ajudar aquela comunidade. Além disso, um presidente tem de ter iniciativa. Tem de apresentar projetos para que sua sede não fique de portas fechadas para a comunidade durante o ano. Um bom presidente deve se preocupar com isso.


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Diário – Como a senhora avalia o período em que foi presidente da Vila, entre 2000 e 2006?
Vera – A Vila Brasil é uma escola de garra e que se preocupa com sua comunidade. Tem sede própria, projetos e mantém as portas abertas o ano todo. Eu tive a ousadia de implantar isso, além de projetos de incentivo de geração de renda e emprego. Em termos de campeonatos, dos seis anos que presidi, em dois não houve Carnaval de Rua. Fomos vice-campeões duas vezes e, em 2006, fomos campeões.

Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Diário – O que falta para as escolas de samba de Santa Maria não dependerem de verba pública para fazer os desfiles de rua?
Vera – Falta uma associação ou uma liga de escolas de samba bem atuante, com a união dos presidentes de todas as escolas e implantação de projetos. Estou por fora do Carnaval de Santa Maria, mas sei que já existe uma liga (a Aliança do Samba). Acredito que farão um bom trabalho, mas tem de começar para ontem, para que o Carnaval de 2018 seja realizado. Não pode esperar por verbas da prefeitura, senão, o Carnaval não sai. Tem que ter projetos de atividades ao longo do ano. Não adianta lembrar de abrir a sede só em dezembro, próximo do Carnaval.

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Diário – O que Santa Maria perde sem Carnaval de Rua mais um ano?
Vera – A comunidade é quem perde. Fica dispersa, perdida. O povo espera o ano todo por isso. Se não tem Carnaval de Rua, se não tem ensaios e desfile, a população fica sem programação. A comunidade não tem o que fazer e fica sem ter aonde ir. O Carnaval une as famílias. É bonito ver crianças, jovens e velhos reunidos em função da festa. Além disso, a folia emprega muitos profissionais: costureiras, sapateiros, eletricistas, soldadores, músicos, intérpretes, mestres de bateria, enfim, é muita gente envolvida e que fica sem ter o que fazer.

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Diário – Como seria o Carnaval ideal para Santa Maria?
Vera – Acredito que os blocos deveriam existir e envolver mais gente, que fossem mais plurais para que todas as pessoas pudessem participar. Poderia haver trio elétrico puxando os grupos da Avenida Rio Branco até a Gare, em uma grande festa. Além disso, teria o desfile das escolas de samba, na Avenida Liberdade, como tradicionalmente. Seria um grande espetáculo! E, depois de dois dias, a divulgação dos campeões. Tantas cidades têm blocos de rua e desfile de escolas, como Porto Alegre. É um questão de organização.

Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Diário – Como será a sua folia este ano?
Vera – Sábado, embarco para o Rio de Janeiro com a família para prestigiar o Carnaval na Marques de Sapucaí. Torço pelo Salgueiro e pela Vila Isabel,e as duas desfilam no domingo. Será a realização de um sonho que venho projetando há anos, e que, este ano, deu certo. Voltarei cheia de ideias e de vontade de melhorar o Carnaval de Santa Maria. 

 
 

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