Moda? Que moda?  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião11/02/2017 | 20h24Atualizada em 21/02/2017 | 11h51

Moda? Que moda? 

Colunista de Moda, Camila Marques se apresenta aos leitores e coloca alguns ??? nessa temática


É uma alegria ter sido convidada para fazer parte do time de colunistas do Diário de Santa Maria. Assim como é, também, um grande desafio. Pensei muito em que medida eu poderia contribuir nesse espaço, sobre um tema que me é tão caro.

Ainda não sei se encontrei a resposta, mas farei aqui o que me parece mais honesto: dividir o que eu tenho estudado _ nesses quase 8 anos de pós-graduação _ sobre moda e mídia (moda e música/moda e telenovela), moda e conformação identitária, moda e distinção social, consumo de moda e estilo de vida, moda e gênero.

Foto: Reprodução / Diário de Santa Maria

Não trarei aqui dicas de como vestir determinada peça ou uma lista das tendências mais cotadas para a próxima estação. Não, não considero essas tendências (totalmente) problemáticas ou fúteis, muito menos menosprezo o trabalho dos colegas que dividem esse espaço comigo e que se dedicam a compartilhar essas informações essenciais para o desenvolvimento do sistema da moda.

Seria inclusive hipocrisia de minha parte, já que escrevo aqui usando uma choker e vestindo uma pantacourt. Eu apenas não me sinto capaz de gerar conteúdos sobre esse viés. Além de consumidora de muitas dessas tendências, sou também pesquisadora entusiasta das práticas de consumo desses produtos, que defendo possuírem papel fundamental na constituição e comunicação das identidades individuais e coletivas.

Mas, acima de tudo, sou uma problematizadora da moda. Uma entrevistada me disse uma vez: ¿eu amo e ao mesmo tempo eu odeio a moda¿. Essa sentença adianta um pouco a minha contraditória relação com essa temática, que ficará mais clara (e/ou mais paradoxal) a cada texto publicado.

Mas afinal, de que moda eu estou falando? Esse conceito pode referir-se a uma lógica que, entre outras coisas, aplica-se à área do vestuário, como definiria o filósofo Lars Svendsen, ou a mudanças periódicas também no design de automóveis, na arte, na música, nos objetos de decoração, etc., como defende Gilles Lipovetsky. 

Foto: Artforum / Divulgação, Google

Entretanto, a definição do termo moda que me aproximo é a defendida pela historiadora Anne Hollander (1996, na foto acima) e se aplica ao vestuário, de maneira geral, incluindo não apenas a alta costura, mas também todas as formas de antimoda e não moda e todas as roupas e acessórios daqueles que afirmam não terem nenhum interesse pelo assunto. Dessa forma, saliento que as reflexões a que me proponho aqui buscam ir além da comum abordagem mercadológica quando se trata do tema, estendendo-as para as dinâmicas sociais que o acompanham. 

Percebo, através de minhas pesquisas e dos estudos realizados por meus pares, que as práticas de consumo desse tipo de produto e serviço funcionam como espaço privilegiado para a construção de identidades (de classe e gênero) e de estilos de vida; apresentação individual e coletiva; demarcação de fronteiras simbólicas; signo de status e também forma de resistência, inclusão e pertencimento.

E é sobre essas relações e percepções que as próximas colunas desfilarão.

Até lá!

 


 
 

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