Leandro Sassi fala sobre as diferenças carnavalescas entre Rio e Santa Maria - Cultura e Lazer - Diário

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Com a palavra27/02/2017 | 09h55Atualizada em 27/02/2017 | 09h55

Leandro Sassi fala sobre as diferenças carnavalescas entre Rio e Santa Maria

Juiz dedica parte do tempo à produção artística e tem amor pelo espetáculo

Leandro Sassi fala sobre as diferenças carnavalescas entre Rio e Santa Maria Arquivo Pessoal/Divulgação
Leandro e a coordenação de desfile da Escola de Samba Império Serrano, no Rio de Janeiro Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Uma das personalidades de Santa Maria conhecidas pela paixão pelo Carnaval é o juiz da 4ª Vara Criminal Leandro Sassi, 41 anos. Ele cresceu visitando familiares que residem no Rio de Janeiro, perto da quadra da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. O amor pelo espetáculo cresceu junto com ele. Hoje, quando está longe dos tribunais, o magistrado dedica parte de seu tempo à produção artística, escrevendo enredos ou discutindo a concepção de agremiações do Rio de Janeiro ou de Santa Maria. Recentemente, uma de suas composições concorreu ao título de samba-enredo da Unidos da Tijuca, escola que abraçou e onde atua este ano. Nesta entrevista, vamos conhecer algumas histórias e descobrir se existem pontos em comum entre a folia carioca e o Carnaval daqui.

Diário de Santa Maria – Qual sua lembrança mais marcante relacionada a algum Carnaval?
Leandro Sassi – Estar no Rio de Janeiro no fim do ano de 1988, e frequentar a quadra da Imperatriz enquanto eles ensaiavam o samba-enredo Liberdade, Liberdade, que concorria e foi o vencedor do título de 1989, foi algo marcante. Todo mundo estava deslumbrado com a qualidade daquele samba e a comunidade estava bastante envolvida por contar aquela história na avenida. Os ensaios eram magníficos, lindos, e isso me emocionava bastante. 

Diário – Como começou sua história atuando nos desfiles do Rio?
Sassi – Desfilo no Rio desde 2006, mas, desde 2009, participo consecutivamente. Cresci na quadra da Imperatriz, mas a vida foi me levando a atuar em vários lugares. Comecei desfilando na Lins Imperial, uma escola bem pequena de Lins de Vasconcelos. Depois, passei pela União de Jacarepaguá, por dois anos. Na Império Serrano, fui coordenador de evolução. Então, cada escola que eu me dedicava era a ¿minha escola¿, eu vestia a camiseta. Agora, estou desde 2013 na Unidos da Tijuca. Sou azul e amarelo. Sempre visto a camiseta da escola em que estou trabalhando. Afinal, a gente quer ver o espetáculo que a gente ajudou a criar sendo bem representado.

Diário – Qual a emoção de desfilar no Rio de Janeiro?
Sassi – É uma coisa única. É um espetáculo artístico que você participa, que você é um dos protagonistas. Cada um na sua função, carnavalesco, diretor de carnaval, coordenador de ala, diretor de harmonia, compositor, que é meu caso hoje, mas, obviamente, a gente vai acumulando funções, e quer ver seu trabalho passar da melhor forma possível. Quer ter o orgulho de saber que fez aquilo bem feito. Claro que desfilar no Rio a proporção é muito maior, porque você vê 75 mil pessoas ali, e o evento ser televisionado e exibido no mundo todo. A noção de responsabilidade é grande... É maior.

Diário – Existem semelhanças entre os desfiles daqui e do Rio?
Sassi – Claro que sim! Porque, no fundo, você quer fazer um espetáculo grandioso e lindo. Quer emocionar as pessoas com aquela apresentação. Em Santa Maria em proporções menores, e no Rio, em proporção maior, o que efetivamente me emociona é ver meu trabalho bem-feito, que as pessoas estão se admirando com aquilo. Então, sim, a emoção de desfilar e participar de escola de samba existe em todos os locais.

Diário – O que falta para Santa Maria ter um evento que não dependa de verbas públicas?
Sassi – A gente sabe que as escolas de Santa Maria passam por dificuldades e muitas não têm sede para poder funcionar o ano todo e fazer a arrecadação de verba. As que têm sede, sei que tentam fazer o máximo, locando o espaço ou fazendo eventos para tentar arrecadar algum valor. O que acontece é que nós temos vários aspectos que afetam esse contexto. Um deles é cultural: as pessoas em Santa Maria, e em boa parte do Rio Grande do Sul, ainda não se sentem representadas pelas escolas de samba. Temos de resgatar e detectar essa identidade. Tem de haver local, investimento estrutural para que as agremiações recebam as pessoas. Além disso, temos um grande inimigo que é o inverno. No Rio, as escolas vendem cerveja para turistas no inverno. Mas em Santa Maria não tem turista e é muito frio. Então, temos que ter uma estrutura decente para as escolas abrirem. Como isso vai ser feito? Talvez, buscando auxílio das parcerias privadas, com ajuda do município. Temos que fazer um trabalho de base, de identificação. As sedes precisam ter eventos, utilizar os espaços para inclusão social, oferecer aula de percussão, de dança. Isso a partir de um grande projeto que deve, e, se Deus quiser, vai começar a ser feito. 

Diário – Como seria o Carnaval perfeito para Santa Maria?
Sassi – Uruguaiana é um exemplo a ser seguido. A sociedade é totalmente vinculada às escolas, todo mundo quer participar, disputam a unha o ingresso para prestigiar os desfiles. Têm pessoas vindas de fora da cidade, hotéis lotados de turistas... Algo nesse sentido, podendo trazer atrações de fora para dar visibilidade em nível nacional. Escolas estruturadas, com boas quadras, administrações comprometidas com um Carnaval de qualidade e a sociedade as abraçando. Você vê pelo Rio Grande do Sul afora: é normal as pessoas dizerem que não vale a pena ter desfiles, que é melhor que invistam esse dinheiro em outro local. E em Uruguaiana é o contrário, as pessoas querem esse investimento porque a população sabe que é uma expressão cultural necessária e importante. Além disso, ele serve como acelerador do crescimento econômico da cidade. As pessoas vêm gastar, não é um investimento perdido, é algo que a cada ano se colhe mais fruto. Esse seria o Carnaval perfeito para mim.

Diário – O senhor ainda tem vontade de participar da folia de Santa Maria?
Sassi – Absolutamente sim, tenho vontade. Talvez não mais como participante de uma escola, mas, muito possivelmente, como uma das pessoas que está disposta a colaborar e a contribuir para fazer esse grande plano. Um grande projeto de revolução desse evento na cidade, de subir um degrau, subir o nível, transformar o Carnaval da cidade em algo grandioso. Um evento que não seja visto pelas pessoas como uma despesa, mas como uma grande expressão cultural da Cidade Cultura. E que isso traga cada vez mais gente de fora e que esse evento seja uma fonte de renda para a cidade, que atraia turistas, que movimente o comércio, que crie empregos. Que seja o desfile de entidades engajadas, que durante o ano todo estão trabalhando pela questão social também. Se começarmos a discutir e a pensar dessa forma, em poucos anos, pouco mais de uma década, teremos um Carnaval grandioso.

 
 

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