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Variedades18/02/2017 | 12h19Atualizada em 18/02/2017 | 12h19

Grupo de colecionadores se reúne diariamente para trocar figurinhas

No acervo dos integrantes, há itens raros como o primeiro álbum lançado no Brasil e o clássico da Copa do Mundo de 1970

Grupo de colecionadores se reúne diariamente para trocar figurinhas Fernanda Ramos/dsm
James Pizarro (sentado), João Hugo Dá Cas Filho, Darlan Tybusch, Rodrigo Jardim e Pedro Hugo Ferraz dos Santos colecionam figurinhas e participam dos encontros Foto: Fernanda Ramos / dsm

¿Nós mantemos vivo o hábito de colecionar figurinhas em Santa Maria¿. É assim que o militar reformado do Exército Pedro Hugo Ferraz dos Santos, 70 anos, define o grupo de cerca de 10 colecionadores do qual participa. Boa parte deles se encontra diariamente, no fim da tarde, na praça de alimentação do supermercado Nacional da Avenida Medianeira. Eles se reúnem para, literalmente, trocar figurinhas.Quem passar por ali depois das 18h, provavelmente vai encontrar uma turma animada, tomando mate e botando o papo em dia. Ao lado deles, por cima das mesas, montanhas de cromos adesivos e álbuns cuidadosamente guardados em saquinhos plásticos e com capa dura extra. Todos esses cuidados são necessários para preservá-los em boas condições. Afinal, entre os livros ilustrados, existem algumas raridades, como A Holandeza, o primeiro álbum de figurinhas lançado no Brasil, em 1931, e o famoso álbum da Copa do Mundo de 1970. Esse último, quando bem cuidado e completo, pode ser encontrado à venda na internet por valores entre R$ 2 e R$ 10 mil.

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O pedido de um dos netos, em 2006, fez Ferraz reviver os bons tempos. Naquele ano, o militar reformado chegou à Banca da Lúcia, localizada na antiga Rua 24 Horas, para comprar o álbum da Turma da Mônica com o neto. No local, havia um grupo de cerca de 10 adultos, trocando figurinhas da Copa de 2006, que chamou sua atenção. Ao chegar em casa, ele deixou o neto colando os cromos e não hesitou em retornar à banca para conhecer os colecionadores. Na época, eles criaram o Clube do Colecionador de Santa Maria, que chegou a ter 180 membros, com direito à carteirinha. Assim, a paixão de Ferraz pelo hobby que havia cultivado em sua infância, voltou com força. Desde então, ele não parou de colecionar.– Lembro com clareza dos meus primeiros álbuns. Eram dos filmes Os 10 Mandamentos e Ben-Hur, em 1957. Colecionei até 1963, antes de entrar no quartel, depois parei – recorda Ferraz.Hoje, ele é um dos colecionadores mais empolgados da turma. De 2006 para cá, Ferraz acumulou cerca de 700 álbuns e mais de 300 mil figurinhas. Além de cultivar seu passatempo, o militar reformado tem prazer em ajudar os amigos a completarem suas páginas.

Memórias recuperadas 65 anos depois

O professor universitário aposentado James Pizarro, 75 anos, lembra com emoção de seu primeiro álbum de figurinhas, comprado em 1950: Balas Instrutivas Ruth. Mas, por causa de uma peraltice, sua mãe o castigou e queimou o livrinho, que estava completo, no fogão à lenha da família. Ele assistiu seu xodó pegar fogo, e aquela imagem nunca saiu de sua cabeça.Porém, depois de 65 anos de espera, em janeiro deste ano, ele reencontrou a raridade à venda em um anúncio na internet. Como não sabia usar o site de compras, o amigo Darlan Tybusch adquiriu por ele.

James Pizarro Foto: Fernanda Ramos / dsm

O momento em que Pizarro reencontrou seu antigo álbum foi registrado pelos colecionadores de Santa Maria.
– Ao pegar o álbum, resgatei um episódio importante da minha infância. É algo que eu estimo muito. Se me oferecerem R$ 5 mil por ele, eu não vendo. E eu já comuniquei aos meus netos que o álbum é um bem que tem que permanecer dentro da família – conta o aposentado que tem dois netos que também colecionam figurinhas.

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Hoje, o livro ilustrado fica guardado em um espaço especial no armário do colecionador. Envolto em um saco plástico e encadernado em capa dura, para evitar qualquer dano. Dono de uma boa memória visual, o professor confessa que já decorou a disposição de cada figura do álbum.

Coisa de família

Pizzarro acredita que o colecionismo de cromos é uma atividade prazerosa e que reúne a família em prol de um mesmo passatempo. Segundo ele, a satisfação em colar e completar um álbum é indescritível. Para ele, o fato de haver tantos adultos colecionando álbuns e compreensível pois, é uma forma de compensar o que não se pode ter na infância.– Criança não tem dinheiro nem autonomia para fazer o que gosta e colecionar. Depois de adultos, percebemos que podemos investir em coisas que gostamos. A coleção dos álbuns é um exemplo. É um forma de compensação – diz.

Das bancas à internet

Foto: Fernanda Ramos / dsm

Outro colecionador do grupo é Darlan Tybusch, 52 anos. Proprietário de um canil, além de colecionar, ele compra e vende álbuns pela internet. Tybusch ressalta que para manter o hábito em Santa Maria, muitas vezes, é necessário comprar álbuns e cromos pela rede:– As bancas de revistas estão cada vez mais escassas em Santa Maria. Além disso, as poucas que ainda existem não recebem todas as figurinhas lançadas na atualidade .Na opinião de Tybusch, a falta de oferta desestimula o surgimento de novos colecionadores. E quem sai perdendo com isso, segundo ele, são as crianças da nova geração.

– Hoje, os pais só querem saber de presentear os filhos com celular e computador. Isso não pode concorrer com figurinhas. É difícil, mas esses hábitos simples são importantes e se tornam um momento que reúne e envolve a família – acredita.

Apesar do pouco interesse do público em geral, na última década, houve fases em que as coleções de figurinhas voltaram com tudo e isso animou o grupo de amigos. Segundo Tybusch, alguns fenômenos infantis e adolescentes como o grupo mexicano Rebelde e a novela Carrossel motivaram crianças e adolescentes a voltar a colecionar. A copa de 2014 também movimentou o cenário.

Os álbuns de hoje

Foto: Gabriel Haesbaert / NewCo DSM

O Diário foi conferir quais álbuns existem disponíveis, hoje, nas bancas de jornal e revistarias de Santa Maria. Conforme Suyan Pfeifer, funcionária da revistaria do Nacional da Medianeira, a gurizada ainda se interessa pelas coleções. Em especial quando são álbuns relacionados a filmes que estão na moda e a modalidades esportivas, como futebol e basquete.

Raridades também no sebo

Os sebos são uma boa opção para quem procura livros, revistas, gibis e, também, álbuns antigos. Afinal, assim como existem colecionadores que adoram guardar, há quem queira desapegar e se desfaça de seus antigos pertences. De acordo Antônio Marcos Medeiros, proprietário do Sebo Camobi, existem dezenas de exemplares de álbuns antigos em seu estabelecimento. Conforme Medeiros, o valor varia de acordo com o estado de conservação e se o livro está completo ou não. Em média, os álbuns custam de R$ 10 a R$ 300.– Mas pode chegar a um valor infinito. Imagina se alguém tem para vender um álbum com um pacote de cromos por colar. Esse valor aumentaria muito – explica.Marcos acredita que os livros ilustrados antigos, sem nenhum cromo colado, são os mais raros e os que têm maior valor.– Os que faltam figuras/cromos valem mais, pois proporcionam o prazer ao colecionador de ele mesmo colar a figura no seu álbum – diz.

 

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