Do manequim 36 ao 60: quando o corpo é tabu na moda - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião24/02/2017 | 20h32Atualizada em 24/02/2017 | 20h32

Do manequim 36 ao 60: quando o corpo é tabu na moda

Colunista de Moda, Letícia Sarturi aborda a moda plus size e a necessidade de falar sobre isso, de opções e democratização


Nos anos 90, as atenções voltavam-se para elas: as top models, símbolos de beleza e estilo. Essa geração dava continuidade à ideologia da década anterior, que viu despertar a cobiça ao físico perfeito. 

Kate Moss e Naomi Campbell, por exemplo, eram herdeiras de um legado deixado por Twiggy, que em meados de 1960 se tornava referência na moda e instaurava o estilo magro (e andrógino).

Hoje, ainda estamos situados nessa mesma realidade. Vivemos um tempo de culto estético, onde o corpo magro impera como padrão de beleza. E o que cabe ao corpo gordo no universo fashion que vê surgir uma nova geração de grandes modelos, as uber models?

Se durante muito tempo o corpo volumoso foi excluído nas tendências, o meio plus size trata de abrir passagem marcando e exigindo o seu espaço. Ainda nos primeiros anos de 2000, as bloggers de moda plus size levantaram bandeira rompendo com estereótipos na moda e tornando os seus blogs espaços contra-hegemônicos diante do mainstream.

Atualmente, instaura-se uma corrente que é perpetuada na web e fora dela. No Brasil, a jornalista e blogueira Ju Romano (abaixo) foi a primeira mulher plus size a estampar a capa da revista Elle, em 2015. 

Foto: Divulgação / Divulgação Elle

Já, nos Estados Unidos, outra blogueira plus, Gabi Gregg (abaixo), lançou uma linha de moda praia, os fatkinis, com ampla numeração.

Foto: Ryan Michael Kelly / Reprodução

Contudo, o caminho a ser trilhado é longo. Basta sair pelas lojas para perceber que encontrar roupa para um corpo curvilíneo pode ser um desafio. A moda ainda está associada à magreza e nem sempre os tamanhos oferecidos pelas marcas contemplam a variedade corporal.

Como se isso já não bastasse, até o tratamento oferecido em alguns estabelecimentos se torna excludente. Pipocam relatos (inclusive meus) de pessoas cheias de curvas que não são atendidas em lojas ou recebem olhares tortos de vendedoras despreparadas e sem paciência para atender alguém cujo tamanho não corresponde ao que é comercializado no local.

Mesmo o segmento plus size sendo ávido por consumir tendências, a indústria da moda em geral ainda se mostra estagnada. Algumas marcas limitam os seus tamanhos, como a americana Abercrombie & Fitch, que já se recusou a produzir numerações grandes. Ainda são poucas aquelas que lançam coleção para vários tipos de corpos, como a gaúcha Chica Bolacha, que vende roupas com numeração do 38 ao 60. Certas lojas de fast fashion também tentaram entrar no segmento plus, porém, as opções ainda são restritas.

Democratização

Acredito que é urgente a necessidade de ¿democratizar¿ a moda, tornando-a acessível a todos. Essa também deve oferecer o prazer de qualquer pessoa se identificar e sentir representada na publicidade, nas páginas de uma revista de moda ou nos manequins das vitrines.

A democratização da moda também está enraizada com a representatividade, ainda mais em um período como o nosso, caracterizado por debates em torno de identidades, representações sociais, estilos e em que o corpo, como aponta o sociólogo francês Jean Baudrillard, tornou-se um produto, um objeto de consumo.

Então, chega mais, que todo o mês eu vou mostrar que a moda e suas tendências podem ser para qualquer corpo, sendo você plus, curvy ou magra/o. O meu papel é informar, questionar e incentivar –  principalmente romper com aquelas "normas" fashion...

Afinal, quem disse que gorda não pode usar transparência? Branco? Crop top? - Além disso, o corpo também será temática por aqui, pois ele e a moda estão intimamente associados, sendo um condição de existência do outro.

 Até a próxima coluna!

 
 

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