Daniela Nascimento: fundadora da Royale conta como o balé pode mudar vidas - Cultura e Lazer - Diário

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Com a palavra11/02/2017 | 12h00Atualizada em 11/02/2017 | 12h00

Daniela Nascimento: fundadora da Royale conta como o balé pode mudar vidas

Há 18 anos, ONG atende a meninas e adolescentes em situação de vulnerabilidade social*

Daniela Nascimento: fundadora da Royale conta como o balé pode mudar vidas Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

A santa-mariense Daniela Nascimento, 43 anos, define-se como sonhadora, persistente e lutadora. E é o que demonstra à frente da ONG Royale Escola de Dança e Integração Social, que há 18 anos ensina balé e presta atendimentos múltiplos a crianças e adolescentes. Às voltas com a finalização da tese de doutorado em Educação, direcionou sua formação acadêmica para estudar o quanto a participação das meninas na escola impacta na construção de trajetórias de vida longe da vulnerabilidade social.

Diário de Santa Maria – Como a dança entrou em tua vida?

Daniela Nascimento – Iniciei minha formação na Escola de Ballet Ivone Freire, em Santa Maria, onde fui também professora.

Diário – E a escola? Quando resolveste criá-la?

Daniela – A Royale começou como minha escola particular de balé em 1994. Em 1996, fui convidada para ministrar aulas para 11 meninas da Escola Municipal Júlio do Canto, em Camobi. Como o trabalho foi muito bom, levei essas meninas para dançarem no festival de encerramento de ano letivo da Royale Academia de Ballet. Então, apresentei, em 1997, para a Prefeitura Municipal de Santa Maria, um projeto onde abri 40 vagas na minha escola para meninas das escolas da rede municipal. As 40 vagas viraram 60 vagas. No final de 1997 estava decidida a trabalhar somente com meninas da periferia. Então, em 1998, fechei minha escola particular e abrimos (aqui tive apoio da família, amigos, professores universitários) a ONG Royale Escola de Dança e Integração Social, a fim de desenvolver ações complementares a escola regular. Então, sou fundadora e idealizadora da ONG Royale.

Detalhe de bailarinas Royale, no segundo ato da remontagem do balé de repertório Giselle, em 2012 Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Diário – Veio da escola o impulso para a formação acadêmica?

Daniela – Nesse meio tempo, fiz graduação em Pedagogia e mestrado em Educação, com temática no trabalho de inclusão social e cultural da Royale. Agora, estou finalizando o doutorado em Educação, com temática no empoderamento feminino por meio da metodologia de balé desenvolvida na Royale (Daniela integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Arte e Cultura – Gepaec/UFSM).

Diário – Como a Royale funciona? Quem pode participar?

Daniela – A Royale foi a primeira escola de dança de Santa Maria que começou a atender somente crianças, adolescentes e jovens de baixa renda, tornando-se uma organização não governamental. Na Royale, utilizamos a dança como agente motivadora no desenvolvimento das potencialidades e na inclusão social, cultural e educacional de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias. A iniciativa, que atende mais de 200 meninas a partir dos 6 anos, integra ações multidisciplinares e interdisciplinares – oficina dança cidadã, oficina de apoio pedagógico, oficina de artes visuais, oficina de língua francesa, apoio psicológico – e tem o balé como eixo temático central, a fim de integrar o conhecimento corporal ao conhecimento intelectual e a percepção de si mesmo. Para estar na Royale, a criança ou adolescente tem de estar frequentando a escola regular. Nós acompanhamos o desempenho e a frequência escolar. Se detectamos que uma aluna está com dificuldades na escola regular, ela é encaminhada para o reforço escolar da Royale. O que objetivamos, não é somente formar bailarinas, mas, acima de tudo, mulheres capazes de transformar suas trajetórias, tornando-se protagonistas de suas vidas. Por isso, incentivamos que as meninas frequentem uma universidade, tenham uma profissão, possam construir uma vida independente e também modificar seu entorno, servindo de incentivo para suas famílias e suas comunidades. A Royale Cia. de Dança é formada pelas alunas com mais anos de estudo de balé e realizam espetáculo com temáticas escolhidas por elas. As crianças e adolescentes que ainda não fazem parte da cia também escolhem a temática e a estudam durante o ano, dentro do tema gerador da Royale.

Diário – Qual é tua motivação? O que te impulsiona nesta caminhada de 18 anos?

Daniela – O que mais me motiva é ter certeza que estamos atingindo nossos objetivos. Hoje temos um índice de 90% de aprovação escolar de nossas alunas, inexistência de evasão escolar, inexistência de alunas com problemas de drogradição, prostituição, gravidez na adolescência. Temos, ainda, continuidade de estudos no Ensino Médio, presença de 15 alunas no Ensino Superior, formatura de 12 alunas no Ensino Superior e suas inserções no mercado de trabalho e em cursos de pós-graduação. Além disso, maior comprometimento das famílias no processo de educação de suas filhas, junto a suas comunidades e junto à Royale.

Diário – O que mais te marcou nessas quase duas décadas?

Daniela – O ingresso e a posterior formatura das alunas na universidade. É uma grande vitória!

Diário – Qual tua estratégia para transpor as dificuldades e os obstáculos que surgiram?

Daniela – Costumo dizer que a Royale não é apenas uma ONG, mas uma grande família. Somos a Família Royale. E é a união dessa família (professoras, funcionárias, alunas, mães, pais, sócios colaboradores, parceiros) que faz com que as dificuldades sejam sempre superadas, pois todos acreditam na importância do trabalho da Royale e sabem que ele deve continuar.

Cena do espetáculo O Mundo Mágico de Monteiro Lobato, montado em 2014, estrelado por bailarinas da escola Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Diário – Qual expectativa que tens e gostaria de compartilhar?

Daniela – O que mais desejo é que a cidade de Santa Maria realmente abrace a Royale, pois somos de Santa Maria, auxiliamos as pessoas da cidade. Precisamos urgentemente aumentar nosso número de sócios colaboradores, já que a Royale não tem uma ¿mantenedora¿, vivemos de captações de recursos via leis de incentivo. Hoje temos projetos aprovados na LIC Municipal e no Ministério da Cultura, além se sermos Ponto de Cultura. Peço que os empresários de Santa Maria nos auxiliem. Peço que a comunidade de Santa Maria também nos auxilie. Para ser sócio colaborador da Royale as pessoas físicas podem contribuir com um valor a partir de R$ 20,00 mensais via débito em conta (caso de pessoas que possuem conta no Banrisul) ou boleto bancário. Os sócios colaboradores recebem ingressos para assistir nossos espetáculos no Theatro Treze de Maio e as empresas têm sua logomarca exposta em nossos folders e banners. Mas espero que as pessoas compreendam que sua ajuda muda a vida de muitas meninas da periferia! Isso é o mais importante!

*Por Sione Gomes, jornalista, coordenadora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano

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– Pessoas físicas podem contribuir com valores a partir de R$ 20 mensais via débito em conta no Banrisul ou boleto bancário

– Os sócios recebem ingressos para assistir nossos espetáculos no Theatro Treze de Maio e as empresas têm sua logomarca exposta em folders e banners

– (55) 3223-5533

Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal


 

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