Cronistas do Diário: "Pós e poeira", por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião03/01/2017 | 07h12Atualizada em 03/01/2017 | 11h38

Cronistas do Diário: "Pós e poeira", por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: "Pós e poeira", por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

A Nova República começou com uma canção, Coração de Estudante. E para terminar, o Milton podia ser chamado de novo: "Nada a Temer, senão o medo". As reviravoltas da República têm alguma coisa com Minas Gerais: primeiro foi o Tancredo, que escolheu para morrer justo na hora da posse; em 2016, uma mineira é defenestrada com um golpe. E o PMDB, nessas idas e vindas, sempre emplaca um vice, já é o terceiro, começando pelo do bigode, e, depois, o do topete. Já que o propósito deste novo momento da república é para moralizar a coisa pública, o presidente interino poderia cantar a paródia: "eu cassador de mim".

O que teríamos agora, a Novíssima República? Ou, para usar um prefixo da moda, seria a Pós-República? Quando foi que ultrapassamos a novidade trazida com a normalidade democrática? Nem sequer havia um projeto, era apenas a intenção de retomar o curso normal de um Estado de Direito. Havíamos passado 21 anos sob um regime de exceção, com arbitrariedades em nome da segurança nacional. Com a anistia, o fim da censura e a eleição de um presidente – ainda que de forma indireta, a "novidade veio dar na praia". E aí é que se iniciou a disputa na alegoria da canção popular: melhorar a economia significava, resgatar o passivo social ou recuperar os ganhos do capital especulativo? Então, vieram os planos funaros, os colloridos, e a gente caiu na real, depois de passar um tempo pelas URVs.

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Após o segundo impeachment em tempo quase igual ao da ditadura no país, o que temos para finalizar a segunda década deste milênio? Questionamentos sociotemporais, no começo de um novo ano, dão a impressão de que temos grandes indagações, para além da já batida "que país é este?" Temos uma república tomada por corruptores e corruptos, por justiceiros de conveniência e legisladores em causa própria. Temos escolas ocupadas por crianças e adolescentes, as ruas tomadas por protestos que não repercutem dentro dos palácios e dos parlamentos, e a polícia para manter a ordem. As instituições se desmancham no ar, e o pó se mistura aos gases de efeito moral. É a versão tupiniquim da pós-república.

De qualquer modo, se a república é nova, os problemas são velhos. Talvez por falta de criatividade da classe política, ou por sua natureza conservadora, a elite – que é das antigas – só sabe lançar mão de recursos cheirando a naftalina. Só sabe reagir, mesmo que na contramão das mesmas elites em outros países. Na pós-república brasileira, cabe ao povo fazer como diz a canção popular: levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

 
 

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