Cronistas do Diário: "O desafio de ser professor" - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião07/01/2017 | 10h04Atualizada em 07/01/2017 | 10h04

Cronistas do Diário: "O desafio de ser professor"

Cronistas do Diário: "O desafio de ser professor" Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Se eu não fosse jornalista, seria professora. No fundo do meu coração, ainda alimento o desejo de cursar Pedagogia. Talvez, em função da nostalgia que sinto por ter sido normalista e não ter concluído o curso. Evidentemente, eu gostaria de conquistar esse diploma por vocação, e não para ganhar rios de dinheiro – algo que ambas as profissões raramente proporcionam.

Por isso, me entristece saber que a falta de valorização esteja adoecendo os docentes, como mostra a pesquisa que inspirou a reportagem do MIX deste fim de semana. Um a cada três professores de escolas privadas sofre de depressão. Desrespeitados por muitos pais e alunos, eles se veem pressionados pelas direções de escola a aprovar alunos que não conseguiram comprovar aprendizado e a fechar os olhos para a indisciplina. Contrariar a chefia pode resultar em demissão, e essa é a espada que pesa sobre a cabeça dos mestres.

E, veja bem: estamos falando do ensino privado. No imaginário de muitos (no meu, inclusive), a escola particular é uma espécie de templo frequentado por crianças bem alimentadas, filhas de cultas famílias, que saem de casa para aprender com os docentes melhor preparados (e remunerados) do mercado as maravilhas do saber dentro de laboratórios magníficos. Nem sempre é assim, mostra-nos a realidade.

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Assim como é frequente na rede pública, nas escolas privadas, há pais que transferem à escola os princípios de educação que só uma família pode transmitir. O insucesso dessa impossível empreitada fica nas contas do pressionado professor do ensino privado e do desalentado docente da rede pública. A esses últimos, ainda cumpre viver com a soma desfavorável de estruturas físicas precárias, turmas lotadas, alunos (muitas vezes) mal alimentados e baixos salários. Aos professores do Estado, os vencimentos ainda são parcelados. Um calvário sem fim.

Não é para menos que o interesse dos jovens nos cursos de licenciatura seja cada vez mais baixo. Quem quer fazer quatro anos de graduação, mais uma série de especializações, para nem receber o salário em dia? Para ser chamado de vagabundo ao paralisar o trabalho para reivindicar seus direitos? Para ter de fazer empréstimos para colocar comida na mesa?

Muita gente ainda escolhe ser professor no Brasil por vocação. Mas, hoje, isso pode ser interpretado como sadismo e até como falta de opções.

 
 

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