Cronistas do Diário: Noturna ironia, por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião10/01/2017 | 06h52Atualizada em 10/01/2017 | 06h52

Cronistas do Diário: Noturna ironia, por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: Noturna ironia, por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Não foi o único anúncio, nem a mais contundente das manifestações do Planalto, mas a observação do Ministro da (des)educação deu o que pensar na semana passada. Em outros tempos, haveria panelas batendo, e a Avenida Paulista repleta de brasileiros indignados. No entanto, estamos longe do significado de estupefação. Entre outras coisas, o ministro sugeriu que é seu desejo acabar com o ensino noturno. Para ele, o jovem não deve trabalhar e estudar (como se vivesse em outro planeta). E apresenta razões humanitárias para a sua ideia: é um perigo andar à noite, é cansativo estudar depois de dar duro oito horas no expediente. E o mais absurdo: o rendimento desse pessoal é baixo porque trabalha.

Faria bem o titular da educação se, em vez de inventar novidades, atuasse para estimular a oferta de emprego e o aumento no número de postos de trabalho, para os pais desses jovens poderem sustentá-los. Ou então, como fizeram os governos que o antecederam (e foram execrados), aumentasse a oferta de vagas nas instituições públicas e incrementasse os meios de financiar a educação. Mas não, o sincero e bem-intencionado ministro tem uma ideia supimpa: sugere que é melhor acabar com o ensino noturno.

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Não sei por que não me admiro de ele não ter elaborado um projeto para acabar com a noite. Daria no mesmo, só haveria ensino diurno, já que os jovens que precisam vão continuar precisando de trabalho. Seria como considerar que as campanhas para acabar com a proliferação do Aedes aegypti estão equivocadas: em vez de acabar com os locais de água parada onde estão os focos do mosquito, dar um jeito de reduzir o número de pessoas que podem ser infectadas. Quem sabe não surgem outras inovações entre as políticas públicas com essa moderna metodologia? Como erradicar a pobreza acabando com a população que pode cair na miséria. Acabar com o analfabetismo adulto destruindo todos os livros, derrubando bibliotecas e construindo shopping centers; também acabar com qualquer texto escrito. Combater a fome fazendo um programa de redução do estômago em massa. Para diminuir a violência, só permitir balas de festim em armas no território nacional e proibir balas perdidas. Combater a corrupção usando gás de efeito moral no parlamento.

Para um governo como este, é preciso uma política para aumentar o PIB, fazendo o povo pensar pouco e trabalhar mais. Vai chegar o dia em que, para o povo não pensar, já vai nascer com um cérebro reduzido às funções vitais. Vai trabalhar que é uma beleza, e teremos uma nação pujante!

 
 

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